segunda-feira, 22 de junho de 2015

O Tesouro oculto!

Conta uma parábola cristã: “O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido em um campo. O lavrador o descobre e, extasiado pela sua imensidão e esplendor, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo, tomando posse do fabuloso tesouro”. (Mateus, 13:44)

Um ensinamento oriental, mas convergente, complementa: “Aquilo que chamas corpo ou teu eu pessoal é o Campo e quem o conhece é o Conhecedor do Campo. A Maior Sabedoria é o discernimento entre o Campo e o Conhecedor do Campo”. (A Canção do Senhor – Bhagavad Gita, 12:1-1-2-3).

É uma constante em todos os tempos nos ensinamentos espirituais da humanidade, a indicação para a busca interior, para o essencial, para a alma. Muitos instrutores, em diferentes épocas e de muitas maneiras, têm apontado para a mesma direção, de modo convergente, para dentro. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo”, já ensinava Sócrates, filósofo antigo. O que se oculta em cada criatura e que é de tão grande valor?

Nossos meios de percepção são impróprios para esse conhecimento, pois usam os cinco sentidos físicos que só percebem o que é exterior, o que chamamos de realidade concreta. E, como conseqüência, investimos o tempo todo naquilo que vemos, tocamos, ouvimos, cheiramos e degustamos. Jesus já ensinava que muitos tendo olhos, não vêem, e tendo ouvidos, não entendem.

A humanidade é afetada pela carência de valores interiores, pois mesmo satisfazendo os sentidos exteriores nas sensações do mundo, falta Algo para uma Real Felicidade. Será esse tesouro escondido em nós mesmos que nos faz tanta falta? Mas, como conquistá-Lo se desgastamos tanto nossas energias na procura de bens exteriores? Existe um círculo vicioso que envolve a humanidade e é alimentado de muitas maneiras: pela educação materialista, pela propaganda enganosa, pela competição brutal pelo poder material que massifica e oprime o ser humano, obrigando-o a ser um objeto de consumo descartável.

Sempre existiram ensinamentos convergentes para a libertação, se soubermos compartilhar idéias, sem preconceitos religiosos, raciais, nacionalistas, políticos, se soubermos resgatar a fé dos povos nos Mestres para o caminho interior que conduz ao Tesouro Oculto de cada um de nós.

Os desafios são grandes, mas a recompensa é muito maior. A serpente da
Ilusão deve ser desmascarada. Os donos da verdade, ser destronados. Deve-se contrariar a maioria acorrentada na Caverna de Platão para passar pela Porta Estreita. É necessário vencer o temor pela força do amor. Saber valorizar as convergências que somam e unem, desconsiderando as divergências que dividem e enfraquecem.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa 







sábado, 13 de junho de 2015

Auto-conhecimento (Parte II)

1.F ase mais superficial, material, imediatista. Nome, família, condição social, profissão, etc. Impera o instinto de preservação, segurança, integridade externa. Fase onde imperam os cinco sentidos. Dimensão onde interagimos naturalmente e é realimentada e sustentada como prioritária a qualquer custo, motivo quase único da grande maioria. Características humanas: individualismo egoísta, dualidades conflitantes, competições desgastantes. Estados de consciência: prevalece o mental inferior comandado pelo emocional instintivo, com pouco ou nada de auto-conhecimento.


2. Fase de auto-conhecimento mais interna. Temperamentos diversos. Melhor grau de percepção do físico, emocional e mental. Conhecimento de suas possibilidades e limites. Fase de auto-conhecimento geralmente despertada por impactos quando há crises de saúde física, emocional e mental. Características humanas: melhor compreensão dos semelhantes, começo da solidariedade mesmo que ainda dualista, auto-estima, respeito, humildade e busca de outros valores. Estados de consciência: um pouco de reflexão sobre a realidade pessoal ainda atrelada ao ego humano. Início do auto-conhecimento mais profundo e procura de recursos apropriados como estudos, meditação, compartilhar de experiências, etc.


3. Fase de percepção do EU Maior, Consciência. Observador da realidade individual limitada e da Realidade Maior envolvente onde vivemos e interagimos. Percepção das limitações das fases anteriores, dominadas pela ilusão dos sentidos. Auxílio de níveis de consciência diferenciados e acima das duas condições anteriores. Percepção do que transcende o que é materialmente imediato. Fase difícil de comprovar cientificamente, só sinalizada por conceitos filosóficos e religiosos por uma sensibilidade acima do comum. Percepção do transcendente, do metafísico e também do imanente em cada pessoa, em cada reino. Percepção da Grande Unidade onde vivemos. Características humanas: grau de integração ampliada. Compreensão do monismo universal. Compreensão dos corpos sutis, chakras, equilíbrio dos opostos (Ying – Yang, bateria). Estados de Consciência: focalização mais voltada à evolução de si mesmo e da espécie humana, em conjunto com os reinos naturais. Investimento no que é superior ao trivial, comum, corriqueiro. Estado de Comunhão com o Universo pelo essencial, pelo espiritual, transcendendo os reflexos múltiplos e aparentemente confusos e inexplicáveis.

 Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa  OK





domingo, 7 de junho de 2015

Por que meditar com o auto-conhecimento? (Parte 1)

1-Tomar  consciência, controle e habilidade para com a nossa máquina biológica humana, pouco conhecida. Usamos apenas 10% da nossa capacidade cerebral. Cada célula orgânica tem informações que dariam para escrever mil livros de 600 páginas. Nossa comunicação orgânica é uma comunhão total de informações para nossa auto-preservação.

Estamos 24 horas em companhia de nós mesmos. Quem sou? Onde estou?
Já nascemos com tudo o que necessitamos para conquistar um paraíso pessoal. Nossos talentos e oportunidades estão sempre à disposição. Parábola dos talentos e do tesouro oculto.

O que é real e permanente para cada um de nós além de nós mesmos?
Nossa individualidade nos acompanha sempre em toda nossa vida. Tudo ao nosso redor é variável, im-permanente: objetos, pessoas, amizades, bens e circunstâncias. Mas cada um de nós é o centro, o ponto de referência de tudo que nos envolve. Daí o grau de importância que justifica o auto-conhecimento em todos os níveis: físico, emocional, mental, consciência e outros mais profundos.

