terça-feira, 28 de abril de 2015

Valores da vida!



Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as observa, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa e ela não caiu; pois estava edificada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as observa, será comparado a um homem néscio, que edificou a sua casa sobre a areia. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e foi grande a sua ruína. (Mateus 7: 24-27)

Os termos casa, campo, terra, etc. são usados em parábolas, tanto no cristianismo como em outras religiões, relacionando-se com nosso corpo com tudo que ele contém. (Ver Tesouro Oculto, Orar, Parábola da Semeadura).

Desde que nascemos, estamos ligados a nossa casa biológica, nosso corpo, com capacidade, talentos etc. Quando crianças essas são potencialidades latentes que vão sendo desenvolvidas ou edificadas no decorrer de nossa vida. Hoje, damos muita atenção à educação e à saúde como algo básico para construir, edificar nossa casa biológica. É o que temos como realidade imediata e constante ao nosso dispor: um veículo completo para a caminhada evolutiva da consciência no ambiente onde estamos. Podemos viver focados constantemente no exterior, mas o instrumento para esse relacionamento de interação é a casa corporal com os meios que tem. Se ela foi construída solidamente sobre a rocha (valores) poderá resistir às intempéries do caminho sem desequilíbrios. Somos os planejadores e construtores de nós mesmos e a todo momento estamos 24 horas por dia diante dessa tarefa, mesmo quando dormimos.

Ser semelhante não significa ser igual. Somos diferentes. Isso é uma característica da Natureza – diversidade, multiplicidade – e assim Ela evolui no mineral, no vegetal, no animal e também no homem.
Mas, como viver e evoluir nesse meio natural aparentemente caótico e tão diversificado?
Gostamos de padronizar tudo, de uniformizar, de igualar, pois isso nos traz uma aparente segurança.

Mas, nós mesmos somos variáveis na nossa individualidade. Como crianças, como jovens, como adultos, cada fase tem suas semelhanças, mas com grandes diferenças. Mas, isso é Evolução que não é estática, mas dinâmica. A Natureza levou milhões de anos para evoluir seguramente e o homem está transformando a si mesmo e ao seu redor em pouco tempo. Será esta transformação uma evolução natural e segura, ou temos que rever alguns conceitos da espécie “homo sapiens”? (Ver Antropocentrismo) Como será o Planeta daqui 100, 200, 300, 1.000 anos?

Estamos construindo nossa casa biológica e transformando nossa casa planetária sobre valores firmes ou sobre a areia movediça?

O ego humano muito superficial se ilude com o imediatismo das sensações (Ver Auto-conhecimento e Ilusão) e não se interessa por conseqüências futuras, justificando-se que não estará mais presente para sofrer. Mas, atualmente sofremos o resultado da atuação humana do passado: quantos desertos já foram paraísos exuberantes de riquezas vegetais, minerais e animais? Quantos povos e culturas importantes foram dizimados pela insanidade humana?

Um mínimo de coerência nos faz questionar as qualidades do reinado do “homo sapiens” e fazer uma avaliação individual e global do presente para o futuro. (Ver O Bem e o Mal). As gerações futuras vão nos cobrar o nosso posicionamento de hoje. Podemos até descartar a responsabilidade para os governantes do coletivo, mas estes são fundamentos e princípios formados por indivíduos. Sejamos coerentes: nossa casa biológica tem resultados primeiro em nós mesmos – saúde mental, emocional e física. Depois influencia o meio onde vivemos e ele nos retribuirá em proporções multiplicadas.
Seja coerente. Sua atitude é importante para todos.

Texto de Iran Waldir Kirchner

Foto Ilustrativa

sábado, 21 de março de 2015

A Ilusão do ego pelo auto-conhecimento!

Por questões didáticas, separamos em círculos concêntricos para visualizar e entender cada parte do nosso eu pessoal ou ego. Na realidade, não existe separação entre elas, pois formam uma unidade pessoal bem coesa que interagem entre si e dão como resultado determinados estados de ser em nós mesmos. Esses estados de ser são muito variáveis em cada um de nós e dependem do comportamento e condições de cada faixa corporal atuante.

Pelo grande domínio que nossos cinco sentidos sempre ligados ao exterior têm sobre nós, parece impossível fechar as janelas de nossa casa e examiná-la como ela está por dentro. Tornamo-nos viciados e polarizados pelo externo. Descuidamo-nos de nossa fabulosa máquina biológica interior e só lhe damos atenção quando ela dá sinais de pane: dores, aflições, traumas, questões existenciais, etc. Aí então procuramos especialistas para remediar a situação. A prevenção pelo auto-conhecimento não nos parece prioritária e pagamos bem caro por isso. O caos na saúde pública é prova incontestável.
Esse vício desequilibrado pelas sensações dos cinco sentidos é o que vamos tentar entender para poder nos corrigir.

O que entendemos do fabuloso mundo exterior que nos rodeia e tanto nos fascina e domina? Entendemos primeiramente pelas informações recebidas pelos cinco sentidos, que, pelas suas limitações e variações costumam nos enganar e confundir. Essas sensações condicionadas são gravadas em nossa memória cerebral, onde outros dados, como as emoções, são acumulados desde que nascemos.

Esse banco de dados é imenso e pode ser acessado pela habilidade que cada um de nós desenvolveu.
Nossa capacidade mental de raciocínio, lógica e discernimento irá usar as informações cerebrais para planejar, decidir e comandar ações segundo o quadro mental formado. Esse quadro mental é um reflexo, uma projeção de informações presentes e passadas dos cinco sentidos e as emoções relativas.

