quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Bloqueios humanos!

Idade espiritual

            O ser humano está apenas despertando para a espiritualidade. Uma prova disso é o fato de apesar da Humanidade ter muitas religiões, muitas seitas e muitas crenças, que pregam o monoteísmo, um Deus único, elas ainda não se entendem entre si.
            Fazendo uma comparação: uma grande família, com muitas crianças pequenas, onde cada criança entende que seus pais são apenas seus. Elas brigam e discutem entre si pela posse exclusiva do Pai e da Mãe. Por mais que os pais tentassem explicar aos filhos que os amam igualmente, não seriam entendidos. Nós mesmos já fizemos isso com nossos irmãos e pais. Éramos pequenos e não entendíamos o amor de nossos pais. Precisamos crescer e evoluir para entendê-los melhor. Como espíritos encarnados, temos que evoluir em espiritualidade para entender melhor o Amor Divino por todos nós.

Ensinamentos mal interpretados

            Os povos primitivos acreditavam nas forças da natureza como deuses. Era o politeísmo. Deuses humanizados, com tendências e defeitos humanos, deuses ciumentos, vingativos, vaidosos e tiranos implacáveis. Com a evolução para o monoteísmo, um Único Deus, ficaram os vestígios das nossas encarnações antigas. Trazemos marcas difíceis de apagar. O temor a Deus ainda é afirmado hoje. Onde existe medo, existe desconfiança, revolta, separação. Amor jamais. E sem sentir amor é difícil entender o Amor Divino.

Padrão humano de Amor

            “Disse eu que no seu início o homem não tem senão instintos e aquele, pois, em quem os instintos dominam está mais próximo do ponto de partida que do objetivo. Para avançar em direção ao objetivo, é preciso vencer os instintos em proveito dos sentimentos, quer dizer, aperfeiçoar estes sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; eles carregam consigo o progresso, como a bolota encerra o carvalho, e os seres menos avançados são aqueles que, não se despojando senão pouco a pouco de sua crisálida, permanecem escravizados aos instintos. O Espírito deve ser cultivado como um campo; toda a riqueza futura depende do labor presente, e mais do que bens terrestres, vos levará à gloriosa elevação; é então que, compreendendo a lei de amor que une todos os seres, nela encontrareis as suaves alegrias da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes.” (Lázaro, Paris, 1862) (Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo XI, 8)
            Amar e fazer amor está ligado fortemente ao sexo. Fraternidade, solidariedade, compaixão, amizade, complacência, perdão, doação parecem não ser expressões do amor, mas são derivações do verdadeiro sentimento de Amor. Tentar entender o Amor Divino tomando como base o amor human0 – que é egoísta, ciumento, exclusivista – é muito difícil.

Ser humano como centro do Universo (Antropocentrismo)
           
            Fomos criados à semelhança de Deus em potencial de sabedoria, criatividade e amor. Por falta de entendimento e por orgulho, rebaixamos Deus à nossa semelhança. Nos intitulamos o centro e os donos da criação, o centro de todo o Universo e os donos da verdade. Dizendo que a voz do povo é a voz de Deus, estamos sendo cruéis, injustos e preconceituosos. Crimes contra a Natureza e o meio ambiente, genocídios e outras barbáries são cometidas em nome desta ideologia.

            A vontade do homem em querer ser maior que a vontade de Deus é uma inversão de valores.
            O Amor Divino submisso aos caprichos humanos é impossível de ser compreendido, gerando interpretações particulares e conflitantes.

Texto de Iran Waldir Kirchner
 Foto Ilustrativa
  

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sócrates e Platão – precursores do Cristianismo e do Espiritismo – 500 a. C.

 
    A   preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é de tomar o maior cuidado com a alma, menos por esta vida, que não é senão um instante, do que em vista da eternidade. Se a alma é imortal, não é mais sábio viver com vistas à eternidade?
           

  O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.
            Se a alma é imaterial, depois desta vida, ela deve seguir para um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, em se decompondo, retorna à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se nutre, como Deus, de ciências e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais que a impedem de se elevar até o divino, e a retêm nos lugares de sua morada terrestre.


            Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma; eles insistem sobre a diferença de situação que resulta para ela sua pureza maior ou menor. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo o prova por numerosos exemplos que coloca sob nossos olhos. (O Céu e o Inferno, 2ª parte).”


            A Natureza, com sua aparente simplicidade, demonstra claramente o Amor Divino em ação constante. O Sol aquece sem nada pedir em troca. O Ar vivifica a vida animal e vegetal, sem cobrança. As Águas, em ciclos constantes, não param na sua doação. A Terra, esta mãe generosa, dá tudo de si mesma: alimento, abrigo, ferramentas, remédios e com um pouco da nossa ajuda, multiplica agradecida sua produção.


            Será que o gênero humano tem noção e gratidão pelas coisas naturais que o cercam? São coisas simples e comuns e de pouca importância? A falta de qualquer elemento natural põe em risco a vida humana. A Ecologia hoje nos ensina a preservar a Natureza que é de vital importância.
            Sócrates e Platão, 500 anos antes de Cristo, já afirmavam a amorosidade com que nos envolve a Natureza, que é uma expansão concreta e palpável do Amor Divino. Seremos cegos, surdos, insensíveis e ignorantes? Ou é o orgulho que nos torna indiferentes e ingratos, soberbos diante do Amor Divino?


            Que seria da nossa evolução espiritual sem a possibilidade de encarnar como seres humanos, sem poder receber um corpo físico para aprender as leis Divinas do Amor? Nossos corpos são formados de elementos naturais que nos rodeiam: do calor do sol, da fluidez das águas e dos ares, da rigidez dos minerais, da fauna e da flora para assimilar os alimentos. Como espíritos encarnados que somos, temos que ter sempre alegria e gratidão de poder estar aqui, vivos na matéria para evoluir no Espírito em sabedoria e saber amar como Deus nos ama, e como a Natureza nos ama.

Texto de Iran Waldir Kirchner

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domingo, 24 de janeiro de 2016

Características do Amor a Deus


   “  A mar Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Esse mandamento é a síntese de todos os outros do Antigo Testamento.
            Podemos representar o Amor a Deus como um triângulo, em que cada ângulo corresponde a uma característica. Não pode haver um triângulo sem três lados e também não pode haver Amor a Deus sem suas três características.