Quem sou eu? É o ponto de partida para qualquer intenção fora de nós mesmos. Se temos uma casa e pouco ou nada conhecemos dela, teremos poucas chances de saber o que será realmente importante para torná-la melhor, mais confortável e agradável. Nossa casa pessoal e individual (nosso corpo) é nossa moradia para uma vida toda. Não podemos trocá-la, mas podemos torná-la melhor e assim viver bem em qualquer circunstância exterior.

Deste ponto de partida fundamental depende o seguinte: Onde estamos? O meio onde interagimos, nossos relacionamentos em todos os sentidos – familiares, sociais, raciais, religiosos, nacionais, etc. – onde poderemos encontrar os recursos para o nosso auto-conhecimento.

2. Descobrir e superar traumas, resistências e condicionamentos que bloqueiam nossa Evolução. A ilusão do Ego (desenho)

3. Encontrar o equilíbrio entre nosso eu pessoal externo, que atua no mundo material, e o nosso Eu Essencial. Ver Energias de Sustentação. Conseqüentemente, podemos superar conceitos errôneos que nos separam de nossos semelhantes, sejam eles raciais, religiosos, políticos, sociais, sexuais etc.

4. Compreender a realidade múltipla e diversificada em nós, em nosso redor, e em todo o planeta. É um fato concreto e natural na evolução do planeta. É onde devemos viver em harmonia, na espécie humana com os reinos que nos envolvem. Diversidades compartilhadas e convergentes são características e recursos para evolução harmônica e equilibrada, sem conflitos e destruição.

5. Crescermos em Sabedoria, Felicidade e Prosperidade, pelo auto respeito e valorização, aprendendo e praticando a lei do compartilhar para um ideal superior e universal, superando a competição egoísta que nos isola e gera conflitos. A natureza demonstra esse fato, em seus reinos mineral, vegetal e animal. Interferimos nesse processo e sofremos as conseqüências pela falta de uma sintonia criativa da vida. A Grande Unidade. Todos somos Um. Aprender a estar integrado. Transcender aspectos opostos na Grande Unidade. Ying – Yang. Os polos da bateria. 

Texto de Iran Waldir Kirchner

Foto Ilustrativa

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Energias da sustentação - Elementos na meditação (continuação)

P
 
ranayama não é um simples exercício respiratório, mas é uma prática para a recepção do Prana (energia vital básica) para que equilibre o físico, o emocional e o mental. Esses três elementos, quando não ajustados entre si, desarmonizam a criatura, alterando o ritmo cardíaco, a pressão, a digestão, os reflexos, a visão e principalmente a respiração que diminui a oxigenação do sangue, fechando o ciclo vicioso e acelerando a queima de energias até a exaustão, favorecendo assim a ocorrência da doença.

            A respiração (Sopro Divino) é a principal fonte de energias, não apenas o oxigênio, mas uma enorme variedade de energias solares que estão no ar, sustenta o ser humano que, sem isso, perece em 5 minutos.
            O Prana (Oriente), a Força Ódica (Mesmer), o Ká (Egito), o Chi ou Ki (China), o Fluido Cósmico (Kardec) referem-se à mesma energia recebida pela respiração.

            A água é o segundo elemento nesta escala, pois é grande condutora de energias positivas quando límpida, e depuradora quando é expelida retirando as energias negativas. Alguns dias sem ela é fatal. A água tem o poder de captar nossas energias, tanto as positivas como as negativas. Nosso corpo físico é formado por uma grande percentagem de água. Pela qualidade de nossa água corporal somos grandemente afetados. O cientista japonês Masaru Emoto fez uma longa pesquisa a respeito da influência de fatores externos sobre a água. Suas conclusões estão relatadas no livro “O Poder da Água”.


            O repouso é o terceiro ponto importante na manutenção das energias e recuperação física, mental e emocional. Saber relaxar e descontrair significa não desgastar-se inutilmente. Perceber e sintonizar-se com o ritmo dos ciclos é importante.

            O último elemento nessa escala é o alimento sólido, pois é possível viver sem ele muitos dias, se necessário, desde que não faltem os três principais: o ar, a água e o repouso. O máximo cuidado deve haver com a alimentação sólida quanto à pureza, ao grau de simplicidade e principalmente quanto à quantidade, pois ela necessita de muita energia para ser processada e absorvida, sendo que muitos órgãos têm que trabalhar para isso. É grande engano praticar excessos neste último elemento para compensar a carência com os três primeiros e principais. A doença física, nervosa e mental será inevitável.

            Voltando ao Pranayama, vimos que anormalidades físicas, emocionais e mentais alteram a respiração. Podemos neutralizar esses estados com uma respiração consciente. A respiração perfeita, com vibrações sonoras e mentais (mantrans) têm influência direta no físico, nos nervos e nos pensamentos. Esse é o real significado do Sopro Divino citado na Bíblia.

            Nosso sistema respiratório é um dos maiores e mais complexos do nosso corpo, não se trata apenas dos pulmões, mas principalmente de todo o sangue (3 a 5 litros) que é o maior veículo de nossas energias vitais. A prioridade desse alimento, o ar puro, é fundamental à sanidade física, emocional, mental, psíquica e espiritual, principalmente. Temos escrúpulos com a comida sólida, a última em grau de importância: primeiro o ar, em segundo a água, em terceiro o repouso e em quarto a comida. É também o último em quantidade necessária: primeiro, o ar, dezenas de milhares de litros por dia, e em quarto e último, a comida. Podemos sobreviver sem ela por muitos dias ou normalmente com apenas alguns gramas ao dia, décimos de litro; é a água que lhe dá maior volume e peso. E apesar de todas as evidências científicas, o humano é levado pela propaganda:

VIVA BEM COMENDO MUITO – BEBENDO COM MUITAS MISTURAS: ANILINAS, CORANTES, ADITIVOS, SABORES QUÍMICOS, ÁLCOOL, ETC. – RESPIRANDO PERFUMES ARTIFICIAIS, DESINFETANTES TÓXICOS, INSETICIDAS FULMINANTES, SEM FALTAR UMA ANESTÉSICA FUMAÇA DE TABACO. DURMA BEM COM CALMANTES E PSICOTRÓPICOS, AO SOM ESTEREOFÔNICO DE APARELHOS SOFISTICADOS E RELAXE VENDO IMAGENS MULTICOLORIDAS DAS INTRIGAS E DESGRAÇAS DO MUNDO TODO. 

