segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Misticismo e Mistificação


     Muitas vezes ouvimos alguém dizer que em muitas religiões se encontra o misticismo. Esse termo é usado em sentido pejorativo, com seu sentido deturpado, conotando que certas religiões estão enganando seus seguidores.

     Fomos pesquisar o sentido dessas duas palavras. Segundo o dicionário, Místico é relativo à vida espiritual e contemplativa; devoto, religioso, piedoso. Místico é aquele que, mediante a contemplação espiritual, procura atingir o estado de êxtase de união direta com a divindade. Portanto, o vocábulo místico se refere a características positivas, boas e não pode ser usado com o sentido pejorativo. Ao passo que Mistificação é o ato ou efeito de mistificar, ou seja, abusar da credulidade, enganar, iludir, burlar, lograr.

     Há  poucos dias, numa conversa, ouvi uma pessoa dizer que em muitos Centros Espíritas existe o “misticismo”, que muitos são “místicos”. A pessoa queria dizer que muitos enganam os seus seguidores. É comum ouvirmos isso, mas é uma maneira equivocada de se expressar. O certo seria que existe mistificação e que são mistificadores em alguns lugares.

     A palavra místico vem do grego mystikós. Na antiguidade, era aquele que figurava entre os que eram admitidos nos antigos Mistérios. Atualmente, é quem pratica o misticismo e professa idéias místicas, transcendentais. Misticismo é toda doutrina envolta em mistério e na metafísica, que trata mais dos mundos ideais do que de nosso universo positivo, real. Outra acepção da palavra é “o estado da pessoa que se dedica muito a Deus e às coisas espirituais”.

     Encontrei um texto que explica bem o que é místico e misticismo.
     “Nos tempos modernos, muitos errôneos significados têm sido aplicados aos termos místico e misticismo. O mal entendido mais generalizado é o que admite estarem eles ligados a fenômenos pavorosos e estranhos. Na verdade, porém, o místico é exatamente aquele que deseja e busca a verdade e o conhecimento. Detesta o supersticioso, tanto quanto o que se diz racionalista.
     (...)
     
     O místico crê fundamentalmente que pode receber iluminação divina, ou cósmica, através do Eu subconsciente. A ele se manifesta, durante a meditação, um conhecimento revelado que, intuitivamente, aceita como verdade. A revelação se faz tão clara que, para ele, o conhecimento não requer seja substanciado pela razão. O místico acredita, ainda, que nenhum intermediário se faz necessário para o contato direto com a realidade única, que poderá chamar de Absoluto, Mente Universal, Deus ou Cósmico.
     (...)

     O místico não é fantasista – se for um verdadeiro místico. Poderá, às vezes, procurar fugir às atrações do mundo, para desfrutar da elevação de consciência que sente ser necessária para a harmonização com o Uno. Considera, porém, que tem a sublime obrigação moral de utilizar o fluxo de iluminação, as novas idéias ou o conhecimento revelado que recebeu. É para ele repugnante manter essa luz nos limites de sua própria consciência. A iluminação que recebeu torna-se um incentivo e um estímulo à ação, que, finalmente, vem a expressar de várias maneiras.

     (...) A filosofia mística é um sistema de vida pelo qual o indivíduo chega a adaptar-se ao seu meio ambiente, como reação à experiência íntima por que passou. Representa um desígnio superior que ele interpreta de maneira prática e que, segundo verifica, imprime em seus afazeres diários, pelo menos, parte da ordem cósmica de que se tornou consciente.”

     Portanto, não podemos nos referir a “místico”, quando queremos dizer “mistificação ou mistificador”, pois estaremos, no mínimo, sendo injustos com os místicos – pessoas de boa índole, que dedicam sua vida ao estudo dos mistérios da vida e com seu conhecimento estão sempre ajudando os seus semelhantes.

     O sentido das palavras que usamos em nossa comunicação são muito importantes, sobretudo para que não cometamos injustiças ou julgamentos falsos.

Texto de Cecy Kirchner
 Foto ilustrativa


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quem somos, Martas ou Marias?


     E, aconteceu que, indo eles pelo caminho, entraram uma aldeia; e certa mulher por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã  chamada Maria, a qual assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois que me ajude.

     E respondendo, Jesus disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e fatigada com muitas coisas, mas uma só é necessária. E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas 10-38,42)

      Estamos às vésperas do Natal, data máxima da cristandade. Quanta agitação, quantos afazeres e preparativos para comemorar o nascimento do Mestre dos Mestres – Jesus, o Cristo. A escolha dos presentes, os preparativos e enfeites da casa e, principalmente, o que julgamos seja de suma importância, que não pode faltar – comidas e bebidas em grande quantidade. O comércio se agita nesta data, a expectativa pelo ganho de presentes gera a ansiedade em todos, crianças e adultos. Somos muito “Marta” e muito pouco ou quase nada “Maria”. Se Jesus estivesse presente nesta época junto a todos nós, o que diria? Com certeza, o mesmo que disse a Marta!

      A superficialidade dos sentidos exteriores pode nos levar por caminhos embaraçosos e perdermos a melhor parte, a única necessária, a que Maria escolheu: ouvir os ensinamentos de Jesus, beber diretamente na Fonte da suprema Sabedoria e Bondade. O que nós cristãos perdemos por ser em demasia superficiais e exteriores e muito pouco ou quase nada em profundidade, essencialidade e espiritualidade? Poderemos perder muito, as nossas próprias vidas, enfraquecendo nossas almas pela falta do precioso alimento: a Verdade do Cristo. Essa é a única que pode nos libertar dos nossos padrões bloqueadores para uma real Felicidade e Liberdade.

      Vinha um peregrino por uma estrada, quando encontrou uma grande multidão festejando ao redor de uma grande placa com mensagens indicativas. Parou e procurou saber o que estavam comemorando. A resposta foi uma só: todos nós estávamos perdidos nesse imenso território, até que encontramos esta placa que indica o caminho para uma terra maravilhosa. Por isso, estamos festejando e cada um que chega se junta a nós e a festa continua cada vez melhor. Escolha um lugar em volta da placa e fique conosco. Perguntou o peregrino: mas, quando essa multidão vai seguir em frente para essa terra maravilhosa? E eles responderam: A alegria aqui é muito grande e contagiante. Talvez um dia todos juntos seguiremos em frente. Alguns já foram, mas bem poucos. Fique conosco e não se preocupe.