            A primeira característica do Amor a Deus é o fato de que não deve haver transações. Sempre que se procura algo em retribuição, não há amor, torna-se um comércio – compra e venda. Enquanto houver a idéia de obter tal ou qual favor em troca do nosso respeito e fidelidade, não existirá o Verdadeiro Amor. Quando não se consegue o que se pede, deixa-se de amar. A criatura ama e já encontra recompensa no próprio ato de Amor. Quando se vê uma bela paisagem, nada se pede a ela e nem a paisagem nos pede coisa alguma. Mesmo assim, a simples contemplação nos extasia.


            A segunda característica do verdadeiro Amor a Deus é que não se conhece o medo. O amor pelo medo seria como o dos seres primitivos que adoravam os fenômenos naturais como deuses, para que não os castigassem com catástrofes, fome e morte. O Amor é superior ao medo.
            Geralmente, a educação recebida cria na personalidade humana um sentimento de temor ao Criador, como se ele fosse um juiz pronto a castigar. A expressão “cuidado que Deus castiga” é ainda hoje muito usada. Foi esta a deformação do ser humano por muitos séculos e ainda continua, pela ignorância do verdadeiro Amor a Deus. O verdadeiro Amor vence o medo.
            Se alguém vai sozinho por uma rua e encontra um cão raivoso tem medo e corre. Mas, se está acompanhado de uma criança pequena e é atacado, o medo desaparece por amor à criança e enfrenta o perigo sem medo.


            A terceira característica do Amor a Deus é que não existe competição. Deus é o alvo máximo, sem rival. O mandamento ensina: “Amar a Deus sobre todas as coisas.”
            Não se pode amar a dois Senhores ao mesmo tempo. Esse é um preceito bíblico. Jesus e todos os mensageiros da cristandade são unânimes e convergentes em seus ensinamentos fundamentais. “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” não é uma imposição, mas sim uma meta, um indicativo de uma maneira de ser, um estado de espírito, uma sintonia de sentimentos. Mesmo pais humanos não exigem que seus filhos os amem. Amor a Deus é a criatura estar em sintonia com a vibração Divina. É estar em comunhão com as energias mais elevadas da criação, energias de máxima sabedoria, de bem-aventurança e da criatividade Divina. A expressão dessas forças divinas em nós elevam o padrão vibratório de nossas mentes e pensamentos, nossas emoções e sentimentos e, finalmente, a nossa capacidade criativa, concretizando em realizações a vontade do Amor de Deus. Deixaremos de agir de modo materialista e egoísta, passando a agir como Filhos do Amor Divino.
Seja feita a vossa vontade e não a minha.

Texto de Iran Waldir Kirchner
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Espiritismo e o amor divino!

   

  “ amor é de essência divina, e, desde o primeiro até o último, possuís no fundo do coração a chama desse fogo sagrado. É um fato que haveis podido constatar muitas vezes; o homem mais abjeto, o mais vil, o mais criminoso, tem por um ser, ou por um objeto qualquer, uma afeição viva e ardente, à prova de tudo que tendesse a diminuí-la, e atingindo, freqüentemente, proporções sublimes.” (Evangelho segundo o Espiritismo, A Lei de Amor, Capítulo XI, 9)

A Reencarnação


            Demonstra o Amor Divino pelas oportunidades contínuas de evolução espiritual. Deus não seria nem justo nem amoroso se nos desse uma única chance, uma vida apenas; ou ganharíamos a glória dos céus ou a condenação eterna. Nem um pai humano é tão cruel assim.


            “Há algumas pessoas a quem a prova da reencarnação repugna, no sentido de que outros participem de suas afetuosas simpatias, das quais são ciosas. Pobres irmãos! É vossa afeição que vos torna egoístas; vosso amor está restrito a um círculo íntimo de presentes ou de amigos, e todos os outros vos são indiferentes. Pois bem! Para praticar a lei do amor, tal como Deus a entende, é preciso que chegueis, progressivamente, a amar todos os vossos irmãos, indistintamente. A tarefa será longa e difícil, mas se cumprirá: Deus o quer, e a lei de amor é o primeiro e o mais importante preceito de vossa nova doutrina, porque é a que deverá, um dia, matar o egoísmo, sob qualquer forma que ele se apresente; porque, além do egoísmo pessoal, há ainda o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Jesus disse: ‘Amai vosso próximo como a vós mesmos’; ora, qual é o limite do próximo? A família, a seita, a nação? Não, é a Humanidade toda. Nos mundos superiores, é o amor recíproco que harmoniza e dirige os Espíritos avançados que os habitam, e vosso planeta, destinado a um progresso próximo por sua transformação social, verá praticar, por seus habitantes, esta lei sublime, reflexo da Divindade.


            Os efeitos da lei de amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos deverão se reformar quando virem os benefícios produzidos por esta prática: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fosse feito, mas fazei-lhes, ao contrário, todo o bem que está em vosso poder fazer-lhes.” (Evangelho segundo o Espiritismo, A Lei de Amor, Capítulo XI, 9) 

Lei do Carma 

            É o entendimento das Leis Divinas, não como castigos, mas como orientações para evolução e libertação da ignorância. Até o mundo material transitório é regido por leis precisas da física, química, mecânica – astronômica ou microscópica – tudo para manter o equilíbrio harmônico do Universo: o mundo Espiritual, que é Eterno e, por isso mesmo mais perfeito em leis e normas. Tudo isso, são provas do Amor Divino, que é ordem, e não caos. 

Mediunidade 

            A assistência direta de bons Espíritos sem discriminação de raça e estado social é uma prova incontestável do Amor Divino, atuante em toda a humanidade para libertar-se do materialismo opressor e cego. 

Integração e comunhão 

            O Espiritismo resgata o espírito humano para a sua Pátria Espiritual. Antes isolado e perdido na criação, descobre a sua família espiritual, infinitamente maior que a família material. A Fraternidade é entendida e vivenciada, transpondo fronteiras e vencendo discriminação e preconceitos. Somos filhos de um mesmo Ser que é Bondade e Sabedoria.
 Autoconhecimento: sua identidade espiritual

            Nossa verdadeira identidade nos é confirmada pelo Espiritismo. Somos espíritos encarnados, algo bem maior do que seres humanos, filhos da matéria humana.
            É também o descobrimento de nossa origem espiritual pelas orientações dos guias espirituais de como evoluir em pensamentos, sentimentos e atos. Deixar a nossa pequena vontade humana – que é limitada – para assumir a vontade do nosso Pai – que é infinita. Como diz o texto da oração que Jesus nos ensinou: Seja feita a vossa Vontade e não a minha.

Texto de Iran Waldir Kirchner
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Meditação (Final)

MEDITAÇÃO*
*Com intervalos para reflexão

1. Não sou o que o mundo chama “eu”, apenas um nome, uma forma, pensamentos dispersivos, sentimentos conflitantes e ações inconsequentes.