A inversão de valores faz a troca das coisas simples, naturais e nutrientes por outras complexas, artificiais e venenosas. Deixa-se o fundamental pelo supérfluo, o interior pela superfície, a essência pela casca, o conteúdo pelo envoltório, o espírito pela matéria, o centro pela periferia. Quem só vê a cara não vê o coração.

Texto de Iran Waldir Kirchner
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Energias de sustentação - Introdução




O
 assunto sobre as Energias de Sustentação parece que nada tem a ver com Meditação, mas tem. A concentração é um requisito indispensável à Meditação. Mas, concentração de quê?
                     Dos pensamentos, da mente, dos sentimentos e até do corpo físico.



Saber concentrar-se envolve o conhecimento das energias que influenciam nossos corpos: mental, emocional e físico. Com conhecimento, atenção e prática diária nas tarefas de rotina, aprendemos como usar as energias em nosso favor e não contra nós.

Outro ponto importante é saber que tudo em nós e ao nosso redor pulsa em ritmos cíclicos. Por exemplo: nosso coração tem ritmos próprios segundo as necessidades; a respiração também, a digestão, os movimentos físicos e repouso, e muitos outros. Observar o sincronismo desse ritmo cíclico é importante tanto para a vida diária como para a Meditação. Também a natureza em nossa volta tem seu ritmo bem claro: dias e noites, estações anuais, marés, fases lunares, ciclo das águas, e tantos outros que influenciam a vida.

Muitas outras energias estão presentes à nossa volta como sustentação do nosso equilíbrio físico, emocional, mental e espiritual. Percebemos apenas algumas delas e damos importância mais às que despertam nossos sentidos instintivos: fome, frio, sexo, medo, segurança, paladar, olfato, etc.

A força da gravidade do Planeta Terra, que nos mantém firmes no solo, nos dá equilíbrio e coordenação física. No vácuo, sem gravidade, não teríamos existência nem evolução.
Outras energias mais nos cercam, sem que percebamos. Energias telúricas, solares, lunares e cósmicas.
Estamos envolvidos interna e externamente por infinitas formas de energias de sustentação da nossa existência e pouco ou nada sabemos a respeito.

Este novo estado de consciência nos dá um conceito muito amplo da realidade da nossa existência aqui e agora. Disso provém uma segurança e equilíbrio imensos. O medo, a insatisfação, a avidez e outras anomalias diminuem muito. Começamos a nos permitir um estado de tranqüilidade e paz para saber usar a mente, emoção e o físico a nosso favor e não contra nós. A atenção, a conscientização e vivência dessas realidades são importantes para a evolução da Meditação.

continua....


Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa
            

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A grande mãe!







D a semente envolvida pela Terra
Germina a planta protegida pelo silêncio fecundo
Aquecida pelo Sol e refrigerada pela Água
Desponta para a vida com os ares da Mãe Amada.

No coração humano existe uma semente oculta
Aguardando a Luz para desabrochar para a vida
Quando a Paz envolve os sentimentos
Pode crescer e dar frutos no amor que dá guarida.

Somos sementes sobre a Terra Mãe
O Sol nos aquece e desperta para a vida
A Rainha das Águas nos cura as feridas
As Estrelas nos guiam para a evolução.
E o Mestre nos ensina a crescer com retidão.

Rainha das Águas, és mãe zelosa
Que envolve seus filhos com matas verdejantes
O Sol, a Lua e as Estrelas nos guarnecem
Para crescermos na Luz, Paz e Amor que todos merecem.

Somos gratos às nossas Mães Queridas
Que no caminho da vida nos guiam com atenção
Elas nos acolhem nas nossas dores e lamentos
E seus ensinamentos podemos aceitar ou não.

O que poderemos querer mais nesta existência,
Onde muitas Mães nos envolvem e sustentam?
Poderemos até ser filhos ingratos e queixosos
Mas a Grande Mãe Natureza nos dará guarida e alento.

Caminhamos com carinho sobre a Terra que nos apóia
Respeitemos as plantas que nos abrigam e alimentam
A cada inspiração e a cada gota d’água, sejamos gratos
São as mãos da Grande Mãe da vida que nos acalentam.

Senhoras, hoje é seu dia de festa e gratidão
No cuidado e zelo pelos seus filhos
Que nas suas mãos vão crescer e aprender a caminhar
Seguros com a proteção do Mestre na União.

Se os filhos reconhecem ou não
Seu carinho, amor e esforços
Não se lamentem em qualquer situação.
Confiem na Mãe Divina que nos acolhe
No seu Infinito Coração.

Somos irmãos na jornada da vida
Sustentados, alimentados por muitas Mães
Confiemos, estamos todos amparados
Pela Rainha das Águas
E onde nossos pés estejam nesta Terra Sagrada.

Louvemos nossa Mãe das Matas Verdejantes,
A Mãe dos Ares que a todos envolve,
A Mãe Lua que nos inspira
E a Sagrada Estrela que nos guia.

Texto de Iran Waldir Kirchner

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terça-feira, 28 de abril de 2015

Valores da vida!



“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as observa, será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa e ela não caiu; pois estava edificada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as observa, será comparado a um homem néscio, que edificou a sua casa sobre a areia. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e foi grande a sua ruína. (Mateus 7: 24-27)

Os termos casa, campo, terra, etc. são usados em parábolas, tanto no cristianismo como em outras religiões, relacionando-se com nosso corpo com tudo que ele contém. (Ver Tesouro Oculto, Orar, Parábola da Semeadura).

Desde que nascemos, estamos ligados a nossa casa biológica, nosso corpo, com capacidade, talentos etc. Quando crianças essas são potencialidades latentes que vão sendo desenvolvidas ou edificadas no decorrer de nossa vida. Hoje, damos muita atenção à educação e à saúde como algo básico para construir, edificar nossa casa biológica. É o que temos como realidade imediata e constante ao nosso dispor: um veículo completo para a caminhada evolutiva da consciência no ambiente onde estamos. Podemos viver focados constantemente no exterior, mas o instrumento para esse relacionamento de interação é a casa corporal com os meios que tem. Se ela foi construída solidamente sobre a rocha (valores) poderá resistir às intempéries do caminho sem desequilíbrios. Somos os planejadores e construtores de nós mesmos e a todo momento estamos 24 horas por dia diante dessa tarefa, mesmo quando dormimos.