      Toda a humanidade está reunida em multidões ao redor de placas que sinalizam caminhos para um paraíso perfeito. Poucos são os que se atrevem a seguir em frente. A grande e maciça maioria se acomoda apenas na admiração dos ensinamentos sem vivenciá-los. Muitos Mestres de Sabedoria já passaram pelo planeta Terra. Todos deixaram indicações para o bem da Humanidade, não pediam adoração a si próprios mas Amor a Deus e à Sua Obra. Temos a inteligência e recursos para vivermos no Paraíso aqui e agora, mas a mudança começa dentro de nós, nossos bloqueios, resistências, preconceitos, discriminações. O exterior é a conseqüência do interior. O contrário é falso, é apenas uma imitação.

      Que o Espírito de Natal faça renascer o Cristo em nossos corações.
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa - Baia de Guaratuba

 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O que realmente importa!



     Alguns dias atrás li uma mensagem muito interessante, que me fez pensar.

     “Um professor, diante de sua classe de filosofia, sem dizer uma só palavra, pegou um pote de vidro, grande e vazio, e começou a enchê-lo de bolas de golfe. Em seguida, perguntou aos alunos se o frasco estava cheio e imediatamente todos disseram que sim.

     O professor, então, pegou uma caixa de bolas de gude e esvaziou-a dentro do pote. As bolas de gude encheram todos os vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio e voltou a ouvir de seus alunos que sim.

     Em seguida, pegou uma caixa de areia e esvaziou-a dentro do pote. A areia preencheu os espaços vazios que ainda restavam e ele perguntou novamente aos alunos que responderam que o pote agora estava cheio.

     O professor pegou um copo de café (líquido) e o derramou sobre o pote, umedecendo a areia.

     Os alunos riram da situação e o professor falou:

     Quero que entendam que o pote de vidro representa nossas vidas. As bolas de golfe são os elementos mais importantes, como Deus, a família e os amigos. São com eles que nossas vidas estariam repletas de felicidade. As bolas de gude são as outras coisas que importam: o trabalho, a casa bonita, o carro novo, etc. A areia representa todas as pequenas coisas. Mas, se tivéssemos colocado a areia em primeiro lugar no frasco, não haveria espaço para as bolas de golfe e para as bolas de gude.

     Um aluno se levantou e perguntou o que representava o café.

     O professor respondeu:

     O café serve apenas para demonstrar que não importa o quão ocupada esteja nossa vida, sempre haverá lugar para tomar um café  com um amigo.”

     O mesmo ocorre em nossas vidas. Muitas vezes gastamos todo o nosso tempo e nossa energia com as pequenas coisas e nunca temos lugar para aquelas coisas que realmente importam. Prestemos atenção às coisas que são primordiais para a nossa felicidade – buscar a Deus e crer n’Ele, buscar o conhecimento, brincar com os filhos, passear com a família, estudar, praticar o esporte favorito, ajudar os que nos procuram... Sempre haverá tempo para as outras coisas.

     Sempre costumo dizer que meu tempo é muito precioso e muito curto para ser gasto com coisas supérfluas, insignificantes. Existem tantas coisas maravilhosas com que nos ocupar que elas preenchem a nossa vida nos tornando pessoas felizes.

     O importante mesmo é se ocupar das “bolas de golfe” em primeiro lugar. O resto é apenas “areia”... 
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa

sábado, 22 de dezembro de 2012

Antropocentrismo!


     “Criou, pois, Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; o homem e mulher os criou. Deus os abençoou e lhes disse: frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse Deus mais: eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. A todos os animais selvagens e a todas as aves do céu e a tudo que se arrasta sobre a terra, em que há vida, tenho dado todas as ervas verdes para lhes servirem de mantimento; e assim se fez”. (Gênesis 1: 27-30).

     Antropocêntrico, segundo Aurélio Buarque, é o que considera o homem como o centro ou a medida do Universo, sendo-lhe por isso destinadas todas as coisas; que concebe o Universo em termos de experiências ou valores humanos; diz-se principalmente das ingênuas doutrinas finalísticas que admitem que todas as coisas foram criadas por Deus para propiciar só a vida humana.

     A interpretação superficial, ao pé da letra morta, desconhecendo o espírito da letra, levou a humanidade a cometer erros graves em toda a sua história. Hoje vemos as conseqüências do egocentrismo humano na depredação da Natureza em todos os sentidos. Até as crianças hoje já entendem a necessidade de preservação da vida em todos os reinos materiais para a saúde do planeta Terra e de todos que aqui vivem.

     Mas padrões negativos ainda nos bloqueiam o entendimento para uma Realidade Cósmica onde vivemos que tem leis precisas e perfeitas para manter a harmonia e o equilíbrio Universal. Esta Realidade é Supra Inteligente e atuante, nada ou coisa alguma escapa de suas leis de ação e reação na sua evolução dinâmica constante. Somos sustentados, tanto interna como externamente, por essa sinfonia de perfeição. Desde o átomo até uma galáxia estão banhados nesse Fluido Cósmico de Perfeição. Um pensamento, uma emoção ou um ato qualquer interage nesta Unidade e a reação é inevitável. Se estivermos em sintonia com a mente, a emoção e a ação, estaremos em comunhão de bem-aventurança.
 
Somos pequenos aprendizes diante da Sabedoria Universal. Nossos erros fazem parte do aprendizado e é por isso que eles nos chamam tanto a atenção e preocupam filósofos e cientistas que procuram o equilíbrio para a humanidade com seus códigos de leis e invenções. Infelizmente, as divergências se sobrepõem às convergências, a competição ao compartilhar, alimentados por padrões negativos, heranças de interpretações parciais, egocêntricas e preconceituosas.

     Somos realmente imagem e semelhança do Ser Criador, mas em potencialidades e não em aspectos exteriores, forma, cor, etc. Isso seria limitar e condicionar o Infinito para satisfazer o nosso ego pessoal e alimentar preconceitos na humanidade. Todos os dons e talentos que recebemos são para serem aplicados com responsabilidade dentro de um Planejamento Cósmico, é o que diz a oração: “Seja feita a Vossa Vontade e não a minha”. Não somos o centro da Criação e nem os “donos da verdade”, apesar da idolatrada “evolução humana”. Estamos no jardim da infância da Escola da Vida Universal, e como crianças geniosas queremos todas as liberdades e nos rebelamos com as conseqüências e responsabilidades.

      Muitos Mestres da Sabedoria Universal deixaram seus ensinamentos para a humanidade em todos os livros sagrados. Se soubermos tirar o véu da letra morta, veremos o espírito da letra e a Divina convergência em todos eles. 
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Voce é a pessoa que quer ser !