2. Tudo isso são apenas reflexos, efeitos exteriores variáveis, relativos e ilusórios. QUEM SOU EU?

3. O EU SOU é aquele que cria, sustenta e renova a mente, a emoção e o físico. Mas QUEM SOU EU?

4. Assim como os ares sem nuvens deixam passar os raios do Sol, a consciência sem pensamentos recebe os raios luminosos da SABEDORIA do EU SOU.

5. LUZ DOURADA DA SABEDORIA, limpa os ares de minha mente, retira as fixações, as aderências, os enganos e os bloqueios.

6. PAI SABEDORIA, estimula em minha mente os arquivos de minha identidade divina.

7. Agentes dos ares da LUZ DOURADA DA SABEDORIA, orientem minha inspiração consciente do ALENTO DIVINO. (Inspirar pelas narinas sentindo o ar em todo o corpo).

8. ENERGIA PRÂNICA DOURADA, energiza todo o cérebro, coluna e nervos. (Autopasse da cabeça até os pés)

9. ALENTO DIVINO, flua livremente em todo o meu corpo e vibre em minha voz a nota de sintonia do VERBO CRIADOR. (Entoar E, A e I com ressonância no cérebro, tapar os ouvidos com os dedos para achar a nota própria).

10. Saúdo a ONISCIÊNCIA DIVINA que tudo sabe, idealiza e orienta, que eu possa senti-La em minha inspiração.

11. Que todos os seres sejam conscientes, que haja claridade nos pensamentos, decisões e ideais em todos os níveis de consciência. (Mentalizar e irradiar).

12. Como os raios do Sol dourado atravessam os ares límpidos e chegam até as águas, aquietando e purificando, a Divina Presença AMOR – SABEDORIA, atravessando a mente purificada, chega até os sentimentos, limpando e iluminando.

13. Saúdo o Cristo Cósmico, o Senhor do Raio Rosa do Amor, a Bem-aventurança Suprema.

14. Divina Graça, limpe meu coração de toda a impureza, de todo o preconceito, rancor, revolta e angústia. (Autopasse no tórax, descarregando no solo).

15. LUZ ROSA DO AMOR DIVINO, ative os princípios de fraternidade, compaixão, solidariedade e perdão nos meus sentimentos e emoções.

16. Agradeço a dedicação dos elementos do meu corpo, em cada célula, nos ossos, no sangue e nos órgãos.

17. Saúdo os Seres de todas as águas, mensageiros do Amor Divino.Ensinem a nota mais alta para fluir em meus sentimentos. (Mantras que ecoem no tórax – O – OM – AMO e outros)

18. Que todos os seres sintam a Divina Graça, que todos os seres sejam felizes e amem a paz. (Mentalizar e irradiar os mais elevados sentimentos).

19. Saúdo a Mãe Universal, pelo seu poder gerador de todas as emanações da criação.Agradeço por ter este veículo físico e por tudo que o sustenta.

20. Que a Luz Dourada do Pai nos ares que inspiro, com a Luz Rosa do Amor Crístico em meus sentimentos, se irradie em todo o meu corpo pelo poder da Luz Azul do Santo Espírito da Mãe Divina.

21. Anjos, Protetores e Guardiães de todos os reinos da Mãe Natureza, guiem-me e inspirem-me em atos de sabedoria e amor aqui onde estou.

22. Que eu tenha a humildade para o aprendizado e vigilância no uso dos talentos a mim confiados para poder servir na Grande Obra da Evolução.

23. Que minha consciência jamais se oponha à Vontade – Sabedoria do Pai, nem meus sentimentos ao Amor Crístico, só assim meus atos estarão em harmonia com o Poder da Divina Mãe.

24. Que todos os meus corpos vibrem com a entonação do Verbo do Poder, irradiando para todos os seres. (Entonação dos mantras AUM – OM MANI PADME OM iniciais, deixando a intuição conduzir a voz em outras notas de sintonia de cada praticante – Mentalizar a Luz Azul brilhante com raios dourados e rosa, envolvendo todo o ambiente. Pode-se também visualizar, ou mesmo olhar, uma imagem, gravura ou panorama que auxiliem a intuição e a devoção).

25. Daqui para diante nada mais pode ser informado, o vivenciar é que mostrará o caminho. As palavras perdem o sentido e confundem o aprendiz. Só a prática fortalece os passos daquele que quer realmente caminhar. Só jamais esqueça: Você é filho(a) legítimo(a) da Sabedoria, do Amor e do Poder. Não é e jamais será órfão.


Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Meditação (Parte VII)

Esclarecimentos sobre a 3ª fase – 19 em diante


            A terceira fase da meditação focaliza o Poder da Mãe Divina – o Santo Espírito, seja de que forma cada um o entenda: a Mãe Universal, a Mãe Natureza, a Mãe Terra, Nossa Senhora, mesmo uma Santa, uma Deusa da preferência e afinidade do praticante.

            A cor usada e visualizada é o azul luminoso, em todas as tonalidades, com raios dourados e rosa, representando o Poder com Sabedoria e Amor. Única liga estável, equilibrada e permanente no Universo que rege todos os princípios e leis da química, da física da matéria, palpável, visível e concreta.

            A entonação mântrica é o AUM, com ressonância nos órgãos digestivos, assimiladores e reprodutores. Agradecer e se harmonizar com os elementos físicos do próprio corpo que trabalham unidos, mantendo a coesão e equilíbrio nas células, formando ossos, músculos, órgãos.

            Irradiar agradecimentos e louvores para todos os elementos exteriores minerais, vegetais e animais e para as energias invisíveis correspondentes de cada reino. Somos apenas aparentemente separados destes elementos, surgimos fisicamente com eles, nos mantemos com eles. É prova inegável da Unidade da Vida em todos os sentidos, surgimos nesta Unidade, vivemos Nela e evoluímos com Ela.
            Esta fase de meditação é de integração total do mental com o emocional e com o físico concreto em sintonia com os três atributos Sabedoria – Amor e Poder, formando uma só unidade coesa, equilibrada e perfeita.

            A terceira fase de meditação é a soma das anteriores em uma só. É o resultado de um processo gradativo que depende do praticante e do seu aperfeiçoamento. Aqui já não existem placas com sinais de direção.

            Cada um vai vivenciar experiências muito particulares, segundo o nível atingido e permitido pela sua sensibilidade e habilidade. Tremores e arrepios com lágrimas de contentamento e gratidão são naturais em determinadas ocasiões e, ao retornar à “normalidade” algo mais veio em acréscimo, para a mente processar e assimilar, para o emocional vibrar um pouco mais alto e o físico ficar mais maleável e menos rebelde.

continua...