Ser semelhante não significa ser igual. Somos diferentes. Isso é uma característica da Natureza – diversidade, multiplicidade – e assim Ela evolui no mineral, no vegetal, no animal e também no homem.
Mas, como viver e evoluir nesse meio natural aparentemente caótico e tão diversificado?
Gostamos de padronizar tudo, de uniformizar, de igualar, pois isso nos traz uma aparente segurança.

Mas, nós mesmos somos variáveis na nossa individualidade. Como crianças, como jovens, como adultos, cada fase tem suas semelhanças, mas com grandes diferenças. Mas, isso é Evolução que não é estática, mas dinâmica. A Natureza levou milhões de anos para evoluir seguramente e o homem está transformando a si mesmo e ao seu redor em pouco tempo. Será esta transformação uma evolução natural e segura, ou temos que rever alguns conceitos da espécie “homo sapiens”? (Ver Antropocentrismo) Como será o Planeta daqui 100, 200, 300, 1.000 anos?

Estamos construindo nossa casa biológica e transformando nossa casa planetária sobre valores firmes ou sobre a areia movediça?

O ego humano muito superficial se ilude com o imediatismo das sensações (Ver Auto-conhecimento e Ilusão) e não se interessa por conseqüências futuras, justificando-se que não estará mais presente para sofrer. Mas, atualmente sofremos o resultado da atuação humana do passado: quantos desertos já foram paraísos exuberantes de riquezas vegetais, minerais e animais? Quantos povos e culturas importantes foram dizimados pela insanidade humana?

Um mínimo de coerência nos faz questionar as qualidades do reinado do “homo sapiens” e fazer uma avaliação individual e global do presente para o futuro. (Ver O Bem e o Mal). As gerações futuras vão nos cobrar o nosso posicionamento de hoje. Podemos até descartar a responsabilidade para os governantes do coletivo, mas estes são fundamentos e princípios formados por indivíduos. Sejamos coerentes: nossa casa biológica tem resultados primeiro em nós mesmos – saúde mental, emocional e física. Depois influencia o meio onde vivemos e ele nos retribuirá em proporções multiplicadas.
Seja coerente. Sua atitude é importante para todos.

Texto de Iran Waldir Kirchner

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sábado, 21 de março de 2015

A Ilusão do ego pelo auto-conhecimento!

Por questões didáticas, separamos em círculos concêntricos para visualizar e entender cada parte do nosso eu pessoal ou ego. Na realidade, não existe separação entre elas, pois formam uma unidade pessoal bem coesa que interagem entre si e dão como resultado determinados estados de ser em nós mesmos. Esses estados de ser são muito variáveis em cada um de nós e dependem do comportamento e condições de cada faixa corporal atuante.

Pelo grande domínio que nossos cinco sentidos sempre ligados ao exterior têm sobre nós, parece impossível fechar as janelas de nossa casa e examiná-la como ela está por dentro. Tornamo-nos viciados e polarizados pelo externo. Descuidamo-nos de nossa fabulosa máquina biológica interior e só lhe damos atenção quando ela dá sinais de pane: dores, aflições, traumas, questões existenciais, etc. Aí então procuramos especialistas para remediar a situação. A prevenção pelo auto-conhecimento não nos parece prioritária e pagamos bem caro por isso. O caos na saúde pública é prova incontestável.
Esse vício desequilibrado pelas sensações dos cinco sentidos é o que vamos tentar entender para poder nos corrigir.

O que entendemos do fabuloso mundo exterior que nos rodeia e tanto nos fascina e domina? Entendemos primeiramente pelas informações recebidas pelos cinco sentidos, que, pelas suas limitações e variações costumam nos enganar e confundir. Essas sensações condicionadas são gravadas em nossa memória cerebral, onde outros dados, como as emoções, são acumulados desde que nascemos.

Esse banco de dados é imenso e pode ser acessado pela habilidade que cada um de nós desenvolveu.
Nossa capacidade mental de raciocínio, lógica e discernimento irá usar as informações cerebrais para planejar, decidir e comandar ações segundo o quadro mental formado. Esse quadro mental é um reflexo, uma projeção de informações presentes e passadas dos cinco sentidos e as emoções relativas.

Essa tela onde tudo isso é projetado como num filme dinâmico é a realidade individual própria, pessoal e distinta. Mesmo irmãos gêmeos, criados juntos e no mesmo ambiente, terão realidades distintas. Conclui-se que nossas realidades individuais são VIRTUAIS – IMAGINÁRIAS – ILUSÓRIAS. Interagimos com o Mundo Exterior e entre nós, baseados em nossa imaginação própria. No desenho, vemos que nossa consciência central (?) vai decidir uma ação, segundo o quadro mental do momento, passando pelo estado emocional (e + moção/motiva a ação) para depois haver o comando cerebral que irá atuar nos órgãos de expressão física: fala, gestos, olhares, movimentos – para interagirmos no meio onde estamos. Esse processo é tão rápido e automático que nossa consciência (?) não sabe avaliar corretamente cada informação que vem do exterior e pesar a sua reação para o exterior. É um processo quase instintivo com pouco discernimento e auto-observação.

O começo do auto-conhecimento necessita manter a consciência atenta e concentrada neste processo interior. Para isso, temos que fechar as portas e janelas de nossa casa pessoal (cinco sentidos) e acender a luz da razão e do discernimento interior e assim começa a auto-percepção e compreensão de nossa fabulosa máquina biológica. Um novo estado de consciência começa e veremos a VIDA de modo consciente e não reativo como antes.

Vamos valorizar a VIDA a partir de nós mesmos, nos conhecendo melhor, retirando os bloqueios e traumas que nos machucam e desvalorizam. Assim, podemos nos AMAR e AMAR NOSSOS SEMELHANTES.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto ilustrativa


sexta-feira, 6 de março de 2015

Orar !

Do termo ORO – expandir, abrir-se. Mas é um abrir-se para dentro e não esperar que algo de fora apenas possa acontecer. Podemos usar recursos exteriores para a oração: um local apropriado, figuras ou imagens, velas, incenso, luzes coloridas, fundos musicais, vestimentas, oferendas, leituras repetitivas se desejarmos. “Tu, porém, quando orares, entre em teu quarto e, fechada a porta, ora a Teu Pai que está em secreto; e Teu Pai, que vê em secreto, te retribuirá.” (Mateus Cap. 6, v. 6)

Jesus sempre orava e ensinava em lugares abertos, campos, colinas, à beira mar e pouco em templos e moradias. Dizia que Ele mesmo não tinha onde repousar o corpo. Seria uma contradição interpretar ao pé da letra sua orientação de como orar. Assim quem não tem casa não poderia orar. Mas, temos que entender com profundidade a simbologia de sua parábola.

