domingo, 23 de fevereiro de 2014

Prece e Devoção (Parte III)


Características da Devoção:


Podemos representar a Devoção como um triângulo, onde cada ângulo corresponde a uma característica. Não pode haver um triângulo sem três  ângulos e também Devoção sem suas três características.

      A primeira característica da Devoção é o fato de que não deve haver transações. Sempre que se procura algo em retribuição, não há devoção, não há AMOR.
Torna-se um comércio de compra e venda. Enquanto houver a idéia de obter tal ou qual favor, em troca do nosso respeito e fidelidade, não existirá a verdadeira Devoção. Quando não se consegue o que se pede, deixa-se de amar.

      O Devoto adora e já encontra recompensa no próprio ato de adoração. Quando se vê uma bela paisagem, nada se pede a ela e nem a paisagem pede alguma coisa. Mesmo assim, a simples contemplação torna a mente calma e elevada.

      A segunda característica da Verdadeira Devoção é que ela não conhece o medo. A devoção pelo medo seria como a dos seres primitivos que adoravam os fenômenos naturais como deuses para que não os castigassem com catástrofes, fome e morte. O AMOR desafia o medo.

      Geralmente, a educação recebida criou na personalidade humana um sentimento de temor ao Criador, como se Ele fosse um juiz pronto a castigar. A expressão: “Cuidado que Deus castiga!” até hoje é muito usada. Foi esta a deformação que as criaturas tiveram por muitos séculos e ainda continuam tendo por ignorância do real sentido do AMOR A DEUS. Criou-se a imagem de um deus como um tirano, mais impiedoso que um pai carrasco, pronto a castigar, ao menor deslize, seus miseráveis servos, sentado em seu majestoso trono, bem do alto, vigiando atentamente para lançar ao fogo do inferno quem tentar afrontá-lo.

      Esta imagem de “bicho papão” foi a herança recebida por gerações e gerações, transmitida por aqueles que se intitulavam transmissores da Vontade do Criador. Em consequência disso, nota-se na maioria das criaturas, um total descrédito e abandono do sentimento religioso.

      O verdadeiro AMOR vence o medo. Se um de nós vai só pela rua e encontra um cão raivoso, tem medo e corre. Mas, se nos acompanha um filho pequeno e somos atacados por um cão ou até um leão, o medo desaparece, porque o amor à criança é real e por ela enfrentamos tudo sem medir riscos.

      A terceira característica da Devoção é que ela não tem rivalidade ou competição, pois a Causa da Devoção deve estar acima de tudo e é Incomparável.

      Embora uma forma concreta, de um Mestre ou um grande Ser ajude alguns devotos, fornecendo às suas mentes algo tangível para imaginar, ela não  é necessária a todos. É possível cultivar a Devoção em seu mais alto grau e dirigi-la para a Realidade Impessoal que está oculta no interior de nossos corações. Essa Realidade é, sem dúvida, amorfa, invisível, inaudível e, no entanto, Real e fonte de todo o Conhecimento, Poder e Bem-aventurança. A Devoção pode ser a Ele dirigida e desenvolvida ao mais alto grau e até mesmo ao êxtase de adoração. Desenvolver a Devoção não é absolutamente uma questão de criar alguma coisa, mas sim retirar o véu que a cobre, porque a Realidade que é o motivo da devoção já está presente em todos nós e em tudo que existe, em seu pleno esplendor, do mais Puro AMOR.

      Não há dúvida de que a presença de Deus está oculta, e que o homem comum dela está inconsciente, devido aos seus desejos e outras tendências humanas, que mais ou menos a obscurecem. Mas, o que está oculto pode ser revelado desde que se deseje retirar o véu que O esconde.

      O devoto deve tentar cultivar somente o amor a Deus, pois os Grandes Seres são expressões e instrumentos da Consciência Divina e suas graças descem sobre ele, juntamente com a graça Divina, evitando-se, com isso, que haja uma discriminação com outros Mestres, fora da preferência do devoto, com isso, deixando de se aproximar de outros mananciais, expressões vivas da Divindade.
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

 

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