Texto de Iran Waldir Kirchner
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sábado, 7 de novembro de 2015

Meditação (Parte VI)

Esclarecimentos sobre a 2ª fase – 12 a 18: 


            As leis da Física: atração, repulsão, gravidade, afinidade química, a coesão do elétron, das células e dos órgãos, a proliferação da flora e da fauna são manifestações do segundo atributo Divino – o Amor – com suas derivações: graça, bem-aventurança, felicidade, Ananda.

            O Cristo Cósmico, filho do Pai Sabedoria, é o agente deste segundo atributo, o Raio Rosa do Amor. Na criatura humana se reflete no corpo das emoções (e+moção = o que induz à ação) com todas as gradações: devoção, sentimentos maternais, paternais, filiais, fraternais, conjugais, solidariedade, compaixão e afinidades, e também em emanações mais inferiores pela resistência do corpo emocional ainda primitivo: aversões, rancores, ódio, instintos de defesa, de preservação e procriação.

            Com livre arbítrio carente da Sabedoria do Pai e com emoções resistentes ao Amor do Cristo, a indução a ações inconseqüentes é inevitável. Por melhores leis humanas que existam, por mais recursos técnicos ao seu dispor, as leis serão burladas e os recursos mal aplicados pela falta dos princípios básicos que regem toda a Criação, inclusive a espécie “homo sapiens”.

            Os ensinamentos do Cristo Cósmico do Amor são bem claros: “Amais ao próximo como a ti mesmo e a Deus (Sabedoria – Amor – Poder) sobre todas as coisas”. O humano age contra si mesmo, no pensar, no sentir e em atos, evidências de que não aprendeu a Amar, no Real sentido da palavra. Este código secreto chamado Amor do Cristo é a chave da porta interna para a Real Identificação e a posse do Reino Perdido. O retorno do filho pródigo, da parábola, exemplifica com clareza: malbaratou os Talentos Divinos em ações de desamor e sem Sabedoria no mau uso da Liberdade sem responsabilidade; criou conseqüências para si mesmo e, tomando consciência da sua falta de amar-se, começou a retornar ao seu estado de direito sempre à sua disposição.

            Como se poderá amar ao próximo se não se amar a si mesmo? Se quisermos conhecer alto, temos que ter um mínimo de simpatia para com ele. Esta é a chave para o autoconhecimento interior e o caminho para entender e amar ao semelhante. Pode-se amar ao Criador, ignorando e desprezando sua criação?

            Existiram muitos luminares devotos a Deus que deixaram ensinamentos confirmando as máximas do Cristo Cósmico, em épocas diferentes, em vários povos e lugares. Portanto, a humanidade sempre foi bem informada, mas exige provas e fecha os olhos às evidências.
            Meditar é deixar fluir o Amor Divino livremente, sem resistência, sem condições, sem tentar negociar ou barganhar com o Divino. O fluir já é a Graça;
            Meditar ou orar por medo de castigo não é amar, é servilismo bajulador a um déspota maldoso e ignorante; neste bicho-papão nem as crianças acreditam. O filho não mendiga ao Pai migalhas se tem todo o reino para si.

            O Amor Divino é como o Sol, envolve a todos, a tudo; nada existe intocado por Ele. Tudo vive e se move graças a Ele. Por mais impermeáveis e resistentes que sejamos no pensar, no sentir e no agir, estamos dentro deste Oceano de Graças e Bem-aventuranças. Meditar é mergulhar conscientemente neste Oceano de Amor como uma gotinha de água que sonha com seu mais alto Ideal – o Mar Infinito.

continua...

Texto de Iran Waldir Kirchner
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Meditação (Parte V)

Esclarecimentos sobre a 1ª fase:

             A primeira fase da meditação começa com a negação da falsa identidade do ego externo e a busca da real; os pensamentos como nuvens escuras vão se distanciando, abrindo espaço para que a luz do Sol Dourado – a Sabedoria Divina – ilumine a atmosfera dos ares mentais
.
            O primeiro atributo da Unidade Divina é a Sabedoria do PAI, que corresponde em nós, como criaturas semelhantes ao Criador, ao talento da Mente. A mente com o cérebro consomem 25% da energia dos ares inspirados, com apenas 2% da massa física, e perecem em poucos minutos na falta deste precioso alimento. A inspiração consciente deste Alento Divino é fundamental em toda a meditação.

            Invoque e reverencie as consciências que regem os ares, sejam santos, anjos, guias; aqueles com que tem mais afinidade.

            Mentalize a cor Dourada brilhante no ar inspirado, envolvendo todo o cérebro, coluna e sistema nervoso. Use as mãos para distribuir esta luz em todo o corpo, de cima para baixo, tocando o chão para drenar impurezas. Cada célula receberá novo estímulo pela sua participação consciente, refletindo em todo o corpo. Agradeça a essas microscópicas vidas e se desculpe por não lhes dar a atenção e o devido valor, pelo trabalho que fazem.

            A Sabedoria do Pai é a idealizadora de toda a Criação, cada partícula traz em si a projeção da mente Universal. Como somos semelhança, filhos desta Sabedoria, herdamos uma mente individual, um talento que devemos multiplicar pelo uso correto; e isto só é possível pela ajuda Daquele que tudo sabe, mas que não impõe côo um tirano, apenas dispõe.

            A liberdade é outro atributo que herdamos. Temos o livre-arbítrio. Quando sofremos as conseqüências pelo mau uso destes atributos, precisamos pedir a orientação, a inspiração para nossa mente, a iluminação de nossas energias pensantes. É o que significa o ensinamento de Cristo: “Faça-se a Vossa Vontade e não a minha”. A vontade individual isolada de sua Fonte é fraca, não tem diretriz; dispersa-se em projetos e obras desastrosos, imprevisíveis.

            A parábola do filho pródigo ensina: o herdeiro legítimo saiu do Reino do Pai com sua herança, não soube aplicá-la com a Sabedoria do Pai e dispersou seus talentos, ficando em condições deploráveis. Só então se conscientizou de que, isolado, era igual aos animais que cuidava e com os quais comia, e que o mais humilde servo de seu Pai vivia melhor que ele – ou seja: aquele que serve a Deus-Pai reconhece sua Sabedoria, sua Onisciência; por mais humilde e pequenino que seja, está sempre amparado. E mesmo sabendo da situação do filho afastado, o Pai respeitou seu livre-arbítrio e aguardou seu retorno de fato; só então mandou emissários ao seu encontro. Ou seja: por mais afastados que estejamos da Vontade do Pai, vivenciando a ignorância, o desamor e atos personais egoístas, por piores condições que sejam, temos a liberdade de escolha. As Energias Divinas, sempre ao dispor, só canalizarão pelos emissários, quando houver abertura, a conscientização para fluírem para a criatura.