Para a concentração em nosso íntimo, em nossa essência espiritual que nos liga a essência da Criação que tudo invade, é mais lógico e verdadeiro, fecharmos as portas e janelas de nosso corpo, nossos sentidos exteriores para focar nossa mente com atenção, concentração e profundidade em nós mesmos. Parece algo impossível esta reflexão interior pelo fato de estarmos viciados mental e emocionalmente nas informações dos cinco sentidos exteriores: visão, audição, tato, olfato e paladar. Paramos para refletir quando temos problemas de foro íntimo mas logo voltamos à rotina dominante. Isso não significa que nos alienamos dos sentidos externos mas que podemos educá-los para que não atrapalhem e até possam ajudar em profundas reflexões. Por exemplo, termos sempre à mão algo apropriado para isso como um rosário para orações, um livro de bolso, a figura de um mestre ou santo, um ornamento com simbologia apropriada, música, etc. Alguns minutos alternados no dia a dia são treinamentos para quando quisermos usar um tempo maior para oração, estudos, meditação, etc.

Todos temos à disposição elementos para nosso crescimento, tanto externo como interno. O que acontece é que polarizamos nossos talentos apenas no exterior e esquecemos o principal, o interior, onde está nossa Real identidade.
Jesus já advertia sobre isso quando ensinava “De que adianta ao homem conquistar o mundo e perder sua alma” (alma como essência, identidade Real).
Em outra parábola cristã fala-se sobre os talentos confiados ao homem. Os que aplicaram corretamente, ganharam mais e evoluíram; e quem não usou e enterrou perdeu o que tinha.
Outras parábolas são convergentes: o Tesouro Oculto, O Filho Pródigo, As Irmãs Maria e Marta.
Nos ensinamentos orientais – budismo, hinduísmo, taoísmo – temos referências semelhantes sobre a oração, a prece, a meditação, a devoção como caminhos de evolução integral do homem como um todo em harmonia com outros reinos naturais onde vive.
Veja e sinta as cores e formas mas também o Vazio entre elas, sem Ele elas não existem.
Escute todos os sons e também o Silêncio entre eles, sem Ele eles não existem.

Olhe em teus próprios olhos e pergunte: Quem sou Eu? ELE te responderá em teu coração: EU SOU. Sintonize e sincronize teu pensar, teu sentir e tua respiração no EU SOU pulsando em teu coração. Deixe que ELE te conduza.


Texto de Iran Waldir Kirchner - Foto Ilustrativa

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um novo ciclo!

   
  A Natureza apresenta fenômenos cíclicos constantes para a sua preservação e evolução. As estações anuais se repetem e influenciam a flora e a fauna de todo o planeta. Os dias se sucedem com fases diurnas e noturnas. O fluxo das marés são bem marcantes e nos obrigam a adaptarmos a ele as atividades marítimas. As fases da lua constantemente afetam tanto as plantas como os animais. Nós, seres humanos, envolvidos nos afazeres rotineiros, ficamos alheios a esses ciclos naturais e pensamos estar separados dessas influências ou até poder dominá-las.

     Grande engano pelo nosso egocentrismo, pois estamos integrados com essas influências naturais e cíclicas que nos envolvem. O processo atua não só externamente, mas internamente em nosso próprio corpo. 

Nossa respiração não é linear, mas alternada com a inspiração e a expiração, portanto, é cíclica. Nosso coração, com sístole e diástole, forma um ciclo completo que impulsiona o sangue em todo o corpo em sincronia. O sistema digestivo obedece a fases exatas que formam o ciclo de nossa manutenção orgânica. Temos períodos alternados de atividade e repouso, vitais para o nosso equilíbrio. Quer queiramos ou não, estamos envolvidos por ritmos cíclicos da vida, uns de maior duração, intercalados por outros menores, mas em perfeito sincronismo, formando uma imensa espiral ascendente rumo à evolução. Desde o minúsculo átomo até os sistemas solares que formam a nossa galáxia, estão envolvidos por essa sinfonia rodopiante de ciclos do ritmo criador.

     Tem um ditado popular que diz: não devemos remar contra a maré. E outro: Navegar de vento em popa. Isso demonstra naturalmente que devemos aproveitar as fases favoráveis de determinado ciclo e não nos desgastarmos fazendo oposição. Podemos aprender muito com os animais que instintivamente acompanham os ciclos da natureza.

     Pela auto-observação teremos o autoconhecimento de nossa máquina humana que sempre nos envia os sinais internos de suas fases cíclicas corporais, emocionais e mentais. Podemos escolher estarmos em sincronismo com nosso ritmo individual e aproveitarmos o melhor rendimento ou nos violentarmos tentando impor padrões contrários ao nosso ciclo vital e sofrermos as reações inevitáveis. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo”, já ensinava a filosofia antiga.

     Estamos iniciando um novo ano, ou seja, um novo ciclo Solar que dura um ano, formado por ciclos menores que são as quatro estações anuais. Cada estação contém ciclos mensais ou lunares, aproximadamente. Os meses se compõem de ciclos semanais e esses, de ciclos diários, que são os giros do Planeta em seu próprio eixo. Tudo no Universo segue um ritmo de Leis cíclicas, um “Relógio Universal” regula cada movimento, cada energia, cada mineral, cada vegetal e cada animal. 

Seremos nós, seres humanos, uma exceção a essa Norma Universal? Seremos nós o centro do Universo e os donos da verdade? A Perfeição cíclica nos envolve e queremos criar um mundo à parte, alheio à Totalidade Máxima, sem sincronismo e sintonia. Estaremos conseguindo isso realmente? A resposta está em nós mesmos e em nossa volta. Temos ouvidos para ouvir, olhos para ver e entendimento para compreender.
     Encontre-se e realize-se neste Novo Ano, em sintonia de pensamentos, sentimentos e atos com o TODO!

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto ilustrativa


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Do conhecimento à sabedoria!

Um sábio professor ensinava seus alunos ávidos de conhecimento, mas sentia-se frustrado por não poder transmitir-lhes algo mais elevado para orientá-los em suas vidas após concluírem a formação acadêmica. Imaginou, então, uma tarefa para toda a classe que pudesse ajudá-los no exercício futuro de suas atividades.