 
     Recebi pela internet uma mensagem muito bonita e que me fez pensar. Vou transcrevê-la para que vocês possam dela participar.

     “Quando você nasceu, Deus não rogou uma praga para você ser tímido, distraído ou confuso. Ele lhe proporcionou todas as ferramentas para você completar sua criação.”

     Certo dia, Michelangelo, o grande pintor e escultor renascentista, ao ser perguntado sobre como era criar uma obra de Arte, respondeu: “Dentro da pedra já existe uma obra de arte, eu apenas tiro o excesso de mármore.“

     Conosco acontece o mesmo. Dentro de nós já existe uma linda obra de arte, talvez a mais bela obra de todo o Universo. Nós apenas temos que lapidar essa pedra bruta para que a arte possa se mostrar.

     Observando um rio, vemos que ele nunca é o mesmo, se renova a cada minuto. As células do nosso corpo – o envoltório de nosso espírito – se renovam a cada dia. Fisicamente, nós nos modificamos. E espiritualmente? Compete a cada um de nós fazer nossa parte nesse processo de criação, pois somos co-autores dessa grande obra Divina.

     A própria ciência já está tentando comprovar que as energias de nossa mente afetam nosso físico. Assim, nossos pensamentos, nossas atitudes perante a vida, fazem com que criemos nossa vida. Nossas atitudes positivas, levadas, fazem com que nossa mente produza energias benéficas ao nosso ser. Por outro lado, podemos também bombardear nosso próprio corpo físico com atitudes negativas, que aos poucos vão minando-nos a saúde.

     Como é grande nossa responsabilidade.

     Numa conferência, o espírita Raul Teixeira contou o caso de uma senhora que, para se redimir de erros passados, criou em sua mente a idéia de que estava com câncer. O marido e o filho a levaram a uma centena de médicos e todos eram unânimes em afirmar, após longos e exaustivos exames, que a saúde dela era perfeita. Durante muitos meses ela bombardeou as células de seu corpo físico com a afirmação de que estava com câncer. Certo dia, os médicos realmente acharam em seu corpo as células cancerosas. E ela veio a falecer alguns poucos meses depois. Essa criatura criou em sua mente uma grave doença como forma de autopunição e sua força mental foi tão intensa que manifestou a doença em seu corpo.

     Ao mesmo tempo em que temos a responsabilidade de crescermos espiritualmente, não podemos deixar de lado nosso corpo físico, pois afinal ele é o veículo escolhido para nosso espírito se manifestar na matéria. Temos um responsabilidade para com ele. Se com a força da nossa mente podemos criar doenças, podemos, ao contrário, também criar coisas positivas, renovar nossa saúde.

     A grande verdade é que você é a pessoa que escolhe ser. Ou você continua do jeito que está ou se modifica, cresce, evolui. A grande glória do ser humano é poder participar de sua própria criação.

     “A grande arte da vida é fazer da vida uma obra de arte”. (Roberto Shinyashiki, escritor
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto Ilustrativa

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Se desejas ser feliz


A felicidade é, além de uma aspiração natural, um direito que temos.

     Muitas vezes nos perguntamos: o que fazer para ser feliz? Existe a felicidade?

     Nos momentos em que nos sentimos tristes, parece que a felicidade é  um bem inalcançável. Esquecemos de todas as coisas boas que nos rodeiam e só pensamos em nosso problema. Aí reside o grande erro. Se nos fixamos nos maus momentos, nas sombras, nossos olhos não conseguem enxergar o outro lado da situação – o bom.

     Este inspirador texto mostra isso muito bem:

     “Se desejas ser feliz, vive cada momento de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

     As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

     A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.

     Abençoas os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti. Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão. Reúne essas florzinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução. (Joana de Ângelis)”

     Certa vez, uma amiga me disse que não tinha problemas em sua vida, somente experiências. É verdade. Se pensarmos nos problemas como experiências, eles se tornam mais fáceis de resolver e são aproveitados para nosso crescimento. Isso faz com que vivamos integralmente todos os momentos de nossa vida, sempre aproveitando as lições que eles nos trazem. Essas lições – como na escola – precisam ser aprendidas para que “passemos de ano”.

     Encarar a vida com otimismo faz parte da receita para a verdadeira felicidade.

     Observar a beleza que nos rodeia, sentir o perfume das flores, acompanhar o vôo de uma colorida borboleta, sentir o amor que um animalzinho pode nos inspirar, dar um forte abraço, participar das brincadeiras de uma criança, ver um lindo pôr-do-sol, tudo isso faz parte de nossa vida. Basta saber olhar...

     Pequeninas coisas podem se tornar grandes, é só querermos.

     Se pensarmos bem, veremos que a felicidade está dentro de nós mesmos, é a maneira de encararmos a vida, é a maneira de nos posicionarmos diante dela.

     Para ser feliz basta um “mínimo” que, se bem aproveitado, pode ser tornar um “tudo”.

     Mudar a maneira de ver o mundo pode ser a chave de todos os nossos problemas (ou experiências...). Vamos mudar? 
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa

domingo, 25 de novembro de 2012

Higiene Mental – Parte III


E esta é a grande ilusão que envolve a criatura menos avisada, fazendo com que ela acredite que a felicidade está fora dela mesma, que a felicidade é comprada naquilo que se come, veste e usa. Reduzir o ser humano a uma pequena pele que contém um estômago e um sexo e nada mais é violentar a si mesmo no que é mais precioso e fundamental – a natureza interior. Esse desconhecido ser-consciência que somos não aceita nada estranho à felicidade inerente a si mesmo. Tentar colocar a felicidade fora de nós mesmos, do nosso íntimo, é como querer mudar o eixo de sustentação de uma grande roda em movimento – perdemos o equilíbrio, a harmonia e a felicidade do viver.
 
O que realmente é necessário é colocarmos para fora, sempre, freqüentemente, o lixo mental-emocional que aparece pela nossa atividade diária. Esse sim é nefasto e perigoso, como já vimos, e principalmente pelo fato de que ele nos cega e nos desvia do caminho para nossa real felicidade que está muito perto, próxima demais, dentro demais. Mas, pela nossa desorientação e confusão não a percebemos e nos afastamos dela procurando-a no sentido contrário, fora de nós mesmos. E, dessa maneira, criamos a ilusão de uma falsa felicidade – a felicidade-objeto, uma satisfação passageira quando conseguimos algo desejado. E aí acontece que recebemos aquilo tão esperado e desaparece nossa ansiedade, nossas preocupações exteriores e nos sentimos bem, serenos, voltamos para nós mesmos. É esta aproximação para a nossa real natureza (Ser-Consciência-Felicidade) – que nos dá aquela alegria sentida, e não o objeto que recebemos de fora.
 