            O Sol Dourado da Sabedoria está sempre radiante e presente, mesmo sem nosso conhecimento. Nossa ação consciente nos alinha em sintonia com esta Luz e as resistências conflitantes desaparecem.

continua...

Texto de Iran Waldir Kirchner
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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Meditação (Parte IV)

Comentários:

        
    A meditação, no sentido filosófico, é uma prece ou oração melhor elaborada com recursos apropriados. Assim como ORAR, do ORO = abrir; meditar é achar um meio, uma ligação.

            Os recursos apropriados são para preparar os instrumentos da meditação: os sentidos exteriores físicos e os interiores, pensamentos, sentimentos e relaxamento. Pensar, sentir, agir, ver, ouvir, inspirar e expirar deverão seguir um alinhamento cada vez melhor para somar em resultados concentrados e não diluir.

           


  Um lugar habitual, recinto reservado e seguro, predispõe à descontração e bem-estar, criando uma energia ambiente realimentada pelas práticas diárias.

            A música suave induz à concentração e aquieta as emoções. Incensos e perfumes atuam nos elementos dos ares e harmonizam o ambiente.

            Uma leitura inicial eleva a consciência acima dos assuntos corriqueiros do dia-a-dia, das fixações e condicionamentos.

            Não é recomendável alimentação antes da meditação e nem vestuário desconfortável. A posição corporal deve ser descontraída e sem tensões, em cadeiras, poltronas, almofadas ou tapetes.

            A iluminação deve ser suave, lâmpada, vela ou lamparina, em cores, de preferência amarelas, rosas ou azuis.

            A prática da meditação individual diária e ocasionalmente em grupos, para compartilhar experiências, irradia em todos os sentidos, no tempo e nos espaço, um novo estado de ser, de agir e sentir a vida, sem prejudicar as atividades materiais. O equilíbrio, a sintonia e o alinhamento entre o mental, o emocional e o físico avançam como um estado natural, ajudando no conhecimento de si mesmo, dos semelhantes e do meio.

            O círculo vicioso de conflitos, gerando mais conflitos, é rompido pela meditação, revertendo o processo com o fluir de energias equilibrantes que abrem mais espaços para outros valores e talentos, realimentando então um Círculo Virtuoso.

            Outro benefício da meditação é o da centralização de identidade, que antes era muito exterior e frágil, com base em reflexos e efeitos secundários, ficava a mercê das circunstâncias. A identidade mais real e com profundidade fica mais ligada a níveis de consciência mais elevados. Continua convivendo com as circunstâncias, mas já percebe as causas, as origens delas e tem mais poder e liberdade de ação. Cria-se assim uma imunidade natural contra as trivialidades externas que antes invadiam e comandavam a frágil identidade periférica.

continua...

Texto de Iran Waldir Kirchner
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Meditação (Parte III)

Interpretações teológicas


Atributos Divinos

Sabedoria – Amor – Poder

Atributos Humanos

Pensar – Sentir – Agir







Politeísta – multiplicidade de deuses, com características humanas, com disputas e antagonismos entre eles; poucos princípios e unidade. Dualista.

Monoteísta – um só Deus, ainda com tendências humanas, ira, vingança, despotismo, orgulho. Separado e muito distante de sua criação. Patrimônio exclusivo de povos que se julgam escolhidos e que tentam impor-se uns aos outros por todos os meios, gerando conflitos e separações. Ainda dualista.

Monista – sistema não dualista, do grego monos = ÚNICO, integrado Criador-criação. Inerente, essencial a toda criação, mas transcendente a tudo. Creador, Mantenedor e Renovador de todo o Universo, mas não condicionado. Uno em essência, em espírito, mas infinito em obras, onisciente, onipotente e onipresente; expressão máxima de Sabedoria, Amor e Poder. Incriado; princípio, meio e fim. Alfa e ômega. Percebido e sentido, mas indefinido por palavras, figuras ou imaginação. A tudo envolve, do micro ao macro, da ameba ao homo sapiens, dos planetas às galáxias, do conhecido ao não imaginável. Os efeitos relativos e secundários são apenas reflexos da Causa, Absoluta e Primeira.

            Pelo conceito monista, a dualidade Criador e Criação é apenas aparente, pois os sentidos físicos só percebem os efeitos físicos exteriores, não a Causa Essencial. O mental, ainda infantil e primário, fica deslumbrado com reflexos multicores e aliado ao emocional muito forte, grava na memória quadros e situações muito individuais e personalizadas, porém relativas e incompletas. Sem o discernimento da consciência – veículo da Sabedoria Divina – aparecem conflitos e provocam reações múltiplas que encontram resistências tanto internas como externas na tentativa de impor uma relativa realidade pessoal dentro de uma Realidade Absoluta.

            A meditação correta não alimenta ilusões particulares, contrárias a uma Macro-Realidade. Ela procura calibrar os sentidos, filtrar condicionamentos de conflito e elevar a consciência a níveis de sintonia os mais altos possíveis em direção à Macro-Consciência. Assim, poderá dizer, aceitar e se autodeterminar pelo ensinamento que diz: “PAI, FAÇA-SE A VOSSA VONTADE E NÃO A MINHA”. Vontade significa Sabedoria, Onisciência, Idealização, Conscientização, qualidades orientadoras indispensáveis ao discernimento mental, que vai direcionar o emocional (e+moção = movimento, ação) a produzir efeitos físicos internos e externos conscientes e positivos.

            A meditação não é um fim em si mesma, mas um caminho, um meio de evolução. Não se perde a individualidade, mas ganha-se a real identidade de herdeiros legítimos de Valores que sempre estão ao dispor dos que aceitam e procuram. Como disse o mestre: “Pedi e será dado. Batei e a porta se abrirá”. O tesouro sempre está disponível, mas oculto no campo (em nosso ser interior). É preciso voltar-se nesta direção para que os falsos valores sejam percebidos, entendidos e dominados.

continua...

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa 




terça-feira, 29 de setembro de 2015

Meditação (Parte II)



Graças a esse talento recebido, somando-se com os primeiros, o veículo físico e o veículo emocional, todo os conjunto ficou mais forte, mais inventivo, com maior poder de atuação no meio natural. Ganhou-se mais liberdade, e também a responsabilidade decorrente, o que não temos ainda na mesma proporção que a liberdade. Uma criança tem a liberdade limitada e vigiada; crescendo, tem mais liberdade e mais responsabilidade. 