     Disse-lhes:
     – Quero que toda a classe faça um trabalho em conjunto sobre uma determinada fruta que, sendo especial por suas qualidades, é também muito rara. É uma tarefa muito complexa, mas vocês têm todos os recursos para fazer um verdadeiro tratado sobre este alimento.

     Toda a classe ficou entusiasmada, pois poderiam melhorar muito a média de suas notas finais. Os alunos dividiram-se em grupos para pesquisar com maior profundidade cada detalhe técnico daquela maravilhosa fruta. Saíram para as bibliotecas, livrarias e entraram até na internet em busca de informações técnicas as mais precisas e completas. Após dias de trabalho, reuniram-se e organizaram todos os conhecimentos coletados em um só volume e apresentaram orgulhosos ao professor, ansiosos pela nota de avaliação.

     O professor examinou todos os detalhes com muita atenção, fazendo expressões de admiração pelas minúcias encontradas, provocando o entusiasmo de toda a classe. Levantou-se solenemente, foi para perto dos alunos com o volumoso tratado nas mãos, e disse:
     – Ótimo trabalho, muito bom mesmo, rico em detalhes técnicos a respeito da nossa preciosa fruta. Só mais um ponto necessário para obterem a nota máxima: onde está nossa maravilhosa fruta? Quem de vocês saboreou-a para nos contar sua experiência?

     Toda a classe ficou muda e pasma. Ninguém teve a ideia de saborear a fruta e todos reconheceram a grande falha cometida.
     O professor, dirigindo-se aos alunos, disse:

     – Vocês passarão alguns dias em companhia de um modesto agricultor que cultiva essa fruta há anos e se alimenta dela. Ele vai complementar o conhecimento teórico de vocês com sua vivência prática e sua sabedoria. Então, farei a avaliação de suas experiências.

     Todos nós nos iludimos com o acúmulo de conhecimentos teóricos. Nosso orgulho é alimentado e cresce e ficamos bloqueados. Não aproveitamos a melhor parte – a vivência direta do conhecimento que vem a ser a verdadeira sabedoria.

     Na humanidade, existe uma carência muito grande da verdadeira Sabedoria, apesar de muitos sábios terem deixado exemplos de vida. Estamos – quase todos – abarrotados de conhecimentos em todos os níveis, mas a aplicação sábia é muito pouca. Sofremos nossas crises existenciais que a medicina tradicional não soluciona. Nossas almas estão tolhidas pelo intelectualismo superficial e deixamos de fluir nossa real natureza. Vivemos pela metade e não em nossa plenitude. O Sábio dos Sábios já alertava: “Apenas a letra mata, é o espírito da letra que vivifica”. E sobre os intelectuais da sua época apontava: “Eles colocam fardos pesados e muitas obrigações ao povo, mas não cumprem uma vírgula sequer”. E ainda: Eles têm as chaves do Reino da Bem-aventurança, não entram e confundem com exterioridades os que querem entrar.” Foi muito mais direto ainda quando disse: “São semelhantes aos túmulos caiados por fora, mas dentro só existe a podridão.”


     O conhecimento é apenas um meio, um recurso mais rápido para chegar à Sabedoria, que dá a verdadeira vivência completa – a do corpo e da alma.

Texto de Iran Waldir Kirchner 
Foto Ilustrativa 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Adoração ao conhecimento (Parte II)

 
 O homem que não se deixa conquistar pela Sabedoria é como um barco que recusa um comandante – quando não se destrói, fica sempre vagando sem rumo. A Sabedoria desperta a criatura para sua verdadeira identidade como Ser Imortal que é, parte de uma Unidade Infinita. É por isso que os valores superiores sempre têm um sentido de Unidade, de união das criaturas, nunca de separação.

      A Sabedoria está acima dos nossos veículos inferiores, mesmo acima da mente com a maior bagagem de conhecimentos. O Conhecimento é  apenas um meio e, por si só, não leva além do plano material.   Se a criatura se basear apenas no Conhecimento, sem viver os valores da Sabedoria, só vai acreditar que é o físico e, como consequência, vai viver para o físico como sua única realidade.

      É assim que o materialista convicto, desprezando os valores da Sabedoria, entende que ele, como pessoa física, é um fim em si mesmo e não um meio de expressão de uma realidade maior.  É muito fácil confundir-se Sabedoria com Conhecimento. E até no campo religioso essa confusão é encontrada.

     O Conhecimento pode ser encontrado em livros e ser transmitido. A Sabedoria não é transmitida, nem pode ser escrita. É algo que pode nos tocar, mas não pode ser contida. O conhecimento é letra morta, só permanece no exterior. A Sabedoria é a própria vida que vivifica tudo o que toca e está no centro. Sabedoria é a vivência.

      A criatura, ao ser agraciada pela Sabedoria, não conquista algo, mas é conquistada. Ela não pode se servir da Sabedoria, mas só  deseja servi-La.
      Pode parecer um escravo, mas se sentir o mais livre dos homens.
      É uma lástima que muitos grandes homens em todas as religiões que poderiam ser verdadeiros mensageiros da Sabedoria para a Humanidade, como exemplos vivos, ficaram cegos pela letra. E deles já falava Alguém hoje já esquecido: Eles têm as chaves do Reino dos Céus, mas não entram e confundem os que querem entrar. E disse ainda mais: A letra mata, só o espírito vivifica.

      Em outras palavras: o Conhecimento, mesmo o religioso, é morto, inerte, mesmo que esteja gravado em letras de ouro e só seja pronunciado em cerimônias solenes e em lugares secretos. Só a Sabedoria, que é Divina, pode dar vida, a vivência, o exemplo.

      Aquele que busca a Sabedoria é semelhante ao garimpeiro que procura ouro. Vive a remexer cascalho o tempo todo e sempre está à procura de mais cascalho para remexer. Mas, quando encontra algum vestígio do metal precioso, por menor que seja, ele sabe que está próximo de um grande veio, e esquece todo o cascalho remexido durante longos anos e se dedica com atenção somente àquele ponto. As amostras que acha, mesmo que pequenas, são de incomparável valor em relação a todas as montanhas de cascalhos que já encontrou.