Essa tela onde tudo isso é projetado como num filme dinâmico é a realidade individual própria, pessoal e distinta. Mesmo irmãos gêmeos, criados juntos e no mesmo ambiente, terão realidades distintas. Conclui-se que nossas realidades individuais são VIRTUAIS – IMAGINÁRIAS – ILUSÓRIAS. Interagimos com o Mundo Exterior e entre nós, baseados em nossa imaginação própria. No desenho, vemos que nossa consciência central (?) vai decidir uma ação, segundo o quadro mental do momento, passando pelo estado emocional (e + moção/motiva a ação) para depois haver o comando cerebral que irá atuar nos órgãos de expressão física: fala, gestos, olhares, movimentos – para interagirmos no meio onde estamos. Esse processo é tão rápido e automático que nossa consciência (?) não sabe avaliar corretamente cada informação que vem do exterior e pesar a sua reação para o exterior. É um processo quase instintivo com pouco discernimento e auto-observação.

O começo do auto-conhecimento necessita manter a consciência atenta e concentrada neste processo interior. Para isso, temos que fechar as portas e janelas de nossa casa pessoal (cinco sentidos) e acender a luz da razão e do discernimento interior e assim começa a auto-percepção e compreensão de nossa fabulosa máquina biológica. Um novo estado de consciência começa e veremos a VIDA de modo consciente e não reativo como antes.

Vamos valorizar a VIDA a partir de nós mesmos, nos conhecendo melhor, retirando os bloqueios e traumas que nos machucam e desvalorizam. Assim, podemos nos AMAR e AMAR NOSSOS SEMELHANTES.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto ilustrativa


sexta-feira, 6 de março de 2015

Orar !

Do termo ORO – expandir, abrir-se. Mas é um abrir-se para dentro e não esperar que algo de fora apenas possa acontecer. Podemos usar recursos exteriores para a oração: um local apropriado, figuras ou imagens, velas, incenso, luzes coloridas, fundos musicais, vestimentas, oferendas, leituras repetitivas se desejarmos. “Tu, porém, quando orares, entre em teu quarto e, fechada a porta, ora a Teu Pai que está em secreto; e Teu Pai, que vê em secreto, te retribuirá.” (Mateus Cap. 6, v. 6)

Jesus sempre orava e ensinava em lugares abertos, campos, colinas, à beira mar e pouco em templos e moradias. Dizia que Ele mesmo não tinha onde repousar o corpo. Seria uma contradição interpretar ao pé da letra sua orientação de como orar. Assim quem não tem casa não poderia orar. Mas, temos que entender com profundidade a simbologia de sua parábola.

Para a concentração em nosso íntimo, em nossa essência espiritual que nos liga a essência da Criação que tudo invade, é mais lógico e verdadeiro, fecharmos as portas e janelas de nosso corpo, nossos sentidos exteriores para focar nossa mente com atenção, concentração e profundidade em nós mesmos. Parece algo impossível esta reflexão interior pelo fato de estarmos viciados mental e emocionalmente nas informações dos cinco sentidos exteriores: visão, audição, tato, olfato e paladar. Paramos para refletir quando temos problemas de foro íntimo mas logo voltamos à rotina dominante. Isso não significa que nos alienamos dos sentidos externos mas que podemos educá-los para que não atrapalhem e até possam ajudar em profundas reflexões. Por exemplo, termos sempre à mão algo apropriado para isso como um rosário para orações, um livro de bolso, a figura de um mestre ou santo, um ornamento com simbologia apropriada, música, etc. Alguns minutos alternados no dia a dia são treinamentos para quando quisermos usar um tempo maior para oração, estudos, meditação, etc.

Todos temos à disposição elementos para nosso crescimento, tanto externo como interno. O que acontece é que polarizamos nossos talentos apenas no exterior e esquecemos o principal, o interior, onde está nossa Real identidade.
Jesus já advertia sobre isso quando ensinava “De que adianta ao homem conquistar o mundo e perder sua alma” (alma como essência, identidade Real).
Em outra parábola cristã fala-se sobre os talentos confiados ao homem. Os que aplicaram corretamente, ganharam mais e evoluíram; e quem não usou e enterrou perdeu o que tinha.
Outras parábolas são convergentes: o Tesouro Oculto, O Filho Pródigo, As Irmãs Maria e Marta.
Nos ensinamentos orientais – budismo, hinduísmo, taoísmo – temos referências semelhantes sobre a oração, a prece, a meditação, a devoção como caminhos de evolução integral do homem como um todo em harmonia com outros reinos naturais onde vive.
Veja e sinta as cores e formas mas também o Vazio entre elas, sem Ele elas não existem.
Escute todos os sons e também o Silêncio entre eles, sem Ele eles não existem.

Olhe em teus próprios olhos e pergunte: Quem sou Eu? ELE te responderá em teu coração: EU SOU. Sintonize e sincronize teu pensar, teu sentir e tua respiração no EU SOU pulsando em teu coração. Deixe que ELE te conduza.


Texto de Iran Waldir Kirchner - Foto Ilustrativa

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um novo ciclo!

   
  A Natureza apresenta fenômenos cíclicos constantes para a sua preservação e evolução. As estações anuais se repetem e influenciam a flora e a fauna de todo o planeta. Os dias se sucedem com fases diurnas e noturnas. O fluxo das marés são bem marcantes e nos obrigam a adaptarmos a ele as atividades marítimas. As fases da lua constantemente afetam tanto as plantas como os animais. Nós, seres humanos, envolvidos nos afazeres rotineiros, ficamos alheios a esses ciclos naturais e pensamos estar separados dessas influências ou até poder dominá-las.

     Grande engano pelo nosso egocentrismo, pois estamos integrados com essas influências naturais e cíclicas que nos envolvem. O processo atua não só externamente, mas internamente em nosso próprio corpo. 

Nossa respiração não é linear, mas alternada com a inspiração e a expiração, portanto, é cíclica. Nosso coração, com sístole e diástole, forma um ciclo completo que impulsiona o sangue em todo o corpo em sincronia. O sistema digestivo obedece a fases exatas que formam o ciclo de nossa manutenção orgânica. Temos períodos alternados de atividade e repouso, vitais para o nosso equilíbrio. Quer queiramos ou não, estamos envolvidos por ritmos cíclicos da vida, uns de maior duração, intercalados por outros menores, mas em perfeito sincronismo, formando uma imensa espiral ascendente rumo à evolução. Desde o minúsculo átomo até os sistemas solares que formam a nossa galáxia, estão envolvidos por essa sinfonia rodopiante de ciclos do ritmo criador.

     Tem um ditado popular que diz: não devemos remar contra a maré. E outro: Navegar de vento em popa. Isso demonstra naturalmente que devemos aproveitar as fases favoráveis de determinado ciclo e não nos desgastarmos fazendo oposição. Podemos aprender muito com os animais que instintivamente acompanham os ciclos da natureza.

     Pela auto-observação teremos o autoconhecimento de nossa máquina humana que sempre nos envia os sinais internos de suas fases cíclicas corporais, emocionais e mentais. Podemos escolher estarmos em sincronismo com nosso ritmo individual e aproveitarmos o melhor rendimento ou nos violentarmos tentando impor padrões contrários ao nosso ciclo vital e sofrermos as reações inevitáveis. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo”, já ensinava a filosofia antiga.

     Estamos iniciando um novo ano, ou seja, um novo ciclo Solar que dura um ano, formado por ciclos menores que são as quatro estações anuais. Cada estação contém ciclos mensais ou lunares, aproximadamente. Os meses se compõem de ciclos semanais e esses, de ciclos diários, que são os giros do Planeta em seu próprio eixo. Tudo no Universo segue um ritmo de Leis cíclicas, um “Relógio Universal” regula cada movimento, cada energia, cada mineral, cada vegetal e cada animal. 

Seremos nós, seres humanos, uma exceção a essa Norma Universal? Seremos nós o centro do Universo e os donos da verdade? A Perfeição cíclica nos envolve e queremos criar um mundo à parte, alheio à Totalidade Máxima, sem sincronismo e sintonia. Estaremos conseguindo isso realmente? A resposta está em nós mesmos e em nossa volta. Temos ouvidos para ouvir, olhos para ver e entendimento para compreender.
     Encontre-se e realize-se neste Novo Ano, em sintonia de pensamentos, sentimentos e atos com o TODO!

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto ilustrativa


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Do conhecimento à sabedoria!

Um sábio professor ensinava seus alunos ávidos de conhecimento, mas sentia-se frustrado por não poder transmitir-lhes algo mais elevado para orientá-los em suas vidas após concluírem a formação acadêmica. Imaginou, então, uma tarefa para toda a classe que pudesse ajudá-los no exercício futuro de suas atividades.

     Disse-lhes:
     – Quero que toda a classe faça um trabalho em conjunto sobre uma determinada fruta que, sendo especial por suas qualidades, é também muito rara. É uma tarefa muito complexa, mas vocês têm todos os recursos para fazer um verdadeiro tratado sobre este alimento.

     Toda a classe ficou entusiasmada, pois poderiam melhorar muito a média de suas notas finais. Os alunos dividiram-se em grupos para pesquisar com maior profundidade cada detalhe técnico daquela maravilhosa fruta. Saíram para as bibliotecas, livrarias e entraram até na internet em busca de informações técnicas as mais precisas e completas. Após dias de trabalho, reuniram-se e organizaram todos os conhecimentos coletados em um só volume e apresentaram orgulhosos ao professor, ansiosos pela nota de avaliação.

     O professor examinou todos os detalhes com muita atenção, fazendo expressões de admiração pelas minúcias encontradas, provocando o entusiasmo de toda a classe. Levantou-se solenemente, foi para perto dos alunos com o volumoso tratado nas mãos, e disse:
     – Ótimo trabalho, muito bom mesmo, rico em detalhes técnicos a respeito da nossa preciosa fruta. Só mais um ponto necessário para obterem a nota máxima: onde está nossa maravilhosa fruta? Quem de vocês saboreou-a para nos contar sua experiência?

     Toda a classe ficou muda e pasma. Ninguém teve a ideia de saborear a fruta e todos reconheceram a grande falha cometida.
     O professor, dirigindo-se aos alunos, disse:

     – Vocês passarão alguns dias em companhia de um modesto agricultor que cultiva essa fruta há anos e se alimenta dela. Ele vai complementar o conhecimento teórico de vocês com sua vivência prática e sua sabedoria. Então, farei a avaliação de suas experiências.

     Todos nós nos iludimos com o acúmulo de conhecimentos teóricos. Nosso orgulho é alimentado e cresce e ficamos bloqueados. Não aproveitamos a melhor parte – a vivência direta do conhecimento que vem a ser a verdadeira sabedoria.

     Na humanidade, existe uma carência muito grande da verdadeira Sabedoria, apesar de muitos sábios terem deixado exemplos de vida. Estamos – quase todos – abarrotados de conhecimentos em todos os níveis, mas a aplicação sábia é muito pouca. Sofremos nossas crises existenciais que a medicina tradicional não soluciona. Nossas almas estão tolhidas pelo intelectualismo superficial e deixamos de fluir nossa real natureza. Vivemos pela metade e não em nossa plenitude. O Sábio dos Sábios já alertava: “Apenas a letra mata, é o espírito da letra que vivifica”. E sobre os intelectuais da sua época apontava: “Eles colocam fardos pesados e muitas obrigações ao povo, mas não cumprem uma vírgula sequer”. E ainda: Eles têm as chaves do Reino da Bem-aventurança, não entram e confundem com exterioridades os que querem entrar.” Foi muito mais direto ainda quando disse: “São semelhantes aos túmulos caiados por fora, mas dentro só existe a podridão.”


     O conhecimento é apenas um meio, um recurso mais rápido para chegar à Sabedoria, que dá a verdadeira vivência completa – a do corpo e da alma.

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto Ilustrativa 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Adoração ao conhecimento (Parte II)

 
 O homem que não se deixa conquistar pela Sabedoria é como um barco que recusa um comandante – quando não se destrói, fica sempre vagando sem rumo. A Sabedoria desperta a criatura para sua verdadeira identidade como Ser Imortal que é, parte de uma Unidade Infinita. É por isso que os valores superiores sempre têm um sentido de Unidade, de união das criaturas, nunca de separação.

      A Sabedoria está acima dos nossos veículos inferiores, mesmo acima da mente com a maior bagagem de conhecimentos. O Conhecimento é  apenas um meio e, por si só, não leva além do plano material.   Se a criatura se basear apenas no Conhecimento, sem viver os valores da Sabedoria, só vai acreditar que é o físico e, como consequência, vai viver para o físico como sua única realidade.

      É assim que o materialista convicto, desprezando os valores da Sabedoria, entende que ele, como pessoa física, é um fim em si mesmo e não um meio de expressão de uma realidade maior.  É muito fácil confundir-se Sabedoria com Conhecimento. E até no campo religioso essa confusão é encontrada.

     O Conhecimento pode ser encontrado em livros e ser transmitido. A Sabedoria não é transmitida, nem pode ser escrita. É algo que pode nos tocar, mas não pode ser contida. O conhecimento é letra morta, só permanece no exterior. A Sabedoria é a própria vida que vivifica tudo o que toca e está no centro. Sabedoria é a vivência.

      A criatura, ao ser agraciada pela Sabedoria, não conquista algo, mas é conquistada. Ela não pode se servir da Sabedoria, mas só  deseja servi-La.
      Pode parecer um escravo, mas se sentir o mais livre dos homens.
      É uma lástima que muitos grandes homens em todas as religiões que poderiam ser verdadeiros mensageiros da Sabedoria para a Humanidade, como exemplos vivos, ficaram cegos pela letra. E deles já falava Alguém hoje já esquecido: Eles têm as chaves do Reino dos Céus, mas não entram e confundem os que querem entrar. E disse ainda mais: A letra mata, só o espírito vivifica.

      Em outras palavras: o Conhecimento, mesmo o religioso, é morto, inerte, mesmo que esteja gravado em letras de ouro e só seja pronunciado em cerimônias solenes e em lugares secretos. Só a Sabedoria, que é Divina, pode dar vida, a vivência, o exemplo.

      Aquele que busca a Sabedoria é semelhante ao garimpeiro que procura ouro. Vive a remexer cascalho o tempo todo e sempre está à procura de mais cascalho para remexer. Mas, quando encontra algum vestígio do metal precioso, por menor que seja, ele sabe que está próximo de um grande veio, e esquece todo o cascalho remexido durante longos anos e se dedica com atenção somente àquele ponto. As amostras que acha, mesmo que pequenas, são de incomparável valor em relação a todas as montanhas de cascalhos que já encontrou.

      Assim faz o buscador de Sabedoria: remexe montanhas de conhecimentos, mas deixa tudo para trás sem levar nada, pois não encontrou o que busca. Vai em frente e continua procurando, até que vê um pequeno brilho em certo ponto, minúsculo, mas pela luz ele sente que é verdadeiro. Naquele momento, todo o conhecimento do mundo não tem mais valor para ele, vai sempre naquela direção, não importa que esteja ainda longe, pois tem certeza de que a direção é correta.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Adoração ao conhecimento (Parte I)

Há  necessidade de uma vigilância constante, pois a personalidade usa de todos os recursos para se manter no poder, para se impor, e os recursos mais preciosos para ela estão na Mente ou corpo mental. Apesar de ser o mais sutil de todos os corpos inferiores, é, sem dúvida, o que tem mais influência pelas suas qualidades como a imaginação, a memória, o intelecto, o conhecimento. A mente, como veículo do Eu Superior, pode ser um canal maravilhoso para expressar os valores superiores do Espírito, a personalidade, quando usada pelo Eu inferior com finalidades pessoais e egoístas, ela se torna escrava de um poder ilegítimo e incompetente.

      Um exemplo é o mau uso que faz do Conhecimento de todos os ramos materiais. A personalidade se apossa desses valores mentais para si, usando toda essa bagagem em seu próprio proveito e interesse. Portanto, o Conhecimento, que deveria ser um meio de expressão de valores Superiores, tornou-se uma finalidade em si mesmo, sendo desvirtuado pela Personalidade num sentido contrário aos valores superiores, que põe em risco o domínio da Personalidade.

      Desse modo, para se autopreservar, a Personalidade endeusou o Conhecimento que, sendo dirigido e controlado por ela, lhe garante o seu trono. Essa inversão de valores faz com que hoje os Gênios sejam mais aclamados que os Sábios, pois a Sabedoria põe em risco a personalidade.

      Conhecimento é tido como sinônimo de superioridade. As pessoas são medidas pela quantidade de conhecimento que têm, pelo grau de instrução, pelo título, pela cultura superficial e material. Os valores espirituais estão em segundo plano, quando o certo é o inverso.

      É interessante se observar como existe uma inversão na ordem dos valores. O conhecimento, sendo considerado erradamente como um fim em si mesmo, é admirado e adorado independente de seus frutos. Seja um remédio inventado ou uma bomba poderosa, o que é mais admirado é a técnica, a capacidade usada. Do mesmo modo, quando se inventa algo supérfluo ou de utilidade real.

      O conhecimento, como uma ferramenta, só tem valor pelos bons frutos que possa produzir e isso depende de quem usa a ferramenta. Se a Personalidade é egoísta, o resultado será um desastre.

      Se fizermos uma análise fria e desapaixonada da situação mundial, veremos o resultado do mau uso do conhecimento. Os recursos naturais que existem fossem bem aplicados, sem egoísmo, sem ambição, não faltaria trabalho para ninguém e todos viveriam com dignidade. Mas, enquanto o personalismo dominar, veremos coisas absurdas como os gastos astronômicos em armamentos para destruir a vida humana, enquanto faltam recursos em máquinas e ferramentas para que muitos trabalhem para manter a vida. Veremos uma minoria vestindo-se, comendo em excesso e gastando outro tanto em remédios para se curarem de doenças que têm pela extravagância que fazem, enquanto muitos morrem pela falta de comida e vestimenta ou de remédios para curarem doenças causadas pela desnutrição. E a lista seria muito longa e desagradável.

      Essas são as consequências que a Personalidade provoca pelo mau uso do Conhecimento. E não poderia ser de outra maneira, pois ela reage aos valores superiores que lhe derrubariam de seu trono.

      Vemos como a falta de valores pode causar desequilíbrio. Esses valores vêm do Eu Superior em nós, e têm muitos nomes: discernimento, fraternidade, intuição, e tantos outros, que são reflexos da Sabedoria.

      Sabedoria é a própria Divindade em nós, é a única que dirige e governa sem erros. A Sabedoria é a única que pode libertar a criatura do domínio da personalidade e que pode coordenar e equilibrar nosso corpo, nossas emoções e nossa mente para que eles sejam bons instrumentos na execução de uma boa obra.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ciência e Religião

    
 No passado, a ciência ficou restrita em focos isolados com dificuldade de expansão pelo poder excessivo da religião. Hoje, pelos desafios encontrados e pelo compartilhar dos cientistas, visando o bem comum da humanidade, a ciência expandiu-se fantasticamente. Muitos dos mistérios da vida foram conhecidos, tanto no mundo microscópico, celular, como no macroscópico, extraplanetário. O ser humano precisa de forte estrutura emocional para enfrentar o crescimento intelectual provocado pelas ciências. Só as religiões podem cumprir essa tarefa e restabelecer na humanidade o equilíbrio entre Mente e Coração.

     Não existem mais condições para o isolamento entre as religiões. Hoje, a realidade é planetária, global; a expansão científica criou meios de interligação com todos os povos, todas as raças, todas as classes sociais. As barreiras da comunicação desapareceram.

     As religiões devem cumprir a responsabilidade que lhe cabe, pois elas têm calores interiores que o ser humano necessita. Não há espaço para a competição, o momento é de compartilhar esforços para que a humanidade, envaidecida pelos poderes científicos, não se autodestrua.
     A cabeça (intelecto) e o coração (sentimento) necessitam de equilíbrio de crescimento para que o corpo não sofra os efeitos dessa anomalia.
     A humanidade hoje toma um só corpo interligado. Do equilíbrio e do compartilhar entre ciência e religião depende sua sanidade.

     Criacionismo e evolucionismo são apenas indicativos convergentes para uma Realidade Maior. Infelizmente ainda existem alguns “donos da verdade” que usam esses rótulos para encobrir seu orgulho e sua vaidade e evitam, pela falta de humildade, o compartilhar, entrando na competição desgastante e infrutífera.

     Alguns cientistas já deram os primeiros passos para esse encontro, demonstrando sua religiosidade, como por exemplo, o famoso Albert Einstein, quando afirmou: “Do mundo dos fatos não há nenhum caminho que conduza ao Mundo dos Valores; estes vêm de outra Região” e também “Pelo muito pensar não chego a soluções; quando aquieta minha mente as soluções vêm”.

     Assim também, alguns filósofos, teólogos, com grande espírito científico, deram sua contribuição à humanidade, como por exemplo, o nosso saudoso brasileiro Huberto Rhoden, que afirma em suas obras que “a filosofia cósmica ou Univérsica funciona na base da mais rigorosa lógica ou matemática”. “Dentro do fato objetivo da presença de Deus, existem todas as misérias humanas – pecados e doenças. Dentro da consciência subjetiva dessa presença divina não pode existir nenhum pecado, nenhuma doença”.

     O mesmo filósofo nos ensina: “Um único segundo de contato real com o mundo divino [Valores] pode transformar a vida inteira de um homem [Fatos]”. W conclui, dizendo que a felicidade é a consciência da harmonia com o Infinito; infelicidade é a ignorância dessa harmonia.

     A ciência pode compartilhar seus recursos com a religião e vice-versa. A Verdade é um ideal comum, que pode libertar a humanidade dos conflitos e sofrimentos, provenientes do desequilíbrio entre intelecto (mente) e coração (sentimentos), hoje tão evidenciados no comportamento humano.

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto Ilustrativa


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

O desequilíbrio (Parte II)

      Essa direção só pode ser dada pelo Eu Superior em nós. E Ele está  sempre presente, mas devido a certa resistência, sua direção é  distorcida. Houve uma espécie de complô subversivo para opor-se a um Poder Superior Legítimo do Eu Superior. Os elementos subalternos, três veículos de trabalho – corpo físico, corpo astral ou emocional e corpo mental ou intelectual – formaram um Triunvirato, sublevando-se contra o Eu Superior. 

Com isso, surgiu o usurpador do direito, o impostor que se auto-elegeu diretor sem qualidades para isso – o impostor tem o nome de Personalidade.

      Pode-se entender a razão para o desequilíbrio das criaturas dominadas pela personalidade. É uma falsa identidade sem diretrizes definidas, apenas servindo de testa de ferro aos interesses secundários dos corpos inferiores. E como eles também não têm a visão superior para se auto-dirigir para um trabalho de conjunto, o ser humano fica como dividido, sofrendo a imposição de tendências diferentes. 

O físico vai se impor pelas suas necessidades, quer sejam fundamentais ou superficiais, o máximo de conforto, com alimentação excessiva e o mínimo de esforço e atividade. O emocional, sempre vibrante, procurará sempre as mais fortes emoções, não importando que com isso prejudique os outros corpos. O mental, livre, sem uma direção superior, será sempre um sonhador, imaginando castelos de areia, tentando realizar sonhos impossíveis e, com isso, arrasta o físico e as emoções para situações penosas. E o próprio corpo Mental ficará frustrado e melancólico, pois seus companheiros não podem acompanhar sempre os devaneios da mente sonhadora.

      Assim, pode-se entender o porquê de tanta instabilidade e incoerência nas pessoas; a soma de influências tão variáveis, dependendo da predominância de uma das três, vai provocar mudanças bruscas na personalidade de uma hora para outra. É o que se nota de um modo tão comum entre as pessoas, que até é considerado como coisa normal: poucos se entendem e, na maioria, ninguém entende ninguém e só mantém as aparências por imposição das circunstâncias, em outras palavras, à força.

      E isso é tudo uma conseqüência muito lógica e evidente: se cada ser humano pouco ou nada conhece de si mesmo, jamais vai se entender e muito menos a seus semelhantes.

      É neste ponto que a Teosofia tem um papel muito importante, oferecendo recursos para que o indivíduo se conheça melhor, com profundidade. Cada criatura é um mundo diferente e fantástico, portanto não existe uma receita milagrosa para todos. Existem, sim, marcos que servem de referência apenas, cada um tem como tarefa descobrir por si mesmo os caminhos individuais. Isso não cai do céu gratuitamente e não é possível “fazer cola” ou copiar, pois o que serve para um pode ser contraindicado para outro.

Texto de Iran Waldir Kirchner
 Foto Ilustrativa 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

O desequilíbrio (Parte I)


      A humanidade atravessa hoje uma fase crucial devido a poucos valores que aceita viver.
      A criatura está sob quase total influência somente dos três veículos inferiores – corpo, emoção e mente. Com os veículos superiores pouco desenvolvidos e com a falta de valores que eles podem oferecer, o ser humano não encontra saída para seus problemas. 


Outro fator que agrava mais esta situação é o desconhecimento de si mesmo como uma criatura superior que é, muito acima do plano físico que conhece. Poderíamos pensar que a maioria das pessoas hoje tem conhecimento de que possuem uma alma e não apenas a matéria física, e a maioria delas responderá que acredita nisso. Mas se analisarmos como vivem o dia-a-dia, notaremos uma grande contradição, o que prova um desconhecimento quase total da criatura de si própria.

      Por isso, é evidente que a criatura humana está sendo dominada pelos três corpos – físico, emocional e mental. Todos eles estão bem desenvolvidos e com grande influência. A Teosofia ensina que esses corpos são apenas instrumentos de um Eu Superior em nós. Entende-se por instrumento como sendo um meio de expressão, uma ferramenta com a qual podemos executar uma tarefa com finalidade definida. 

Se compararmos nossos corpos com uma ferramenta comum como um martelo, uma talhadeira ou um esquadro, veremos que tem pouco sentido, pois elas são inertes e não têm vida própria. Mas, se compararmos com uma grande máquina que não deixa de ser também uma ferramenta, veremos que é diferente. 

Um computador, por exemplo, é uma ferramenta bem mais complexa, tem certa autonomia para executar muitas funções. Mas, mesmo assim, ele tem de ser dirigido, suas funções têm de ser programadas para cada finalidade específica. Esta máquina, por si só, não possui autodeterminação, apesar de ter certa autonomia, não é um fim em si mesma, mas apenas um instrumento, veículo de trabalho.

      Do mesmo modo são nossos corpos inferiores – corpo, emoções e mente. São incomparavelmente mais complexos que qualquer máquina existente. Podemos chamá-los de Inferiores em relação a outros, mas se reunirmos todos os computadores do mundo juntos, eles não fariam as funções que faz o nosso pequeno cérebro físico. Cada um deles tem uma vida própria e sabe executar devidamente funções relativas a seu campo de ação. 

Mas, são veículos apenas, não um fim por si mesmos, apenas meios para uma finalidade determinada. Uma máquina por si só não faz coisa alguma de valor, necessita de um operador de categoria. O corpo, a emoção e a mente também necessitam de uma direção superior para que participem da execução de uma obra bem definida.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa 



segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

Introdução (Parte III)



A mente, com todos os conhecimentos acumulados e com tanto domínio no plano físico e emocional, é uma ferramenta imprópria para ir mais além. O máximo que ela pode fazer é tangenciar estes limites, ou passar de raspão, mas nunca ir além deles.
      Mas, nada impede que a Mente receba impulsos que vêm daquilo que está  acima dela, desde que ela aceite e se prepare para isso. 



Aceitar no sentido de se conscientizar como sendo apenas um veículo ou um instrumento do Eu Superior. E preparar-se no sentido de afinar-se ao máximo para poder ser sensibilizada por vibrações muito mais elevadas.

      É como um instrumento musical de corda, por exemplo. Se não estiver afinado para uma nota bem alta da escala musical, as cordas não refletem as vibrações daquele tipo de som.

      Mas, quais e o que seriam estas vibrações superiores, ou valores superiores, que podem sensibilizar a mente e criar uma ponte de ligação entre o eu inferior e o Eu Superior mais além? Se procurarmos examinar com profundidade o sentido de certas palavras – por exemplo: fraternidade, discernimento, intuição, solidariedade, desapego, caridade – vamos notar que tudo isso pode ser sentido, mas não pode ser explicado mentalmente. 

Duas pessoas podem saber do que se trata por sentirem a mesma coisa, mas não por aprenderem por palavras. Esses valores superiores são apenas reflexos do que está acima do nosso eu inferior pessoal, é por isso que podem ser sentidos, mas não compreendidos mentalmente.

      Como o tema de hoje tem o título Do Conhecimento à Sabedoria, podemos colocar que esses valores superiores são como reflexos de Sabedoria. A Sabedoria é, então, a meta final do nosso Eu Interior.

     Pouco ou nada se pode falar sobre Sabedoria, mas podemos aprender muito com a observação de seus efeitos na criatura. E, melhor ainda, o que a carência dos valores de Sabedoria pode provocar.

     Não significa que eles não estejam sempre atuando, mas que existe uma resistência maior ou menor nas pessoas.

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto Ilustrativa 

 

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria

 Introdução (Parte II)
     
 Se imaginarmos um atleta com um ótimo físico e as emoções bem desenvolvidas, mas com pouco ou nenhum raciocínio, veremos que não terá chance de vencer. Temos aqui o papel fundamental da Mente. É só através da mente, do raciocínio cada vez melhor, que nosso atleta poderá saber como fazer treinamentos cada vez melhores, observar suas deficiências e corrigi-las, usar todos os recursos ao redor.

      Da mesma forma, a Mônada (Espírito e Alma) teve a necessidade de criar um corpo mental para disciplinar e coordenar o físico e as emoções, e assim, aperfeiçoá-los ainda mais. Desse modo, cada músculo, cada fibra física, cada emoção ou sentimento, estarão bem afinados e prontos a desempenhar suas funções com perfeição.

      Podemos comparar isso também com uma orquestra em formação, os instrumentos serão partes do corpo físico, cada um com uma função. Os instrumentistas seriam as emoções, os sentimentos. O maestro, que procura treinar os músicos, seria a mente.

      Vamos agora imaginar o nosso atleta já completo: tem um corpo perfeito em todas as suas funções, suas emoções foram desenvolvidas ao máximo, a mente está formada, com uma memória, um raciocínio razoável e também uma bagagem considerável de dados, de informações, de conhecimentos. Em resumo, o atleta existe e tem seus veículos básicos formados.

      Mas, qual seria o objetivo do nosso atleta? Será que apenas o fato de ser um atleta é o suficiente? É evidente que não. Não existe alguém que, sendo realmente um atleta, pense que só isso é tudo o que quer.

      O verdadeiro atleta busca sempre a conquista da Vitória. Não existe objetivo maior que este. Se ele não conquistar uma Vitória sequer, por menor que seja, todo o esforço feito foi totalmente perdido. Ser um atleta apenas não é um objetivo, mas apenas um meio para tornar-se um vencedor, um verdadeiro campeão, nada menos que isso. Portanto, os meios, por melhores que sejam, não são uma finalidade por si mesmos, e tornam-se inúteis se não forem dirigidos para um alvo muito além deles próprios.

      Agora, transportando tudo isso para o nosso assunto: Qual seria o objetivo da Chispa Divina em cada um de nós ao criar e desenvolver os veículos que temos – o físico, as emoções e a mente? Seria isso o único objetivo da Mônada? O de ter bons instrumentos de trabalho para não fazer mais nada? Eu creio que todos nós já sabemos que não é isso, mas sim que existe uma incessante busca de um Alvo muito além dos meios existentes. E como esta conquista está acima dos veículos, e sendo nossa mente concreta (ou inferior) apenas um desses veículos, não é com ela que vamos entender o que está acima. Ela apenas nos indica pelo raciocínio que existe algo acima, a que podemos dar muitos nomes – Libertação, Realização, Deus, Sabedoria e muitos outros – mas para a mente inferior, mente intelectiva, tudo está além dos seus limites, além do seu raio de ação.

Texto de Iran Waldir Kirchner
 Foto ilustrativa 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

INTRODUÇÃO (Parte I)


      Antes de tratarmos do assunto propriamente dito, é necessário que nos situemos devidamente, para termos uma visão do conjunto primeiro para, só então, focalizarmos o ponto que vamos tratar. Caso contrário, ficaremos perdidos.

      Para termos uma ideia, imaginemos um atleta fantástico, que executasse um ato prodigioso e que observássemos apenas o final do acontecimento, sem termos visto o processo desde o início. Assim, não entenderíamos como chegou ao final glorioso.

      Da mesma forma é a conquista da Sabedoria que, sendo um triunfo além da imaginação humana, é a razão para todo o cuidado necessário.
      Faremos sempre um paralelo comparativo entre a figura do atleta com relação ao nosso estudo.

      Antes que possa existir a pessoa do atleta é imprescindível que exista uma individualidade central, sem a qual nada pode existir. Essa individualidade, este ser consciente, seria, em nosso estudo, a Chispa Divina, a identidade espiritual, um centro de consciência embrionária, em outras palavras, o Eu Superior em nós (a Mônada - Espírito e Alma).

      Assim como o nosso atleta necessita de um corpo físico completo e adequado para seu propósito, da mesma forma a Consciência teve que formar dentro do mundo manifesto em veículo apropriado para se relacionar com o plano físico. Após muito trabalho no laboratório da Natureza, surgiu o ser humano ainda em estado primitivo, muito rústico, mas fisicamente completo e auto-suficiente para sobreviver e preservar-se dentro da Natureza.

      O corpo físico por si só, mesmo completo, preparado para sua sobrevivência no meio ambiente, seria apenas um ser primitivo sem qualidades especiais que o destacassem do reino animal. É aí então que entra o importante papel do corpo emocional ou astral, como uma alavanca motora do físico para tirá-lo de sua inércia natural e incentivá-lo em novos rumos. Por isso, a Mônada, já tendo a matéria bruta como base, acelerou o desenvolvimento emocional. Se compararmos isso com o nosso atleta, veremos que apenas um corpo não é suficiente, é necessária a presença de forte desejo de ir em frente. O corpo emocional bem desenvolvido aperfeiçoa as qualidades do físico, torna-o mais sensível e pronto a seguir um comando.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto ilustrativa

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Auto-realização pelo amor. (Parte final)

LIBERTAÇÃO 
      É uma conseqüência da Auto-realização, paralela; a medida o apego ao exterior pela busca interior, aquelas correntes que já falamos se tornam elásticas e menos pesadas (corpos).


ILUMINAÇÃO 

      Na medida em que nos afastamos da ignorância sobre nós mesmos, ou seja, quanto menos acreditarmos que somos apenas um corpo físico, com desejos e apegos, haverá mais aproximação com nossa Real Identidade e a sua luz vencerá melhor as resistências e será percebida no exterior.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Auto-realização pelo amor. (Parte III)

REALIZAÇÃO 

      Quando ouvimos a palavra auto-realização sempre nos vem à mente algo que possamos construir, formar ou fazer aparecer. Isso tem sentido se tratando de algo que esteja encoberto, escondido. Por exemplo, alguém que tenha perdido a memória e esquecido sua própria identidade. Ele seria o mesmo, mas assumiria um outro nome, formaria uma outra vida ao seu redor e com tudo diferente, pois seus laços de origem foram partidos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Auto-realização pelo amor. (Parte II)

MOTIVAÇÃO 

      Poderemos notar em todos nós que sempre estamos à procura de algo, em busca de um objetivo, de um ideal. Mesmo nos animais isso existe, mas em forma menos racional, meio instintiva. Isso é uma constante no ser humano, seja ele quem for – letrado ou analfabeto, homem ou mulher, criança ou adulto. É impossível imaginar alguém que não procure algo melhor para si mesmo, até mesmo o andarilho errante, que aparentemente não tem nenhum ideal, acredita que naquela maneira de vida achará algo que lhe falta. Portanto, se existem diferenças, são os objetivos e os modos de alcançá-lo, mas o impulso natural é o mesmo em todos nós.

      É justamente o ponto dos nossos objetivos que é necessário compreendermos bem. Por exemplo: todos nós buscamos diversos objetivos ao mesmo tempo. Temos os objetivos do dia-a-dia, do mês, do ano, etc.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Auto-realização pelo amor! (Parte I)


INTRODUÇÃO 

      As dificuldades do tema devido suas características próprias: muitos livros foram escritos sobre a REALIZAÇÃO – LIBERTAÇÃO – ILUMINAÇÃO, mas Aqueles Seres que atingiram estes estados de evolução deixaram muito pouca informação sobre isso. Portanto, nota-se a impossibilidade de transmissão que houve sobre o assunto que transcende aos nossos níveis normais de compreensão e análise.

      Podemos fazer uma modesta comparação com a seguinte situação: Por exemplo – suponhamos uma paisagem fantástica vista do alto de uma imensa montanha, e que a conhecemos pelos estudos e livros e não diretamente. Podemos gastar 100 anos lendo livros

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Inferno verde X Paraíso de Pedra


Há  algumas décadas, quase tudo o que se referia à selva, às grandes matas virgens, recebia uma conotação negativa, de perigo, de ameaça, de mistério. Assombrados pelos contos fantasiosos sobre os perigos que rondavam aqueles reinos, a grande maioria evitava qualquer contato, com pavor até do que poderia lá encontrar. Serpentes, animais ferozes, plantas venenosas, canibais e muitas outras ameaças à vida humana. Realmente, a imagem transmitida era a de um verdadeiro inferno, onde as forças maléficas espreitavam os incautos