O adulto que faz mau uso de sua liberdade, sem responsabilidade consigo mesmo ou com a sociedade, perde a liberdade, nós o colocamos em clínicas, instituições para tratamento ou até em presídios, para voltarem à liberdade, mas com responsabilidade. A humanidade, como um elemento da vida no planeta Terra, e também do Universo, está teimando para inverter essa LEI básica e fundamental de equilíbrio; a história é rica em lições e conseqüências. No dia-a-dia passamos por comprovações contundentes, em nosso pensar, sentir ou agir dentro da nossa individualidade, ou na família, em grupos, em comunidade, em nações, povos e raças.


            Nosso talento mental está crescendo com os modernos recursos de informações e atuação. Saber administra-los para compartilhar, somar, equilibrar com os outros, o emocional e o físico, prevenindo os conflitos, angústias, neuroses que geram doenças e sofrimentos, depende de nós mesmos, como consciência que somos.


            Nós, como consciências, mesmo envolvidos pelos pensamentos, pelos sentimentos e limitados pelo físico, somos mais sensíveis ao que vamos chamar de Sabedoria da Vida; vida que envolve tudo, que coordena tudo, na Natureza, no Planeta e no Universo. Sabedoria que estabelece leis precisas, na física, química, mecânica, em todos os tipos de energias do Universo. Sabedoria que tem um propósito, uma meta, um ideal para tudo o que existe, inclusive nós mesmos.

            Não se deve confundir conhecimento com Sabedoria, conhecimentos são informações, Sabedoria é aplicação dos conhecimentos e recursos para fins coerentes e precisos, sempre em equilíbrio, harmonia e ética.

            Conhecimentos carentes de Sabedoria estimulam uma falsa liberdade de agir e pensar e ter sensações sem prever as conseqüências, ou seja, sem Responsabilidade. Mas como apreender esta Sabedoria? Como dominá-la para poder usá-la com eficiência? É necessário um mínimo de coerência e talvez um pouco de humildade. Mesmo sendo o gênero humano, a criatura física melhor dotada do planeta, autonominada de “homo sapiens”, autotitulada rei da criação, deixa a desejar muito pela sua atuação no Planeta. E ainda, sua “sapiência e reinado” não percebem que a espécie humana surgiu na criação graças à presença atuante de uma Real Sabedoria, tanto no micro-cósmico atômico do mineral, do vegetal e do animal; quanto no macro-cósmico planetário, solar, galáctico e universal? Percebe o reinado das “ciências exatas” a real proporção e distância entre o “conhecido” e o Incognoscível? Orgulho e irreverência são péssimos conselheiros.

            Somos pequeninos aprendizes diante desta Macro Sabedoria. Todos os conhecimentos humanos juntos, com todos os recursos tecnológicos interligados, se confundem diante de descobertas microscópicas e macroscópicas, efeitos, reflexos multicores, mas que ocultam uma Real presença de Sabedoria que ofusca a mente humana.

            Se o orgulho ceder lugar para a reverência e aceitação, seremos tocados e intuídos no correto uso dos talentos e recursos de evolução e libertados dos conflitos e conseqüências acumulados.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

Meditação (Parte I)

Os recursos para a evolução:

            Nós, como consciências em evolução, dispomos de meios, condições, ferramentas sempre ao nosso dispor. Este conhecimento é vital para não confundirmos os meios com os fins, a ferramenta com o trabalho. Temos que saber usar estes meios, estes veículos de evolução, não há como deixá-los de lado, por conta própria. São ferramentas muito poderosas e complexas, não são inertes e nem desligadas e deixadas ao lado. Estão tão próximas de nós como consciências, que nos confundimos com elas. Esta confusão e falta de direção deixam-nas agir à vontade e entram em conflito, danificam-se e nos afetam.

            Os instrumentos que temos à nossa disposição, como consciências encarnadas, para evoluirmos aqui e agora, são um corpo físico, concreto, veículo de ação no meio também físico que nos rodeia; um corpo mais sutil que interpenetra o físico, semelhante à água que penetra a terra, composto dos instintos, desejos, emoções, sentimentos múltiplos, que estimula e movimenta o físico, semelhante à força da água que arrasta a terra; a terceira ferramenta ou veículo, ainda mais sutil que os primeiros, semelhante ao ar que flui tanto pelos líquidos como pelo sólido, é o que chamamos corpo mental, com pensamentos, imaginação, raciocínio, inteligência, análise e cálculos. Notamos que, quanto mais sutil e fino, mais força tem.

Pela nossa analogia comparativa da terra, da água e do ar, eles interagem entre si, com graus relativos de poder segundo seus movimentos e fluidez. O ar em movimento e penetração atua e ativa a terra e a água; da mesma forma, nosso mental ativado envolve e movimento tanto o emocional como o físico. Todos nós já sentimos de fato as conseqüências desastrosas da interferência caótica destes corpos entre si, o desastre é inevitável, são danos físicos, emocionais e mentais.

O caos no sistema de saúde é prova contundente disso: por mais remédios que se fabriquem, por mais hospitais, hospícios e prisões que se construam, enquanto não for investido em mais escolas, clínicas e formação de autoconhecimento ao público, desde a criança até o idoso, apenas se trata dos efeitos de um problema, e não da causa principal – o Ser Humano se conhece apenas da pele para fora, e é inevitável que só faça

            O que nos diferencia dos animais? Eles têm corpos até maiores e mais fortes que os nossos. Seus sentidos externos são mais apurados. Seus instintos naturais de preservação e procriação nos dão lições de vida. O que eles têm, mas como limitação segundo a espécie, é o talento que ganhamos, nosso veículo mental, nossa ferramenta de expressão, de raciocínio, de comparação, de análise, inteligência. 

continua...
Texto de Iran Waldir Kirchner
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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Consciência - Parte III (continuação)



continuação...










Portanto, a continuidade da consciência não é um sonho mas um fato concreto em qualquer nível de percepção, ficando apenas condicionada aos véus que existem ao redor.
      O temor de mergulhar em si mesmo em busca de realidades maiores é  influenciado pois jamais haverá alienação da vida, mas, ao contrário, aspectos antes desconhecidos serão percebidos e, com isso, ganha-se amplitude.

      Se fizermos uma auto-análise notaremos que a criatura é um grande desconhecido para si mesma. Apesar das grandes conquistas no terreno científico que nos permite ver o universo ao redor em distâncias enormes, temos dificuldades em penetrar nosso próprio interior, que está tão próximo.