      Assim faz o buscador de Sabedoria: remexe montanhas de conhecimentos, mas deixa tudo para trás sem levar nada, pois não encontrou o que busca. Vai em frente e continua procurando, até que vê um pequeno brilho em certo ponto, minúsculo, mas pela luz ele sente que é verdadeiro. Naquele momento, todo o conhecimento do mundo não tem mais valor para ele, vai sempre naquela direção, não importa que esteja ainda longe, pois tem certeza de que a direção é correta.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Adoração ao conhecimento (Parte I)

Há  necessidade de uma vigilância constante, pois a personalidade usa de todos os recursos para se manter no poder, para se impor, e os recursos mais preciosos para ela estão na Mente ou corpo mental. Apesar de ser o mais sutil de todos os corpos inferiores, é, sem dúvida, o que tem mais influência pelas suas qualidades como a imaginação, a memória, o intelecto, o conhecimento. A mente, como veículo do Eu Superior, pode ser um canal maravilhoso para expressar os valores superiores do Espírito, a personalidade, quando usada pelo Eu inferior com finalidades pessoais e egoístas, ela se torna escrava de um poder ilegítimo e incompetente.

      Um exemplo é o mau uso que faz do Conhecimento de todos os ramos materiais. A personalidade se apossa desses valores mentais para si, usando toda essa bagagem em seu próprio proveito e interesse. Portanto, o Conhecimento, que deveria ser um meio de expressão de valores Superiores, tornou-se uma finalidade em si mesmo, sendo desvirtuado pela Personalidade num sentido contrário aos valores superiores, que põe em risco o domínio da Personalidade.

      Desse modo, para se autopreservar, a Personalidade endeusou o Conhecimento que, sendo dirigido e controlado por ela, lhe garante o seu trono. Essa inversão de valores faz com que hoje os Gênios sejam mais aclamados que os Sábios, pois a Sabedoria põe em risco a personalidade.

      Conhecimento é tido como sinônimo de superioridade. As pessoas são medidas pela quantidade de conhecimento que têm, pelo grau de instrução, pelo título, pela cultura superficial e material. Os valores espirituais estão em segundo plano, quando o certo é o inverso.

      É interessante se observar como existe uma inversão na ordem dos valores. O conhecimento, sendo considerado erradamente como um fim em si mesmo, é admirado e adorado independente de seus frutos. Seja um remédio inventado ou uma bomba poderosa, o que é mais admirado é a técnica, a capacidade usada. Do mesmo modo, quando se inventa algo supérfluo ou de utilidade real.

      O conhecimento, como uma ferramenta, só tem valor pelos bons frutos que possa produzir e isso depende de quem usa a ferramenta. Se a Personalidade é egoísta, o resultado será um desastre.

      Se fizermos uma análise fria e desapaixonada da situação mundial, veremos o resultado do mau uso do conhecimento. Os recursos naturais que existem fossem bem aplicados, sem egoísmo, sem ambição, não faltaria trabalho para ninguém e todos viveriam com dignidade. Mas, enquanto o personalismo dominar, veremos coisas absurdas como os gastos astronômicos em armamentos para destruir a vida humana, enquanto faltam recursos em máquinas e ferramentas para que muitos trabalhem para manter a vida. Veremos uma minoria vestindo-se, comendo em excesso e gastando outro tanto em remédios para se curarem de doenças que têm pela extravagância que fazem, enquanto muitos morrem pela falta de comida e vestimenta ou de remédios para curarem doenças causadas pela desnutrição. E a lista seria muito longa e desagradável.

      Essas são as consequências que a Personalidade provoca pelo mau uso do Conhecimento. E não poderia ser de outra maneira, pois ela reage aos valores superiores que lhe derrubariam de seu trono.

      Vemos como a falta de valores pode causar desequilíbrio. Esses valores vêm do Eu Superior em nós, e têm muitos nomes: discernimento, fraternidade, intuição, e tantos outros, que são reflexos da Sabedoria.

      Sabedoria é a própria Divindade em nós, é a única que dirige e governa sem erros. A Sabedoria é a única que pode libertar a criatura do domínio da personalidade e que pode coordenar e equilibrar nosso corpo, nossas emoções e nossa mente para que eles sejam bons instrumentos na execução de uma boa obra.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ciência e Religião

    
 No passado, a ciência ficou restrita em focos isolados com dificuldade de expansão pelo poder excessivo da religião. Hoje, pelos desafios encontrados e pelo compartilhar dos cientistas, visando o bem comum da humanidade, a ciência expandiu-se fantasticamente. Muitos dos mistérios da vida foram conhecidos, tanto no mundo microscópico, celular, como no macroscópico, extraplanetário. O ser humano precisa de forte estrutura emocional para enfrentar o crescimento intelectual provocado pelas ciências. Só as religiões podem cumprir essa tarefa e restabelecer na humanidade o equilíbrio entre Mente e Coração.

     Não existem mais condições para o isolamento entre as religiões. Hoje, a realidade é planetária, global; a expansão científica criou meios de interligação com todos os povos, todas as raças, todas as classes sociais. As barreiras da comunicação desapareceram.

     As religiões devem cumprir a responsabilidade que lhe cabe, pois elas têm calores interiores que o ser humano necessita. Não há espaço para a competição, o momento é de compartilhar esforços para que a humanidade, envaidecida pelos poderes científicos, não se autodestrua.
     A cabeça (intelecto) e o coração (sentimento) necessitam de equilíbrio de crescimento para que o corpo não sofra os efeitos dessa anomalia.
     A humanidade hoje toma um só corpo interligado. Do equilíbrio e do compartilhar entre ciência e religião depende sua sanidade.

     Criacionismo e evolucionismo são apenas indicativos convergentes para uma Realidade Maior. Infelizmente ainda existem alguns “donos da verdade” que usam esses rótulos para encobrir seu orgulho e sua vaidade e evitam, pela falta de humildade, o compartilhar, entrando na competição desgastante e infrutífera.

     Alguns cientistas já deram os primeiros passos para esse encontro, demonstrando sua religiosidade, como por exemplo, o famoso Albert Einstein, quando afirmou: “Do mundo dos fatos não há nenhum caminho que conduza ao Mundo dos Valores; estes vêm de outra Região” e também “Pelo muito pensar não chego a soluções; quando aquieta minha mente as soluções vêm”.