Se isso fosse verdade, aquela alegria não seria temporária, mas permanente e cada vez acrescida pelo recebimento de novas coisas exteriores. Mas, isso não acontece, pois a felicidade-objeto logo desaparece ao reiniciarmos um novo ciclo. Um novo objeto é desejado, o que não é problema em si. A questão é o querer ligar felicidade a algo exterior. Com isso, nós nos deslocamos para fora e para longe do nosso centro de consciência, perdemos contato com nossos valores interiores, com a nossa própria essência, voltamos as costas para a Felicidade Real e vamos em busca de uma felicidade-objeto falsa.

      É esta a condição do ser humano em quase a sua totalidade. É tão grande e tão expressiva que pode parecer normal, mas não é, o que é, na realidade, é a violação de uma lei natural e permanente. A Felicidade é uma parte integrante da criatura, indispensável, insubstituível. Sem ela, somos inferiores aos animais. Os fatos em si mesmos comprovam esta lei, a humanidade sofre durante as conseqüências.

      O problema parece insolúvel, mas não é. Algumas poucas, mas grandes criaturas já ensinavam desde milênios: Onde está o veneno, ali também está o contra-veneno. A criatura humana é,  por si mesma, o caminho, a verdade e a vida. Busque e encontrarás, bata e a porta se abrirá. Mas o caminho é áspero e estreito. Na literatura de todos os povos, em todos os tempos, encontramos indicadores precisos e que apontam na mesma direção – para dentro da própria criatura, na sua essência, no seu fundamento, na sua consciência.
 
Caminhos exteriores à criatura existem aos milhares, mas para o interior somente a própria criatura, em si mesma, poderá descobrir. Ninguém de fora, por melhor que seja, pode nos carregar para o nosso templo interior, mas no templo HÁ ALGO que pode mostrar a senda até lá, mas o trabalho de caminhar, de bater à porta é de cada um consigo mesmo. O pedido é íntimo e particular, em segredo, com as portas e janelas fechadas (os sentidos fechados para fora e voltados para dentro). A Prece é a comunicação com Aquele Algo Superior em nós e a resposta virá na meditação do Silêncio. Orai e vigiai – é o ensinamento. Para vigiar, deve-se estar atento e muito quieto e assim será ouvida a Voz do Coração 
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Higiene Mental – Parte II


O lixo físico é perigoso quando fora de controle, pois se espalha e contamina. Mas a craca mental e emocional do ser humano é muito mais perigosa, pois são resíduos de energias vivas e ainda invisíveis e impalpáveis. Formam uma crosta compacta que envolve a criatura sem autovigilância, asfixiando e sugando suas energias vitais. A lucidez e o discernimento ficam precários, os sentidos confusos, a vontade positiva vacila, os valores e os ideais são esquecidos. Com isso, desaparecem a convicção, a fé, o idealismo e a coragem e, como conseqüência, o medo é uma companhia constante, onde dominam o medo e o terror, o amor enfraquece, e sem amor, sobressai o rancor e a revolta.

      É nossa mente que centraliza e processa as informações para o nosso consciente, sua participação eficiente é vital para a real percepção da vida, para o relacionamento externo e interno, aprendendo a conviver, melhorando o convívio. Damos importância a uma janela suja, pois a sujeira impede a visão real do que se passa lá fora. Por isso, temos o hábito de limpá-la periodicamente. Mas, quando a vida, vista pela janela de nossa mente, parece confusa, cinzenta, sem sentido, ficamos de mal com a vida e conosco mesmos. Não procuramos a razão disso e afundamos na “fossa mental-emocional” que deixamos crescer em nós mesmos.
 
E isso se torna uma rotina, um hábito que aceitamos até como “normal”. Mas será mesmo a Vida assim, apenas por que a vemos assim? A grande maioria consola a si mesma dizendo que sempre foi e sempre será assim! Esta “sábia” maioria de pessoas interessa-se realmente por si própria? A limpeza das janelas, dos assoalhos e da casa toda é mais importante que a própria criatura? Seria nossa pele, nossa aparência, superior ao que está dentro de nós? Ou talvez, apenas nosso corpo físico, concreto, seja importante, bastando ter uma boa aparência, e tudo o mais não conta? O equilíbrio físico, emocional e mental é secundário? A harmonia e a felicidade da criatura consigo mesma não é fundamental? São estas propriedades que só uma mente em ordem pode discernir.  

      Vamos tentar analisar as causas que produzem situações deploráveis no ser humano, que o levam a inverter certos valores básicos de viver. A acomodação passiva ao menor esforço é a primeira e a principal, pois enfraquece a ação positiva para uma melhor condição. É muito fácil e rápido melhorar a aparência física pois isso já é um hábito adquirido. Não é fácil e nem rápido melhorar-se o estado mental-emocional, pois é preciso aprender e praticar para que se torne, depois, um costume habitual. Para aprender é necessário observar, para conhecer. É cômodo e fácil observar de nós para fora, mas para observar o observador, a nós próprios, em nós mesmos, é necessário atenção, prática e paciência.
 
Esta é a segunda grande origem dos problemas: a falta de observação de si mesmo – particular e individual – conhecer-se melhor por dentro – é cômodo e fácil conhecer-se por fora, todos nos ajudam para isso, pois também têm o hábito de olhar apenas para fora. Mas, para auto-observar-se, somos só nós conosco mesmos. Se pedirmos ajuda, a maioria dirá: “Só sei olhar para fora”, ou “Para que olhar para dentro, se fora existem coisas mais interessantes para ver?” E assim, a ordem dos valores permanece invertida – o observador é menos importante e menos interessante que as coisas exteriores observadas.
 
E, baseada nesses fatos, nessas circunstâncias, tirando proveito da situação, surge a terceira causa da miséria humana interior: a falsa propaganda do consumismo insaciável – a criatura é condicionada a pensar, sentir e agir de acordo com o que come, bebe, fuma, veste, etc. Transforma-se em um boneco sem autodeterminação, passivo, omisso, um objeto manipulado por interesses contrários aos verdadeiros valores humanos.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Higiene mental! - Parte I

     O ser humano gosta de limpeza e da boa aparência. Procura retirar periodicamente seus resíduos corporais, pois é desagradável e perigoso conviver com as bactérias. O que é físico, concreto e palpável, é  fácil de remover, mas o mesmo já não acontece com nossa parte mental. A água e o sabão não limpam a mente, pois ela não é visível e não cheira mal, mas, mesmo assim, é desagradável.

      O ser humano se diz civilizado e racional, fazendo muita questão sobre a higiene corporal no dia-a-dia. Mas, a higiene mental ou não existe ou está em segundo plano. A insuficiência de lucidez, a serenidade precária, as neuroses, as angústias e os descontroles, tudo isso afeta o bem estar do dia-a-dia. Instintivamente, tenta-se resolver o problema quando atinge o ponto crítico, não se suportando mais, tenta-se jogar tudo para fora de qualquer maneira, sem saber o que é que incomoda e nem como se livrar daquela situação intolerável. As coisas mais simples são sempre lições preparatórias para a solução das mais complexas.
 
Em nossas casas, sabemos identificar e reconhecer uma sujeira, um resíduo que atrapalha nossos familiares. Do mesmo modo, temos que saber identificar um resíduo mental quando surge; aquele pensamento que atravessa no raciocínio, desvia a atenção e faz perder-se a concentração no objetivo desejado. Por exemplo, estou lendo agora, e um pensamento fora do assunto surge, e eu não o identifico como estranho e indesejável. Ele vai atrair minha atenção, eu sairei fora do assunto tratado, perderei a concentração mental e não entenderei nada do que foi lido. Mas se, ao contrário, assim que ele surgir for identificado claramente como um intruso indesejável, então será desmascarado e a mente o retira do caminho.

      Voltando a nossa comparação: se um lixo é encontrado no assoalho, apenas desviá-lo não resolve e nem chutá-lo para o canto, pois ele continuará atrapalhando. O que resolve e colocá-lo no seu devido lugar – a cesta de lixo. Nossa mente é muito maior que uma casa, muito mais rica e capaz. Ela pode criar em si mesma uma área para colocar os resíduos mentais que atrapalham seu bom funcionamento. E, do mesmo modo que damos comando à nossa mão para apanhar o lixo do chão e colocá-lo na cesta, a mente necessita sempre uma ordem para fazer qualquer tarefa.

      Fisicamente, sabemos que todo lixo acumulado em uma casa precisa ser periodicamente removido para fora, para que tenha um fim definitivo, e isto é racional e lógico. Mas, vamos imaginar uma situação curiosa: duas pessoas, saindo de suas casas para colocar os sacos de lixo na lixeira, se encontram e começam a mostrar o que carregam. Diz uma: – “Veja quanto lixo que eu carrego, é muita coisa para mim, leve um pouco para você, não suporto esta carga!” A outra pessoa responde: – “Mas o meu é muito maior e mais horrível do que o seu, você é que tem que me aliviar dele!” E ali ficariam até que todo o lixo fosse mostrado e ficasse espalhado, fora da lixeira. Isto realmente seria um absurdo, algo ilógico e até irracional.
 
Mas, não é exatamente isso que acontece com o ser humano quando, sufocado com tanto lixo mental e emocional, quer jogar tudo para fora, de qualquer maneira, em qualquer lugar, e em cima de quem quer que esteja próximo? Não é exatamente isso que acontece quando queremos desabafar, seja em menor ou maior grau de angústia? Mas, diriam: “É necessário botar para fora!” E é realmente, e isso periodicamente, habitualmente, para evitar que chegue a um nível perigoso e venha a transbordar. Mas, colocar para fora de modo eficiente, por vias de competência e para que tenham um destino sem volta, um fim definitivo.
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A pedra e o pontinho!

     O distraído nela tropeçou. O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a, construiu. O camponês, cansado da lida, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drumond a poetizou. Já David, com ela matou Golias. E Michelangelo dela extraiu uma escultura. Em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas sim no homem.”

     Achei muito inspirador esse pequeno texto. Isso me lembra aquela história do pontinho: Uma pessoa, certa vez, me apresentou uma folha de papel em branco e no meio dela colocou um pontinho de caneta. Perguntou-me o que eu via ali. Imediatamente, sem pensar, respondi: um pontinho. Essa pessoa, com sua imensa sabedoria, me disse: – “Essa folha representa a tua vida. Esse pontinho são os teus problemas. Por que você só enxerga o negativo e não vê o positivo? Utilize esta folha para escrever e verá que o pontinho vai servir como um pingo no i.”

     Nunca mais esqueci essa lição. E sempre que tenho oportunidade, procuro passá-la para os outros.

     A pedra que está no meu caminho pode ser muito útil. Assim como o pontinho, posso utilizá-la para inúmeras coisas, construtivas ou destrutivas. Tudo vai depender do que eu tenho dentro do meu coração. Se ele estiver habitado pelo amor universal, certamente vou utilizar a pedra para construção, para alguma coisa útil.

     O pontinho e a pedra simbolizam nossos problemas do dia-a-dia, nossas “experiências”. Sim, por que se encararmos os problemas como experiências pelas quais temos que passar, podemos deles tirar muito proveito. Eles nos ensinam lições admiráveis. Vemos o mundo com outros olhos, encaramos as dificuldades não como provações difíceis, mas como um aprendizado que nos fará crescer, contribuindo em muito para a nossa evolução espiritual.

     Muitas vezes em nossa vida temos a tendência a enxergar somente o lado ruim das coisas. Não vemos que as situações são como uma moeda: têm duas faces – cara e coroa. Uma não é mais importante do que a outra, mas sim complementares. Os maus momentos que passamos são o outro lado da nossa vida, são lições para que possamos entender e valorizar o conjunto todo. Se encararmos sob esse prisma otimista, veremos que a vida não é um “mar de lágrimas” como possa parecer a muitos. Mesmo nas situações mais adversas, podemos extrair uma lição boa, construtiva.

     E se pararmos para pensar, fazer um balanço de nossa vida, veremos que os bons momentos – aqueles feitos com tão pouquinho – são muito mais numerosos do que os maus.
 
     Para ser feliz basta muito pouco. Basta transformar a pedra num banco, numa construção. Basta utilizar o pontinho como pingo no “i” de uma carta de amor...

     Precisamos aprender que “cada instante que passa é uma gota de vida, que nunca mais torna a cair.“ O importante é aproveitar cada gota para evoluir, pois poderemos nunca mais ter outra chance igual...

Pense nisso e mude sua vida. 
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto Ilustrativa

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mens sana in corpore sano! (Mente sã em corpo são))


O ser humano tem uma muita atenção com a questão corporal: a aparência, a higiene, a alimentação, etc. A grande maioria é vítima da falsa propaganda que condiciona a mente humana a fim de obter maiores lucros.  “Consuma este produto e seja feliz”.

     Somos apenas uma pele com sensações? Nossa vida se resume naquilo que comemos, vestimos, cheiramos, ouvimos, olhamos e tateamos?

     Nossos valores internos – pensamentos e sentimentos – são considerados muito importantes até mais que os exteriores. Uma mente sadia, com sentimentos sadios, influi decisivamente em nosso corpo. A insanidade mental e emocional desequilibra e põe em risco funções vitais básicas: circulação sangüínea, digestão, mobilidade, e também relacionamentos e outras mais. Assim, será que a higiene mental e emocional é desnecessária ao nosso bem estar?

     A vida prática prova que a qualidade de nossos pensamentos e sentimentos exerce influência direta sobre cada um de nós. Sabemos cuidar do lixo físico da nossa casa, mas espalhamos, e até jogamos em nossos semelhantes, nosso lixo mental e emocional: raiva, preconceitos, julgamentos, pessimismo, discriminações, inveja, traumas e complexos. Poluímos nossa atmosfera mental e emocional e é dentro dela que vamos viver nosso dia-a-dia. A água, o sabonete e perfumes não removem essa poluição. Vamos ver o mundo ao redor através das lentes dos nossos pensamentos e sentimentos. Se forem límpidos e harmoniosos, veremos e sentiremos a verdadeira Realidade. Caso contrário, seremos vítimas da Grande Ilusão.

     Já  ensinava o Mestre Nazareno, hoje tão esquecido: “Não é o que entra pela boca que contamina, mas o que sai da boca, porque o que sai da boca vem do coração e dos pensamentos. Isso realmente é o que contamina.”

     Viver apenas na superficialidade, na aparência de nossa individualidade e esquecer nossos valores internos pode nos afastar do caminho para a felicidade que todos nós procuramos.

     É necessário que façamos periodicamente uma avaliação de nosso estado emocional e mental. Só nos conhecendo realmente é que podemos nos direcionar para o nosso crescimento interior. Para isso temos recursos ao nosso alcance: a meditação como um meio de autoconhecimento e aprimoramento. Dessa forma, deixaremos de ser vítimas das circunstâncias para nos tornarmos donos do nosso próprio destino. 
 
Texto de Iram Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A folha em branco!


     “Certo dia, um professor estava aplicando uma prova e os alunos, em silêncio, tentavam responder as perguntas com uma certa ansiedade. Faltavam uns quinze minutos para o encerramento quando um aluno levantou o braço, se dirigiu ao professor e disse:

     – Professor, pode me dar uma folha em branco?

     O professor levou a folha até a carteira do aluno e perguntou-lhe por que queria mais uma folha em branco. Ele respondeu:

     – Eu tentei responder as questões, rabisquei tudo, fiz uma confusão danada e queria começar outra vez.

     Apesar do pouco tempo que faltava, o professor deu-lhe a folha em branco e ficou torcendo por ele. Aquela atitude do aluno causou-lhe simpatia.”

     Essa historinha simples nos faz refletir. Quantas pessoas receberam de Deus uma folha em branco – sua vida. E só têm feito rabiscos, entrado em confusões, tentativas frustradas... E o desânimo toma conta delas.

     Assim como tirar uma boa nota só depende do esforço do aluno, ser feliz também só depende de nós, da nossa vontade.

     Não importa a nossa idade, condição social, raça ou religião. O que realmente importa são os sentimentos puros e honestos, nosso desejo sincero de crescer, de evoluir.

     Agora é um bom momento de acordar, pedir a Deus uma nova folha em branco, passar nossa vida a limpo, pedir uma nova oportunidade de ser feliz.

     Coisas simples como um pôr-do-sol, o canto de um pássaro, o sorriso puro de uma criança, o colorido das flores, o vai-e-vem do mar são pequeninas coisas que nos fazem ver a perfeição divina presente em toda a natureza. Homem algum do mundo conseguiria reproduzir toda essa perfeição. Ela, por si, nos deixa o coração repleto da certeza de que Deus existe e vela por nós.

     E podemos concluir que o Amor é a chave de tudo. Não o amor carnal, mas um amor que não conhece barreiras. Um amor que não vê no outro um objeto de prazer, mas aquele amor infinito que vê em seu semelhante uma centelha do amor Divino, uma centelha do próprio Deus. Esse amor Universal é uma infinita parte do Amor daquele que nos criou. E se somos parte dessa criação Divina podemos ter a certeza de que fomos criados para sermos felizes, para evoluirmos, para espalhar sementes desse Amor por onde passarmos. Esse é o propósito da criação.

     Portanto, deixemos o orgulho de lado e levantemos o braço. Peçamos uma folha em branco, passemos nossa vida a limpo... Ainda há tempo... 
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa

 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Competir ou compartilhar!


Nosso corpo formado pela cabeça, tronco e membros, com órgãos de percepção, digestão, circulação, locomoção e outros, é um exemplo claro de uma lei de coesão e sustentação que atua para sobrevivência do ser humano. Vamos chamar isso de lei do compartilhar. Cada órgão, não levando em conta o grau de importância, compartilha com os demais seu valor, para o bem estar do conjunto. Se qualquer um deles tentasse ser prepotente e competir com os demais órgãos, provocaria um conflito e, conseqüentemente, o desequilíbrio e a doença.

Somos muito mais do que apenas órgãos físicos e funcionais: temos partes menos concretas que integram nossa personalidade. São nossos sentimentos e pensamentos que interagem no conjunto de modo incisivo e direto. Todos já sentimos quando eles estão em conflito e não compartilham para o bem estar do conjunto.

Depressão, neuroses, estresse, etc. são as conseqüências.

Se observarmos atentamente a natureza ao nosso redor, a Lei do Compartilhar está presente nas matas, nas águas, nos ares, na terra, no sol, nos animais. Qualquer efeito dominante de um desses elementos sobre os demais significa catástrofes que afetam todo o conjunto. Portanto, a Lei do Compartilhar é uma norma universal para preservação do equilíbrio da natureza, seja ele de nível atômico, celular, orgânico, ecológico, planetário ou galáctico. É atuante tanto no nível micro como macroscópico.

Competir é uma exceção, uma anomalia, uma doença. A humanidade, na sua história, tem a confirmação dessa Lei do Compartilhar (Lei da Unidade Universal) e está aprendendo ainda, de modo empírico, que quando essa lei é contrariada as reações são inevitáveis: guerras, epidemias, conflitos sociais, criminalidade, desequilíbrio ecológico e tantos outros males já conhecidos.

Cada um de nós é uma célula do corpo da humanidade. Temos consciência da importância de nossas ações que influem em nós mesmos e em toda a humanidade? Ou vamos agir aleatoriamente e esperar reações favoráveis?

Individualismos caprichosos, discriminações separativistas, competição egoísta, dominações trarão bons resultados na família, na comunidade, na política, na religião?

Competir ou compartilhar – a escolha é sua, mas a reação é inevitável, dentro de você e ao seu redor. As leis da Unidade Universal são imutáveis.

Conheça-se, comunique-se e realize-se.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto ilustrativa

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A gratidão!


 
Uma bela mensagem de Chico Xavier me chegou às mãos e me fez refletir.

     “Quando você conseguir superar graves problemas de relacionamento, não se detenha na lembrança dos momentos difíceis, mas na alegria de haver atravessado mais essa prova em sua vida. Quando sair de um longo tratamento de saúde, não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas na bênção de Deus que permitiu a cura. Leve na sua memória para o resto da vida as coisas boas que surgiram nas dificuldades. Elas serão uma prova de sua capacidade e lhe darão confiança diante de qualquer obstáculo.”

     Essa mensagem me lembrou uma amiga muito querida que não vejo há tempo. Ela é uma pessoa maravilhosa, guerreira, batalhadora, que vence os obstáculos por maiores que sejam. Ela costuma dizer que não tem problemas na vida, e sim experiências. Realmente. Fico pensando em quantas lições ela deve ter aprendido com o marido extremamente rígido, seco, nada carinhoso, que a feria emocionalmente. Quanto deve ter aprendido quando ele ficou sem emprego, já com seis filhos para criar. O que será que ela aprendeu quando a filha pereceu afogada numa piscina com apenas oito anos de idade? Os anos se passaram e ela continuou tendo “experiências”. O primeiro neto – criança linda – logo apresentou problemas de saúde. O diagnóstico foi claro: hidrocefalia. Problemas? Jamais. Só “experiências”... E muita, muita gratidão...

     Sempre que algum problema surge em minha vida lembro dessa amiga forte e decidida. Ela sempre me serviu de exemplo. Inúmeras foram as lições que ela aprendeu ao longo da vida. E nunca se deixou abater pelos revezes. A cada provação, um sorriso nos lábios e a certeza de que a lição que aprendera a faria ainda mais forte e preparada.

     Ver o lado positivo de todas as experiências pelas quais passamos muitas vezes é difícil. Quantas vezes reclamamos que temos imposto de renda para pagar, despesas com a casa... e não nos lembramos de agradecer por ter um emprego, por ter um teto que nos abrigue. Ficamos irritados com o despertador que nos acorda bem cedinho, mas não nos lembramos de agradecer por estarmos acordando para mais um dia de vida, por estarmos vivos. Reclamamos da comida, mas esquecemos de agradecer por termos o alimento à nossa mesa, quando tantos não têm sequer um pedaço de pão seco. O que muitas vezes para nós é um problema, para nosso irmão seria uma bênção.

    - Reclamamos que a roupa está apertada, mas esquecemos de agradecer por estarmos bem alimentados.
   -  Reclamamos de não encontrar vaga para estacionar, mas esquecemos de agradecer por ter um carro que nos leva onde precisamos ir.
   -  Reclamamos do barulho do nosso vizinho, mas esquecemos de agradecer por ouvirmos tão bem...
  -   Reclamamos da sombra, mas esquecemos de agradecer pelo sol.
   -  Reclamamos do frio, mas esquecemos de agradecer pelos agasalhos que temos.
  -   Reclamamos de cansaço, mas esquecemos de agradecer pelo trabalho que nos dá o dinheiro necessário para vivermos.

     Enfim, reclamamos de tudo, mas esquecemos que só temos a agradecer sempre pelas coisas boas em nossa vida, por tudo que a natureza nos proporciona, por tudo o que o nosso Pai Maior nos dá sem nada pedir em troca. A gratidão é a nossa maior prova de amor para com Ele.
 
Texto de Cecy Kirchner 
Foto ilustrativa 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O tesouro oculto!

Conta uma parábola cristã: “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo. O lavrador o descobre e, extasiado pela sua imensidão e esplendor, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo, tomando posse do fabuloso tesouro”. (Mateus, 13:44)

     Um ensinamento oriental, mas convergente, complementa: “Aquilo que chamas corpo ou teu eu pessoal é o Campo e quem o conhece é o Conhecedor do Campo. A Maior Sabedoria é o discernimento entre o Campo e o Conhecedor do Campo”. (A Canção do Senhor – Bhagavad Gita, 12:1-1-2-3).

     É uma constante em todos os tempos nos ensinamentos espirituais da humanidade, a indicação para a busca interior, para o essencial, para a alma. Muitos instrutores, em diferentes épocas e de muitas maneiras, têm apontado para a mesma direção, de modo convergente, para dentro. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo”, já ensinava Sócrates, filósofo antigo. O que se oculta em cada criatura e que é de tão grande valor?

     Nossos meios de percepção são impróprios para esse conhecimento, pois usam os cinco sentidos físicos que só percebem o que é exterior, o que chamamos de realidade concreta. E, como conseqüência, investimos o tempo todo naquilo que vemos, tocamos, ouvimos, cheiramos e degustamos. Jesus já ensinava que muitos tendo olhos, não vêem, e tendo ouvidos, não entendem.

     A humanidade é afetada pela carência de valores interiores, pois mesmo satisfazendo os sentidos exteriores nas sensações do mundo, falta Algo para uma Real Felicidade. Será esse tesouro escondido em nós mesmos que nos faz tanta falta? Mas, como conquistá-Lo se desgastamos tanto nossas energias na procura de bens exteriores? Existe um círculo vicioso que envolve a humanidade e é alimentado de muitas maneiras: pela educação materialista, pela propaganda enganosa, pela competição brutal pelo poder material que massifica e oprime o ser humano, obrigando-o a ser um objeto de consumo descartável.

     Sempre existiram ensinamentos convergentes para a libertação, se soubermos compartilhar idéias, sem preconceitos religiosos, raciais, nacionalistas, políticos, se soubermos resgatar a fé dos povos nos Mestres para o caminho interior que conduz ao Tesouro Oculto de cada um de nós.

     Os desafios são grandes, mas a recompensa é muito maior. A serpente da Ilusão deve ser desmascarada. Os donos da verdade, ser destronados. Deve-se contrariar a maioria acorrentada na Caverna de Platão para passar pela Porta Estreita. É necessário vencer o temor pela força do amor. Saber valorizar as convergências que somam e unem, desconsiderando as divergências que dividem e enfraquecem. 
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto  ilustrativa

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Só valorizamos aquilo que perdemos!

Dia das Mães, dia de pensar, de refletir.

 Um fato curioso acontece na vida de quase todos nós. Quando perdemos alguém ou alguma coisa nos sentimos prejudicados, abatidos, magoados.
Mas, será que nós valorizávamos devidamente o que perdemos?
Acontecem coisas maravilhosas em nossa vida, todos os dias, todos os minutos. O simples fato de estarmos vivos já é um milagre, pelo qual só temos que agradecer.

Muitas vezes, acordamos de manhã já com o pensamento voltado para as coisas materiais, para nossos compromissos, nossas contas, nosso trabalho... Esquecemos de agradecer por mais um dia em nossa vida, pelo sono reparador, pela cama aconchegante que nos acolheu durante a noite...

Levantamos correndo, apressados, pensando que um dia de 24 horas é pouco para tudo o que temos a fazer.

Se pararmos para pensar, veremos que temos muito mais a agradecer do que a pedir. Agradecer pelo corpo saudável, pela casa que nos abriga, pelo trabalho que temos, pelas amizades que fazemos ao longo de nossa vida...

Nem sempre temos tudo aquilo que desejamos, mas por certo temos tudo aquilo que merecemos.

Muitas vezes quando perdemos um ente querido ficamos nos sentindo desamparados, às vezes até nos revoltamos pensando: por que isso acontece comigo? Choramos a saudade, lamentamos a ausência. Mas, será que durante a vida daquele ente querido nós lhe demos o devido valor? Quantas vezes paramos para escutá-lo, fizemos um carinho, tivemos alguns minutos de atenção?

 Vemos certos jovens, rebeldes, revoltados com a vida, com os pais, engaiolados em seu egoísmo. Esses jovens crescem, amadurecem e um dia os pais se vão... Muitas vezes, isso acontece quando aquele jovem já não é mais tão jovem assim. Mas, o sentimento de “orfandade” é o mesmo, seja qual for a idade.

E agora? Quantos abraços não foram dados, quanto carinho ficou retido, quantas palavras não foram ditas... O que poderia – e deveria – ser feito não foi feito, agora é tarde para o arrependimento.

 O dia das mães me faz pensar em todas aquelas mães que não têm o carinho de seus filhos, que não recebem aquele abraço que tanto sonharam ou que não podem ter seus filhos perto de si.

 Uma das maravilhas que acontecem em nossa vida é o fato de termos tido uma mãe. Seja ela como for. Algumas vezes pensamos que nossa mãe poderia ter feito mais por nós, poderia ter sido desta ou daquela maneira, poderia ter nos educado de outra forma, poderia... poderia... Esquecemos de pensar que ela fez o melhor que pôde, fez tudo o que sabia. Se não fez mais ou melhor é porque era humana e, como tal, tinha erros e acertos, como todos nós. Esquecemos de lembrar quanto sacrifício ela fez para nos criar, quanta dor causamos a ela, mesmo sem ter consciência. E o mais sério: quantas vezes esquecemos de agradecer pelo que ela fez, pelo carinho que nos deu, enfim, pelo simples fato dela existir.

Neste dia das Mães vamos dar um carinhoso e forte abraço em nossa mãe, pessoalmente ou em pensamento, física ou espiritualmente. Não importa onde ela esteja, ela sempre será nossa Mãe.

A todas as mães do mundo, nosso sincero agradecimento e nosso carinhoso abraço. 
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Grande Ilusão!

Certo dia, ao entardecer, uma camponesa chegava à sua choupana. Ao abrir a porta e acender uma lamparina, percebeu, na penumbra, em um dos cantos, algo diferente e estranho. Apavorada, saiu rapidamente gritando:

           - Socorro, uma grande cobra, me ajudem!

            Os vizinhos rapidamente acorreram ao chamado. Vieram armados com paus para enfrentar a grande serpente. Agitados, formaram um grupo diante da choupana, mas ninguém se atrevia a entrar. Chegou então o marido da apavorada camponesa. Pelo grande alarido, pensou no pior. Informado dos fatos pela esposa, muniu-se de uma grande tocha acesa e entrou na casa, apesar das advertências dos amigos.

            A expectativa era grande, diante do silêncio dentro da casa. Surge então o homem na porta, arrastando algo. Todos recuam e ele atira diante deles um grande e grosso pedaço de corda.

           - Eis a grande “serpente”, a corda que comprei hoje à tarde para o meu serviço.

            Quantas “serpentes da ilusão” nos atemorizam a vida por nos deixarmos envolver pela falsa aparência das coisas. É necessário discernimento para não sermos vítimas do pânico que envolve a maioria (a camponesa e seus vizinhos) e coragem para enfrentar os fatos com sabedoria (o marido da camponesa com a luz).

            Enquanto a verdade não aparece, a ilusão mentirosa prevalece. Uma mentira, por mais fantástica que seja, e por maior que seja o número de pessoas envolvidas, não tem auto-sustentação e desmorona diante da Realidade que é auto-sustentável. A “corda” da nossa história continuou sendo corda mesmo quando a imaginação distorcida via nela uma serpente.

            A ilusão necessita ser alimentada para parecer “realidade”. A mentira também precisa de muita astúcia e empenho para continuar, até que surja a Verdade para destruir a farsa.

            Cabe aqui uma pergunta: em que nos empenhamos em nossa vida, em nosso dia-a-dia? Alimentamos inverdades por medo, comodismo ou interesses escusos, ou temos a ousadia de contrariar a maioria, expondo fatos verdadeiros?

            Já  disse Alguém, hoje pouco lembrado: “conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Queremos realmente esta liberdade? Ou deixaremos a mentira, os mentirosos nos manipularem para seus fins egoístas e inconfessáveis? Temos humildade para compartilhar nossas “pequenas verdades” em busca de Algo Maior.

            Discernimento, cooperação e humildade podem ajudar-nos a ver o falso, e então o Verdadeiro aparecerá. A decisão é de cada um, mas o resultado é para todos. Faça uma escolha consciente.
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto ilustrativa