      Pagamos hoje um preço muito alto pela desorientada educação religiosa ocidental que recebemos e pelo descaso que nossos antepassados tiveram pelas religiões consideradas pagãs no seu tempo. Ainda hoje sentimos o impacto que a palavra Morte nos causa e até nem gostamos de falar sobre o assunto, pois é considerado de mau gosto nos meios sociais. Entretanto, é um fato comum no dia-a-dia, como outro qualquer, e assim é considerado por filosofias que nossos antepassados chamavam de pagãs. 

A diferença entre eles e nós está principalmente na educação religiosa que já ensinava, há milhares de anos, as verdades sobre a reencarnação, enquanto nossos antepassados aprenderam que o que os esperava ou eram as penas do inferno eterno, ou a ociosidade de um paraíso enfadonho. Isso foi uma das causas de ter o Ocidente mergulhado no materialismo, já que tudo o mais era incerto e o melhor seria aproveitar ao máximo, enquanto se podia, pelo fato de que estas realidades eram desconhecidas.

      Foi o espiritismo, no século 19, que começou publicamente a abrir caminho para os ensinamentos orientais no Ocidente, pregando a reencarnação e derrubando os falsos conceitos sobre a morte. Teve também um aspecto universal, procurando divulgar ensinamentos de mentores também de outras religiões. O espiritismo científico pregou a existência de outros planos na criação acima do físico, como o plano astral com seus departamentos organizados e dirigidos por entidades competentes, visando jamais o castigo, mas sim a recuperação e a evolução espiritual da criatura após a morte.

Texto de Iran Waldir Kirchner

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Consciência - Parte III

A consciência de si mesmo e natural












      A Consciência é uma realidade em nós, mesmo nos seus aspectos mais exteriores, quando se usam apenas os sentidos físicos. Apesar dos véus enganadores do plano material ela está sempre presente.

      Agora, não é verdadeira a idéia de que quando não estamos usando estes meios não estejamos conscientes, apenas estaremos em um estado de consciência diferente. Por exemplo: se estou concentrado profundamente em determinado assunto, em atividade mental intensa, imaginando e fazendo deduções, com os sentidos externos praticamente apagados, estarei em outro nível de consciência, mas não inconsciente. Isso acontece com qualquer pessoa. 

Quando se pensa profundamente em um assunto importante, os movimentos ficam automáticos, os olhos ficam parados no vazio e, se alguém nos chama pelo nome, mesmo assim não atendemos. Somos inclusive chamados à atenção por estarmos alheios ao que se passa ao redor como se isso fosse um estado negativo. Nós mesmos temos provas de que isso não é algo negativo ou inferior pelo fato de que muitas vezes voltamos desses estados com soluções a questões difíceis do nosso dia-a-dia. Se podemos tentar resolver problemas complexos e ao mesmo tempo estarmos atentos a tudo o que se passa ao redor, os resultados serão mínimos. Portanto, sempre nossa consciência será melhor quando nos interiorizamos mais, ou melhor dizendo, quando afastamos um pouco o véu que esconde a consciência. 

      Sendo a mente concreta ainda do plano físico, mesmo assim está mais próxima da mente superior que não pertence ao físico, mas tem grande influência sobre a mente concreta, a mente comum. Outra prova do valor da Consciência no ser humano pode ser entendido se analisarmos os animais que, mesmo com sentidos muito mais evoluídos que os nossos, são ainda inferior, não existe consciência mental igual à nossa, a física prevalece.

      A falsa concepção de Consciência leva a criatura a ignorar e até  a repelir conceitos verdadeiros. Isso bloqueia a possibilidade de atingir-se níveis mais elevados de consciência e, com isso, fica o ser humano sem poder usar preciosos recursos que podem libertá-lo das limitações dos sentidos e lhe dar maior plenitude de ser. 

Texto de Iran Waldir Kirchner
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 continua...
      


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Consciência - Parte II












A Unidade na Multiplicidade 

Apesar da multiplicidade de planos na manifestação e das variedades mesmo dentro de cada plano, tudo é expressão da Única Consciência Divina.

     O que chamamos véus são aspectos diferentes de manifestação de cada plano. A grande dificuldade no estudo do ocultismo é justamente a tendência da mente em separar os planos e desassociá-los da Consciência Única que atua através deles. Isso é impossível de ser tanto como é impossível dissociarmos as cores da luz branca que produz essas cores e a sustenta. É como tentar separar o arco-íris do sol, que é a sua fonte.

     É de fato um conceito muito difícil para a mente humana, devido justamente aos véus encontrados em cada plano, mas mesmo não entendendo, deve-se considerá-lo como uma preciosa CHAVE para poder-se desvendar plano por plano a mesma Consciência que se manifesta.

     O conceito da Unidade Plena e Absoluta não pode ser abandonado jamais se a criatura quer realmente se situar dentro da manifestação e encontrar a sua natureza Divina. O conceito dualista serviu muito bem quando a humanidade estava ainda na sua adolescência. Hoje nem as crianças aceitam a idéia de um criador distante e indiferente para com suas criaturas. Os ensinamentos sempre existiram através dos grandes mensageiros, mas por motivos os mais variados e, inclusive por interesses pessoais, foram omitidos.

 

A criatura e sua consciência – obstáculos


      Mas, qual seria a posição do ser humano diante desse emaranhado de véus e planos que confundem a mente devido às múltiplas variantes que apresentam? Com um pouco de lógica chega-se a uma dedução: a própria criatura entre todos os seres existentes é o melhor dotado neste planeta, é a melhor obra que podemos perceber, com nossos limitados sentidos. E, se queremos aprender para evoluir, o melhor livro que existe somos nós mesmos. É evidente que todos os recursos, pesquisas e ensinamentos são preciosos, mas só se forem usados como meios para nos aprofundarmos melhor em nós próprios. O corpo de cada um de nós é o melhor laboratório para nosso aprendizado, caso contrário, não estaríamos nele.

     Se um aluno está em determinada classe da escola, é lá que deverá estudar e aprender. Os recursos vêm de fora da sala de aula, livros, quadros, mestres, etc., mas são apenas meios. A finalidade á a aplicação dos conhecimentos nas tarefas da classe.

     Desse modo, cada um de nós está dentro de seu próprio e individual laboratório de trabalho. Nessa oficina estão os recursos para nossa evolução. Precisamos conhecer esses recursos para usá-los adequadamente. Se nada fizermos em nós mesmos e ficarmos apenas preocupados com o lado de fora da sala de aula, com a paisagem, as brincadeiras do recreio, com toda a certeza repetiremos o ano, seremos reprovados e voltaremos como repetentes a ocupara a mesma sala ou o mesmo corpo físico até que mereçamos uma sala mais evoluída com maiores recursos, ou seja, um corpo melhor dotado. Portanto, de pouco valem todos os recursos ou meios que possamos acumular em nossa volta se isso não for usado em nossa oficina interior para um trabalho de transformação evolutiva. 

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Consciência - (Parte I)


O que se entende vulgarmente por consciência


      Existem duas linhas de interpretação do que se chama Consciência. Uma é  a científica, que diz que é consciente aquele que está  de posse de suas faculdades mentais e consegue se relacionar com o meio ambiente, e qualquer outro estado fora deste seria o de inconsciência, como o sono, o desmaio, o transe e outros que impeçam qualquer relacionamento com o mundo exterior. Vemos que este é um modo muito limitado para definir consciência sob o ponto de vista filosófico.
      O outro modo é o mais popular e tem um sentido mais espiritual, como por exemplo, quando alguém diz que lhe dói a consciência, ou que deve ouvir a voz da consciência, ser consciencioso, ou que fulano não tem consciência. Esta maneira de ver a Consciência, apesar de ser bem simples, é a que está mais de acordo com a realidade. O outro conceito é puramente material e limitado aos conceitos materiais.

 

O que se deve entender por Consciência


      No ocultismo, não existe uma definição para Consciência. Isso se deve ao fato de que Consciência é uma das três características do Ser Único e Absoluto – SAR – CHIT – ANANDA: Ser – Consciência – Bem-aventurança, ou Felicidade. Portanto, ao se referir à Consciência da criatura humana, está se referindo à própria Divindade existente no ser humano. Mas esta Pura consciência, apesar de ser Real, está como que encoberta, ou melhor, está velada. Isso não quer dizer que esteja completamente anulada pelos véus que a escondem, pois está atuante na criatura apesar dos obstáculos. E a prova disso é que as pessoas comuns, sem qualquer conhecimento oculto, sentem e demonstram essa realidade quando se referem à sua própria consciência. 

Os véus da Consciência 

      (Adi, Anupadaka, Nirvânico, Búdico, Mental, Sub-astral, Físico) 

      Todos os estudantes de ocultismo por certo já ouviram referência sobre os Sete Planos onde se manifesta a Pura Consciência do SER. Cada plano tem o mesmo efeito de um véu ou de um filtro. O sétimo e último véu é o plano Físico, sendo o mais denso de todos e o que mais a encobre. É um estado vibratório da Consciência, dos mais baixos. A ciência prova hoje que matéria é energia concentrada, qualquer material, seja qual for, é energia diferente em diferentes graus de concentração. A bomba atômica é um exemplo disso: é a liberação total da energia contida em certo tipo de matéria física, as usinas nucleares já liberam energia de um modo controlado. E não precisamos ir muito longe para compreender isso. Temos exemplos mais simples no dia-a-dia. Isso é apenas para ilustrar e exemplificar o efeito do plano como um Véu sobre a Consciência. A condição material encobre por sete vezes a Consciência do mesmo modo como o espaço ocupado por uma mesa, sua forma, cor, tamanho, peso, valor, etc., é um véu que encobre a percepção da energia que ela é realmente. Do mesmo modo que a energia é um outro véu sobre outra realidade. 

Texto de Iran Waldir Kirchner
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quarta-feira, 22 de julho de 2015

A grande ilusão (Parte II)


A história da cobra da ilusão demonstra como a verdade pode ser coberta pelo poder da ilusão. Podemos aplicá-la para entender como nosso ego humano age para encobrir a realidade essencial e central que somos (/) No desenho da Ilusão do Ego vemos como nossa “realidade” individual, virtual e imaginária é formada e sustentada pelos reflexos das informações dos sentidos exteriores. A camponesa, a dona da casa, pode representar a nossa mente – ou espelho mental móvel – voltada para as aparências. Uma realidade – a corda – transformou-se em uma ilusão – a cobra. Esta falsa imagem foi projetada para fora, passando pelo corpo emocional, e movimentando a memória e comandos cerebrais para ações físicas: palavras, gestos, expressões, etc.

Foi criada, assim, uma reação em cadeia: os vizinhos da camponesa, contagiados pelos seus gritos de desespero, acreditaram na ilusão da cobra. O instinto de preservação prevaleceu sobre a lógica, o raciocínio, o discernimento.

Quantas calamidades acontecem na humanidade quando há uma reação em cadeia da mente, das emoções e ações físicas descontroladas. Por exemplo: num cinema lotado, alguém grita desesperado: FOGO. Ninguém para um instante para pensar se é fogo ou não, onde é e como fazer para resolver o problema. O instinto é ativado e o desastre acontece. Se observarmos no dia a dia notaremos nas pessoas atitudes instintivas e reativas que podem produzir efeitos em quem estiver próximo. 

Aí a necessidade da atenção e conhecimento. É o exemplo da nossa história, do marido da camponesa, que até pensou no pior pelo grande alarido, mas pelo conhecimento, venceu a resistência da maioria e com a luz da razão (o archote) entrou na casa escura (ignorância da mente) e retirou a ilusão do ego, a falsa cobra e a verdade (a corda) apareceu.

Todos nós já passamos por situações difíceis na vida por sermos envolvidos por ilusões de nossas identidades virtuais e imaginárias. O auto-conhecimento de uma identidade mais profunda e real pode revelar um mundo individual e exterior diferente do trivial, corriqueiro e sustentado pela maioria como “normal”.

Os desafios são grandes. O primeiro é conosco mesmos, procurando mover nosso espelho mental sempre focado em sensações externas, mudando-o aos poucos para focar para nosso interior, onde está nossa real identidade (?). Este trabalho pode ser facilitado pela meditação do auto-conhecimento Quem Sou Eu?
Quando nossa mente receber as primeiras luzes do Eu (?) poderemos conhecer melhor nossa casa por dentro (corpo – memória – emoções – mente) e saber como torná-la melhor e harmoniosa.

O segundo desafio é contrariar a maioria presa à ilusão do ego (os vizinhos da camponesa). São todas as pessoas com quem nos relacionamos, ainda escravizadas pela ilusão do ego e que realimentam o círculo vicioso onde a mente está sempre focadas nas sensações dos cinco sentidos. Temos que nos relacionar e investir em amizades que possam somar para que um círculo virtuoso incentive nosso auto-conhecimento para a Verdade e para a LUZ. Estudos e troca de informações ajudam muito, mas a vivência no dia a dia com atenção, concentração e reflexão é indispensável. Temos a nosso dispor o melhor campo de aprendizado do mundo: nós mesmos (ver o texto O Tesouro Oculto).

Texto de Iran Waldir Kirchner
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