     Assim também, alguns filósofos, teólogos, com grande espírito científico, deram sua contribuição à humanidade, como por exemplo, o nosso saudoso brasileiro Huberto Rhoden, que afirma em suas obras que “a filosofia cósmica ou Univérsica funciona na base da mais rigorosa lógica ou matemática”. “Dentro do fato objetivo da presença de Deus, existem todas as misérias humanas – pecados e doenças. Dentro da consciência subjetiva dessa presença divina não pode existir nenhum pecado, nenhuma doença”.

     O mesmo filósofo nos ensina: “Um único segundo de contato real com o mundo divino [Valores] pode transformar a vida inteira de um homem [Fatos]”. W conclui, dizendo que a felicidade é a consciência da harmonia com o Infinito; infelicidade é a ignorância dessa harmonia.

     A ciência pode compartilhar seus recursos com a religião e vice-versa. A Verdade é um ideal comum, que pode libertar a humanidade dos conflitos e sofrimentos, provenientes do desequilíbrio entre intelecto (mente) e coração (sentimentos), hoje tão evidenciados no comportamento humano.

Texto de Iran Waldir Kirchner 
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

O desequilíbrio (Parte II)

      Essa direção só pode ser dada pelo Eu Superior em nós. E Ele está  sempre presente, mas devido a certa resistência, sua direção é  distorcida. Houve uma espécie de complô subversivo para opor-se a um Poder Superior Legítimo do Eu Superior. Os elementos subalternos, três veículos de trabalho – corpo físico, corpo astral ou emocional e corpo mental ou intelectual – formaram um Triunvirato, sublevando-se contra o Eu Superior. 

Com isso, surgiu o usurpador do direito, o impostor que se auto-elegeu diretor sem qualidades para isso – o impostor tem o nome de Personalidade.

      Pode-se entender a razão para o desequilíbrio das criaturas dominadas pela personalidade. É uma falsa identidade sem diretrizes definidas, apenas servindo de testa de ferro aos interesses secundários dos corpos inferiores. E como eles também não têm a visão superior para se auto-dirigir para um trabalho de conjunto, o ser humano fica como dividido, sofrendo a imposição de tendências diferentes. 

O físico vai se impor pelas suas necessidades, quer sejam fundamentais ou superficiais, o máximo de conforto, com alimentação excessiva e o mínimo de esforço e atividade. O emocional, sempre vibrante, procurará sempre as mais fortes emoções, não importando que com isso prejudique os outros corpos. O mental, livre, sem uma direção superior, será sempre um sonhador, imaginando castelos de areia, tentando realizar sonhos impossíveis e, com isso, arrasta o físico e as emoções para situações penosas. E o próprio corpo Mental ficará frustrado e melancólico, pois seus companheiros não podem acompanhar sempre os devaneios da mente sonhadora.

      Assim, pode-se entender o porquê de tanta instabilidade e incoerência nas pessoas; a soma de influências tão variáveis, dependendo da predominância de uma das três, vai provocar mudanças bruscas na personalidade de uma hora para outra. É o que se nota de um modo tão comum entre as pessoas, que até é considerado como coisa normal: poucos se entendem e, na maioria, ninguém entende ninguém e só mantém as aparências por imposição das circunstâncias, em outras palavras, à força.

      E isso é tudo uma conseqüência muito lógica e evidente: se cada ser humano pouco ou nada conhece de si mesmo, jamais vai se entender e muito menos a seus semelhantes.

      É neste ponto que a Teosofia tem um papel muito importante, oferecendo recursos para que o indivíduo se conheça melhor, com profundidade. Cada criatura é um mundo diferente e fantástico, portanto não existe uma receita milagrosa para todos. Existem, sim, marcos que servem de referência apenas, cada um tem como tarefa descobrir por si mesmo os caminhos individuais. Isso não cai do céu gratuitamente e não é possível “fazer cola” ou copiar, pois o que serve para um pode ser contraindicado para outro.

Texto de Iran Waldir Kirchner
 Foto Ilustrativa 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Do conhecimento à sabedoria!

O desequilíbrio (Parte I)


      A humanidade atravessa hoje uma fase crucial devido a poucos valores que aceita viver.
      A criatura está sob quase total influência somente dos três veículos inferiores – corpo, emoção e mente. Com os veículos superiores pouco desenvolvidos e com a falta de valores que eles podem oferecer, o ser humano não encontra saída para seus problemas. 


Outro fator que agrava mais esta situação é o desconhecimento de si mesmo como uma criatura superior que é, muito acima do plano físico que conhece. Poderíamos pensar que a maioria das pessoas hoje tem conhecimento de que possuem uma alma e não apenas a matéria física, e a maioria delas responderá que acredita nisso. Mas se analisarmos como vivem o dia-a-dia, notaremos uma grande contradição, o que prova um desconhecimento quase total da criatura de si própria.

      Por isso, é evidente que a criatura humana está sendo dominada pelos três corpos – físico, emocional e mental. Todos eles estão bem desenvolvidos e com grande influência. A Teosofia ensina que esses corpos são apenas instrumentos de um Eu Superior em nós. Entende-se por instrumento como sendo um meio de expressão, uma ferramenta com a qual podemos executar uma tarefa com finalidade definida. 

Se compararmos nossos corpos com uma ferramenta comum como um martelo, uma talhadeira ou um esquadro, veremos que tem pouco sentido, pois elas são inertes e não têm vida própria. Mas, se compararmos com uma grande máquina que não deixa de ser também uma ferramenta, veremos que é diferente. 

Um computador, por exemplo, é uma ferramenta bem mais complexa, tem certa autonomia para executar muitas funções. Mas, mesmo assim, ele tem de ser dirigido, suas funções têm de ser programadas para cada finalidade específica. Esta máquina, por si só, não possui autodeterminação, apesar de ter certa autonomia, não é um fim em si mesma, mas apenas um instrumento, veículo de trabalho.

      Do mesmo modo são nossos corpos inferiores – corpo, emoções e mente. São incomparavelmente mais complexos que qualquer máquina existente. Podemos chamá-los de Inferiores em relação a outros, mas se reunirmos todos os computadores do mundo juntos, eles não fariam as funções que faz o nosso pequeno cérebro físico. Cada um deles tem uma vida própria e sabe executar devidamente funções relativas a seu campo de ação. 

Mas, são veículos apenas, não um fim por si mesmos, apenas meios para uma finalidade determinada. Uma máquina por si só não faz coisa alguma de valor, necessita de um operador de categoria. O corpo, a emoção e a mente também necessitam de uma direção superior para que participem da execução de uma obra bem definida.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa