sábado, 28 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo?! Que loucura...



     Feliz Ano Novo a todos vocês, meus amigos! Que 6719 possa lhes trazer muita paz, alegria e felicidade!

     Vocês devem estar pensando: ela está completamente maluca! Deve ter pirado de vez! Não é nada disso. Muitos povos comemoram o ano novo no equinócio da primavera (no hemisfério Norte é  primavera; no Sul, é outono). Para os rosacruzes, por exemplo, no dia 21 de março é comemorado o Ano Novo. Para a Astrologia, também é nessa mesma data que começa o ano astrológico, com o início do signo de Áries, o primeiro do Zodíaco.

E já é Natal...



     Mais um ano chega ao fim. Festas e mais festas, comilanças daqui e dali, muitas bebidas. Será que isso é Natal?

     Mais do que um momento de festejar o ano que passou é hora de reflexão. É a época em que paramos para pensar em tudo o que se passou durante o ano, em todas as conquistas, naquilo que ficou para trás, no que deixamos de fazer, no que fizemos em excesso...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Caverna de Platão


     Havia uma grande caverna, onde a luz do sol entrava por uma única abertura e projetava em suas paredes uma infinidade de reflexos multicoloridos. Nela vivia um povo com seus afazeres rotineiros e limitado por seus sentidos adequados pelas circunstâncias do local e pela identificação com os reflexos, nos quais interferia pela atividade que produzia. Ninguém se preocupava com a causa daqueles fenômenos: o sol filtrado pela pequena abertura no topo da caverna.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Perdão e Gratidão


           Estive pensando sobre o perdão e a gratidão. Li muito e um artigo de Saul Brandalise Jr. me chamou a atenção e vou transcrever um trecho: “Os sentimentos negativos destroem a nossa vida. Ódio e mágoa associados ao nosso dia-a-dia impossibilitam de viver a plenitude da felicidade Uma vida saudável não começa nos exercícios físicos feitos diariamente. Sua porta de entrada mora, reside, e é sólida quando estamos em profundo estado de perdão. Saber perdoar é a dobradiça desta porta. A chave é perdoar, mas ela só se movimenta quando efetivamente exercemos o perdão, sentirmos e nos arrepiarmos de plenitude.”

sábado, 16 de novembro de 2013

Amizade é coisa para se guardar...


 

     Uma música, cantada pelo Milton Nascimento, se não me engano, diz que amizade é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito... ou seja, no coração. Grande verdade...

     As amizades sinceras são como as árvores: têm raízes. Outra comparação: uma árvore nunca fica de costas para ninguém. Você dá  uma volta em torno dela e a árvore estará sempre de frente para você. Os verdadeiros amigos também. É com eles que podemos contar em todas as horas de nossa vida, mesmo nos piores momentos. Os verdadeiros amigos nunca nos voltam as costas.

     Os chineses afirmam que uma árvore plantada com amor não pode ser derrubada por nenhum vento. As verdadeiras amizades também. Quem planta uma árvore cria raízes, assim como quem cultiva uma amizade com carinho. Muitas vezes olho para pessoas que me cercam, companheiros de jornada. Penso em como será a vida de cada um deles. Uns estão sempre alegres, sempre dispostos a ajudar os outros, alguns até se oferecem para tentar resolver os problemas dos seus amigos. Estão sempre dispostos a enfrentar dificuldades, a gastar um pouquinho do seu tempo para beneficiar os outros. Muitas vezes esquecem seus próprios problemas. Isso lhes traz satisfação. Por certo, essas pessoas têm muitos amigos, amigos sinceros, amigos sempre prontos a retribuir o que recebem.

     Estive pensando nas nossas amizades. Sem os amigos, nada teríamos feito. Foi nas horas em que mais precisamos que eles estiveram ali, junto conosco, com seu ombro amigo sempre pronto a nos acolher, com suas palavras ou até mesmo com seu silêncio. Eles acompanharam toda a nossa trajetória. Conhecem as dificuldades que enfrentamos, comemoraram conosco nossas alegrias e vitórias. São amizades sólidas, algumas com trinta, quarenta anos. Não conseguimos imaginar a vida sem elas, pois já são parte integrante da nossa vida.

     Assim como a árvore precisa dos elementos da terra para se desenvolver, dar frutos, a amizade também precisa ser cultivada. Os bons elementos, os princípios elevados alimentam a verdadeira amizade. Como a árvore, a amizade precisa ser sempre realimentada para que não corra o risco de murchar e morrer. A amizade quando é verdadeira não tem ciúmes, não tem inveja nem despeito, independe de raça, credo ou condição social. É um compartilhar, uma troca de energias positivas. O verdadeiro amigo entende as limitações do outro, não estabelece condições, está acima de qualquer interesse. Quanto maior e mais fundamentada a amizade, mais se expande, contagiando os demais. É um reflexo do amor Divino, da verdadeira fraternidade.

     Enfim, podemos afirmar que aquele que tem verdadeiros amigos é um ser humano rico, pois a amizade verdadeira é a maior riqueza que podemos ter. É a única que ladrão não rouba, nem vendaval destrói.

Que Deus ilumine todos vocês, nossos verdadeiros amigos.
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto Ilustrativa 

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A unidade da humanidade e a paz mundial (Parte II)


      Poderemos pensar que este efeito é passageiro e se perde logo, mas não é assim. Toda ação provoca uma reação em cadeia que se propaga para todos os lados e depois volta multiplicada. Nós estamos tratando com seres humanos e não com coisas inanimadas; somos transmissores e receptores de grande potência. O uso consciente destas energias depende de nosso equilíbrio, de conhecimento e da unidade que somos. Se eu recebo a irritação de uma pessoa e não estou em harmonia comigo mesmo, serei o veículo transmissor e amplificador daquela força, e isso acontece normalmente sem percebermos, pois nós pouco nos auto-observamos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A unidade da humanidade e a paz mundial - Parte I


      O gênero humano não é um elemento à parte neste planeta. Ele está interligado a tudo o que existe, desde os elementos minerais, vegetais, animais, gazes atmosféricos, energias e tudo o mais. O homem forma com a Natureza um conjunto inseparável, pois é graças à ela que ele se formou e se mantém. A natureza é um bem comum de todos e não apenas do gênero humano. Temos que usá-la e dividi-la com os animais e vegetais, para que o equilíbrio do conjunto não se quebre.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ilusão


     Há  pouco tempo, conversando com uma pessoa conhecida, ela me contou histórias mirabolantes, todas com aquele tom de “é verdade!” Várias vezes, durante a conversa, tive vontade de dizer: “Ei! Acorde! Você está viajando!” Mas fiquei quieta e refleti. Muitas vezes criamos em torno de nós um mundo ilusório, um mundo onde possamos nos abrigar das mazelas do mundo. E acreditamos que esse mundo existe...

     Não quero dizer que não devemos sonhar. O sonho é uma coisa positiva,

domingo, 6 de outubro de 2013

Multiplicidade na Unidade!


     Os sentidos exteriores nos mostram uma multiplicidade infinita de formas, cores, energias, movimentos, ações e reações, que nos deixam aturdidos diante de um espetáculo fascinante. A natureza nos assombra com revelações fantásticas das combinações entre os reinos mineral, vegetal e animal, deixando cientistas e filósofos pasmos diante do milagre da vida.

     O ser humano, com sua atuação criativa, vem aumentando essa diversidade em todos os níveis, manipulando associações de elementos para inventar outros mais complexos, copiando a natureza e acelerando o processo. Aprendeu observando as associações naturais de elementos simples.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Não viemos a passeio...


     Muitas vezes ouvimos alguém dizer que a vida não vale a pena ser vivida. Pessoas se sentindo derrotadas são mais comuns do que possamos imaginar. E esses conceitos derrotistas se fazem presentes em nosso dia-a-dia. Precisamos tomar muito cuidado para não sermos contaminados por esses conceitos.

     Todos nós que hoje nos encontramos no planeta Terra, não estamos aqui por acaso e nem a passeio. Todos nós viemos com uma missão a cumprir. O importante é descobrirmos qual é essa missão,

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A decisão é só nossa!


     O mundo está passando por transformações e nós não podemos ficar parados, estacionados, apenas esperando ser impulsionados em nossa evolução pelas dores, pelo sofrimento, pelos problemas. É necessário que entendamos o que eles significam em nossa vida, qual a lição que nos trazem. É preciso que nos fortaleçamos com a fé, a paciência, o amor. Eles são o remédio para todos os nossos males.

     Precisamos sair de nossa estreita visão dos problemas que nos afligem e olhar a estrada já percorrida. Por certo, ao final dessa estrada, todas as nossas dores se tornarão apenas pontinhos em nossa evolução.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ninguém é dono da verdade!



     Quatro cegos caminham juntos por uma estrada, num país estranho. No trajeto, ouviram um caminhão de som que anunciava a chegada de um circo. Movidos pela curiosidade, procuraram o treinador pedindo explicações sobre o elefante, animal que desconheciam.

     Foram levados até o animal:

     – Venham sem medo, toquem e tirem suas próprias conclusões.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

A visão divina do homem (Parte IV)



 Eles ensinaram que toda criatura humana tem uma herança divina em si mesmo, em seu íntimo. Deixaram marcos indicando os caminhos que conduzem à  posse dessa herança. Esses caminhos são sendas de Evolução, de auto aperfeiçoamento. Não pode ser de outro modo. Se assim fosse Eles discordariam entre si. Eles nos mostraram diversos caminhos, mas todos convergem a um único ponto: a Perfeição. É necessário que se escale a Montanha da Perfeição; de que lado é a escolha de cada um.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Visão divina do homem (Parte III)



  Toda essa superficialidade sem sentido cria na vida uma instabilidade muito grande. A criatura comum não tem armas para enfrentar esses perigos e geralmente cai nessa armadilha. Esta falsa visão é tão enganosa que nos faz acreditar que estamos sendo vencedores quando, na realidade, estamos perdendo a todo o instante.

     Podemos notar o quanto é importante a conquista de uma melhor Visão, pois assim pode-se derrotar o grande inimigo que se mantém às custas da ignorância, da ilusão, do superficialismo – o personalismo.

terça-feira, 30 de julho de 2013

A visão divina do homem Parte II



 Uma prova concreta de que é possível conquistar-se uma visão Verdadeira, através do esforço evolutivo, sempre foi dada pelos Grandes Guias da Humanidade, pelos mestres, santos e sábios de todas as épocas. De um modo geral, entendemos que existem dois modos de visão: a do homem comum que vive no mundo e a dos Seres Iluminados. Uma é limitada e imperfeita, pois vê apenas os efeitos exteriores da Realidade, e outra Divina, ou seja, completa, pura, perfeita, que vê os efeitos e também as causas.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A visão divina do homem (Parte I)


     Nossos pontos de vista variam. Vemos segundo nossos padrões individuais.
     Se, ao subirmos uma montanha, observarmos ao redor, notaremos que o panorama vai se modificando a cada passo dado para cima. Quando estamos no vale, lá embaixo, nosso campo visual será limitado e teremos uma visão muito restrita da região onde estamos. Na medida em que subimos, nossa vista atingirá locais antes desconhecidos e compreenderemos melhor, de modo mais amplo e verdadeiro, onde estamos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Que tal repensar a vida?


     Existem momentos em nossa vida em que paramos para pensar. Nessas horas, o passado vem à tona como alicerce para a avaliação. Que fizemos de nossa vida? Que fizemos daqueles dons que recebemos ao nascer? Será que usamos corretamente todas as nossas potencialidades?

     Se pudéssemos voltar no tempo e começar a vida toda de uma maneira diferente, porém com a consciência que temos hoje, seria uma verdadeira maravilha. Por certo, não cometeríamos nenhum erro, faríamos tudo bem diferente... É, mas isso é impossível. A única coisa que podemos fazer é voltar nossos olhos, examinar todas as nossas atitudes, classificá-las e tentar não cometer mais os mesmos erros.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A vida é sempre um recomeço



     O final do ano já bate à nossa porta. E com ele, os nossos propósitos para o ano que se inicia. É mais um ciclo da vida que chega ao fim. É mais um recomeço. E para começar com o coração limpo e leve é preciso deixar para trás nossas mágoas, nossos ressentimentos, para que tenhamos o coração preparado para tudo o que nos está reservado.

     Parece que com todos é assim. No final do ano colocamos em xeque todos os nossos problemas e dissabores, tomamos resoluções para o ano que se inicia, enfim, queremos sempre recomeçar. Quantas vezes já recomeçamos alguma coisa?

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O aperfeiçoamento e o sacrifício

      Um bebê, ao nascer, começa uma etapa de sucessivos aperfeiçoamentos: a criança se desenvolve física, mental e emocionalmente até que chega a um ponto importante de transformação, e é nesse momento que aquela condição de criança começa a desaparecer e se inicia o aparecimento do adolescente. A criatura é a mesma em sua identidade individual, apenas foi necessária uma nova condição para prosseguir se aperfeiçoando e evoluindo. A condição anterior já havia esgotado todos os recursos possíveis. Por isso, uma nova condição com possibilidades maiores deveria surgir, a do adolescente.

terça-feira, 4 de junho de 2013

É hora de sermos como a flor de lotus!


     "Certo dia, à margem de um tranqüilo lago, encontraram-se quatro irmãos: o Fogo, o Ar, a Água e a Terra.

     – Quanto tempo sem nos vermos – disse o Fogo cheio de entusiasmo, como é de sua natureza.

     – É verdade – disse o Ar. É um destino bem curioso o nosso. À custa de tanto nos prestarmos para construir formas e mais formas, tornamo-nos escravos de nossa obra e perdemos nossa liberdade.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Aperfeiçoamento (Requisitos)


      Veremos agora certos pontos básicos para que possamos desenvolver o aperfeiçoamento. Para termos uma melhor visão, vamos fazer uma comparação com algo material e conhecido.

      Por exemplo, se eu tenho uma casa não muito boa, desejo aperfeiçoá-la. Se eu a considerasse como uma ótima casa, estaria satisfeito com ela e não pensaria em mudá-la, mesmo que outras pessoas dissessem o contrário. Mas eu quero realmente aperfeiçoar a casa, pois me serviria melhor, seria mais útil, mais segura, etc.

      Após este primeiro ponto estar bem determinado, o próximo seria um conhecimento, o mais exato possível, da casa, como está constituída, para descobrir o que deve e pode ser modificado. Um conhecimento superficial não é o bastante, é necessário um estudo profundo antes de qualquer modificação. Caso contrário, poderia mudar o que não deve ser mudado e ficaria pior do que antes.

      O terceiro ponto seria projetar um modelo daquilo que quero com a reforma da minha casa antiga.

      O quarto ponto seria o planejamento completo para reunir todos os meios e recursos necessários à reforma da casa.

      O quinto e último ponto seria trabalhar com constância para que a obra se realize e não passe apenas de um sonho.

      No exemplo da casa já notamos a presença destes requisitos fundamentais ao aperfeiçoamento:

      1. Querer verdadeiramente o aperfeiçoamento;

      2. Conhecer com profundidade o que deve ser aperfeiçoado.

      3. Idealizar um modelo como alvo do aperfeiçoamento.

      4. Planejar e reunir meios e condições favoráveis ao redor do que deve ser aperfeiçoado.

      5. Trabalhar com dedicação e perseverança.

      Agora, vamos aplicar cada um desses pontos, focalizando a Aperfeiçoamento do Ser Humano.

      Se alguém está plenamente feliz consigo mesmo, com sua maneira de ser, de sentir e de pensar, o máximo que pode fazer é sonhar com um auto-aperfeiçoamento e nada mais. Talvez alguma fraca tentativa seja feita para justificar-se a si mesmo, mas sabe que nada vai acontecer, pois não há um verdadeiro querer de auto-aperfeiçoamento. Sem este primeiro passo fundamental, toda teoria que tivermos acumulada, todo estudo, por mais profundo que seja, não passará de um passatempo intelectual e vazio.

      Portanto, é indispensável para o auto-aperfeiçoamento, que se eliminem primeiro todas as barreiras e condicionamentos que bloqueiam o verdadeiro querer. Sem isso, jamais teremos a motivação necessária para fazer um trabalho sério em nós mesmos. Toda tentativa já estará condenada ao fracasso, pois falta a base sólida de uma vontade firme de transformação.

      Mas, como se pode desenvolver uma forte vontade de transformação, de auto-aperfeiçoamento? Como criar esse impulso inicial e indispensável sem o qual nada é  possível? Aqui já começamos a perceber a importância daquele segundo ponto básico já visto: conhecer com profundidade o que deve ser aperfeiçoado. É necessário que eu me conheça como eu sou agora, para saber o que pode ser aperfeiçoado. É um trabalho de auto-análise imparcial, com detalhes os mais exatos possíveis. Sem esses conhecimentos correria o risco de piorar e não melhorar. Cabe aqui uma explicação: o conhecimento que aqui se refere não é o de nossa personalidade superficial, aparente – um nome, uma condição social, meus recursos intelectuais e financeiros, a aparência ou impressão provocada no exterior, o conceito de familiares e amigos. Tudo isso são efeitos indiretos, superficiais e variáveis. Não se trata de conhecer os efeitos produzidos no exterior, mas sim as causas que geram esses efeitos. Essas causas se encontram dentro e não fora. Esse conhecimento profundo também não se refere ao Eu Superior e Eterno. É muito bom termos essa convicção como estímulo ao aperfeiçoamento, mas é muito mais importante conhecermos, em primeiro lugar, o que nos é mais familiar e pode ser notado a todo instante, o que está mais à mão.

      É muito lógico que, se ainda a criatura não se conhece nas formas mais simples de si mesma, como poderá saltar diretamente para outras formas muito mais complexas e refinadas? Se neste plano em que estamos nós manipulamos e contatamos diretamente muito mais com nossos corpos físico, emocional e mental, é por essa razão que temos que conhecer esses corpos, aprender a usá-los e aperfeiçoá-los. Se já tivéssemos feito tudo isso com perfeição, não estaríamos sempre envolvidos em circunstâncias onde há predominância do físico, do mental e do emocional. Se um aluno está em uma escola primária, ele estará sempre rodeado de ensinamentos primários; poderá ouvir falar que existe o ensino superior, como incentivo ao estudo, mas enquanto não aprender a utilizar com perfeição os recursos que tem em mãos, não receberá outros ensinamentos superiores. Existe uma perfeição absoluta em tudo o que existe, mas está muito além de nossa capacidade de perceber. Portanto, não podemos rejeitar coisa alguma, senão seremos alunos rebeldes e voltaremos sempre até aprendermos o que é necessário.

      Como então o ser humano, que quer aperfeiçoar-se, pode se conhecer melhor? A teosofia ensina que temos sete corpos, sendo que os três primeiros são: um corpo físico, um corpo emocional ou astral e um corpo mental concreto ou inferior. São esses que nos são mais familiares e com os quais estamos em mais contato, portanto temos que conhecê-los muito bem em primeiro lugar.

      Sobre nosso corpo físico já temos muitos dados e informações pelas pesquisas científicas. Mas a ciência vê o corpo físico como uma causa, a origem dos outros corpos, por isso existem muitos vazios sem explicação científica. Os ensinamentos teosóficos ensinam que o corpo que temos é apenas um efeito, uma conseqüência. É a manifestação material mais densa de corpos mais refinados e superiores. É o nosso instrumento material através do qual podemos nos manifestar neste mundo material. É sob este ângulo que devemos conhecer nossos corpos físico, emocional e mental. São instrumentos através dos quais nós, seres espirituais, nos manifestamos e atuamos neste plano material. Apesar destes corpos estarem interligados entre si, existe uma hierarquia entre eles: o físico é o mais denso e inferior, o emocional ou astral é superior ao físico, e o mental concreto ou mental inferior, está acima deles.

      Podemos, através de livros, ter conhecimentos muito úteis sobre esses três corpos, mas isso é apenas um início, é necessário expandir esse conhecimento em nós mesmos, cada um em si mesmo. O objetivo é o aperfeiçoamento de cada um consigo mesmo. Esse trabalho de se conhecer é individual de cada um de nós. Não existe um padrão único de atividades nestes três corpos, principalmente no emocional e no mental. Eles variam de uma pessoa para outra e em cada ocasião reagem de modos diferentes. Portanto, só cada um pode observar a si mesmo e se conhecer melhor. Ninguém pode fazer esse trabalho melhor do que nós mesmos. E é só através desse conhecimento próprio que saberemos como nos aperfeiçoar. Examinando, comparando e discernindo tudo o que sentimos e pensamos, só assim saberemos o que deve ser corrigido e aperfeiçoado.

      Somente a partir desse conhecimento de nós mesmos, sabendo de tudo que se passa dentro de nós, nossas reações, etc., é que começamos a idealizar um modelo mais aperfeiçoado de nós mesmos. E este é o terceiro requisito fundamental ao auto-aperfeiçoamento.
 
Texto de Iran Kirchner
 Foto ilustrativa

quinta-feira, 16 de maio de 2013

AMOR – A primeira e a maior de todas as forças


     Um texto da escritora Eva Pierrakos, autora do livro “O Caminho da Autotransformação” caiu-me nas mãos e passo a transcrevê-lo.
     “Se os sentimentos são tolhidos, o amor não pode crescer.

     Não considerando a religião, a filosofia ou a doutrina que sigam, todos vocês sabem que o amor é a primeira e a maior de todas as forças. Em última análise é a força única. Mas a verdade é a seguinte: como você pode amar se não se permite sentir?

     Isso significa permanecer não envolvido pessoalmente, não arriscando o sofrimento, a decepção e o envolvimento pessoal. Você pode amar de modo tão cômodo? Se você deixar dormente a sua faculdade de sentir, como pode verdadeiramente experimentar o amor? O amor é um processo intelectual? Ou é um sentimento que brota do fundo da alma, um ardor de impacto que flui e que não pode deixá-lo indiferente e intocado? Não é ele, antes de mais nada, um sentimento e não é só depois que o sentimento é plenamente vivenciado e expresso que dele resultará a sabedoria, e talvez mesmo a percepção intuitiva?

     Como você espera chegar à espiritualidade – e espiritualidade e amor são uma só coisa – não dando atenção a seus processos emocionais? Você que agora segue este caminho e faz o que é tão necessário irá inicialmente experimentar uma avalanche de sentimentos negativos. Mas depois que esses tiverem sido adequadamente compreendidos e tiverem amadurecido, sentimentos construtivos desenvolver-se-ão. Você sentirá o ardor, a compaixão e o envolvimento bom como nunca imaginou ser possível. Não se sentirá mais isolado. Começará a relacionar-se com os outros na verdade e na realidade, não na falsidade e no auto-engano. Quando isto acontecer, uma nova segurança e respeito por você mesmo se tornará parte de você. Você começará a confiar e a gostar de si mesmo.” 

     Esse inspirado texto de Eva Pirrakos nos faz parar e analisar. Ele nos mostra que a superficialidade de sentimentos ou a couraça que muitas vezes nos colocamos, com a intenção de “não sofrermos”, nos coloca à margem de todo um processo de amar. Será que vale a pena não sofrer, nos entrincheirando, nos isolando para não sermos atingidos pelas vicissitudes da vida?Pode ser que não sejamos machucados, mas por certo não experimentaremos esse sentimento único, o maior de todos – o amor pleno e desinteressado, o amor incondicional, o amor universal.

     Para que possamos realmente experimentar a plenitude desse amor universal é preciso que nos dispamos de todas as nossas armaduras, que nos coloquemos em atitude receptiva diante da vida. Muitas vezes nossa atitude é de pessimismo, negativismo. Não nos lembramos de agradecer, de abrir nosso coração para as experiências, para os sentimentos. O sofrimento faz parte de todo esse processo. Não podemos ter medo de sofrer. Só damos valor àquilo que recebemos de bom da vida, se conhecermos o outro lado. Ninguém sabe o que é a luz, se permanecer eternamente nas trevas, pois estas nada mais são do que a ausência da luz.

     Vamos dar uma oportunidade à vida? Vamos nos colocar sem couraças e barreiras para aprender realmente o significado do amor universal, essa primeira e maior de todas as forças?
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto Ilustrativa

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O Aperfeiçoamento (A natureza e o rio)


      Se analisarmos tudo o que nos rodeia, mesmo nos reinos mineral, vegetal e animal, notaremos que nada está inativo. Mesmo as pedras se transformam, e estão em atividade constante. Nos vegetais, já esta atividade é mais intensa do que nos minerais. Nos animais, desde os mais microscópicos, nota-se uma atividade ainda muito mais intensa.

      Toda a atividade observada na matéria produz modificações, produz transformações. Essas transformações que ocorrem com todas as coisas sucedem-se continuamente e orientam-se sempre numa mesma direção, num mesmo sentido, procuram sempre o APERFEIÇOAMENTO.

      Portanto, o Aperfeiçoamento é uma constante em todas as coisas, desde um minúsculo grão de areia até as formas mais complexas de vida. Nada contraria esta constante Universal, que se impõe de várias maneiras e em todos os sentidos possíveis.

      O Ser Humano não é uma exceção a essa norma, muito pelo contrário. Sendo ainda mais complexo em sua composição, qualidades e faculdades, tem atividades maiores. Essas atividades produzem transformações também maiores e, conseqüentemente, essas modificações constantes e contínuas levam todos nós, seres humanos, para um Aperfeiçoamento muito maior. Mesmo que queiramos resistir ao Aperfeiçoamento, seremos sempre arrastados para frente, muitas vezes indiretamente, em ziguezague e de formas dolorosas, mas iremos infalivelmente.

      Para termos uma melhor visão desta Constante Universal de Aperfeiçoamento, poderemos imaginá-la como a Grande Corrente de um imenso Rio. Todas as formas de vida estão contidas nesse Rio colossal e por ele são levadas num contínuo movimento, sempre em atividade, em constantes transformações, em uma obra de aperfeiçoamento contínuo. Nós, criaturas humanas, também estamos dentro dessa correnteza e, independente de sabermos disso ou não, estamos constantemente sendo levados por ela.

      Vamos agora analisar as diferentes maneiras de comportamento do ser humano dentro dessa corrente. Os vários modos de reação e de comportamento das pessoas vão depender diretamente do estado evolutivo de cada uma delas, do grau de esclarecimento espiritual, enfim, cada criatura reage conforme a bagagem de valores que acumulou nesta encarnação e nas anteriores.

      Para simplificar, vamos nos limitar a apenas três maneiras diferentes de comportamento.

      O primeiro tipo é a reação ao aperfeiçoamento. A pessoa pouco sabe sobre si mesma e não entende onde está e o porquê das transformações constantes provocadas por atividades diversas e incessantes da vida. Essa pessoa, por desconhecer esta constante de aperfeiçoamento que existe, reage instintivamente a qualquer mudança no seu estado de ser. Ela tem receio do que possa lhe acontecer se deixar de ser aquilo que é. Ela gosta de si mesma como pessoa física, acima de todas as coisas. Portanto, não quer modificar-se.

      Na criação manifestada, na matéria, existem três gunas, ou três qualidades ou atributos, chamados em sânscrito de Tamas, Rajas e Sattva. Ou seja, inércia – movimento (ação) – equilíbrio (sabedoria). Quando a qualidade tamásica predomina na criatura, ela se predispõe mais à inércia, à apatia, à confusão, à ignorância e ao erro. Poderíamos então considerar neste primeiro caso o comportamento de uma criatura tamásica com relação a esta grande corrente de aperfeiçoamento. Já podemos concluir o tremendo atrito que pessoas assim sentem pela oposição contra essa corrente. Comparativamente, podemos dizer que é como se realmente estivéssemos flutuando dentro de um grande rio, juntamente com muitas outras pessoas. Qualquer de nós que tentar se opor ao movimento normal das águas, se cansaria inutilmente e seria fatalmente abalroado constantemente por tudo que navega no sentido das águas. Realmente, as condições de uma criatura com esse comportamento são bastante deploráveis e penosas, pois é como se o mundo estivesse desabando sobre ela. Onde quer que se encontre, ali estará também o atrito, a desarmonia e a confusão, como se fossem mensagens de alerta que tentassem avisar-lhe de que algo está errado consigo, que precisa verificar o rumo que segue pois não chegará a lugar algum reagindo teimosamente contra as transformações de aperfeiçoamento. Haverá sempre desilusões e fracassos pelo emprego de suas forças em sentido contrário a todas as normas de aprimoramento e evolução. Existem algumas características marcantes nas criaturas deste nosso primeiro caso: o derrotismo pessimista e sombrio, a inércia, a irritação constante, a crítica destrutiva contra tudo, atitude hostil e defensiva contra qualquer coisa. Se existe inferno, este tipo de pessoa traz dentro de si mesma um verdadeiro inferno e, conseqüentemente, transborda para fora tudo aqui que sente. É impossível contar e tentar fingir o contrário. Um copo com mel só pode deixar transbordar mel e um copo com vinagre, somente vinagre. É impossível acontecer o contrário.

      Esse então seria o primeiro tipo de comportamento dentro da Grande Corrente de Aperfeiçoamento e Evolução: reação constante, falta de conhecimento de si mesmo e das sábias Leis Divinas ensinadas pelos Mestres.

      Vamos agora passar para o segundo tipo de comportamento. Neste tipo predomina a qualidade Rajas, que é uma das três gunas ou atributos que já citamos. É a qualidade de movimento, de ação, de luta, de paixão desenfreada. Esse tipo de criaturas não reage à atividade e às transformações como as do primeiro caso. Elas já percebem vagamente a correnteza do Grande Rio que as envolve, mas pouco sabem da finalidade dessa corrente. E como ignoram essa constante de aperfeiçoamento, apesar de ativas e de estarem sempre se transformando, elas não sabem dirigir suas ações e movimentos em harmonia com o sentido da corrente, ou seja, do aperfeiçoamento.

      Devido a essa atividade desordenada, sem perceberem o objetivo das várias transformações, as criaturas com esse comportamento também reagem indiretamente ao sentido da corrente. Suas forças são mal dirigidas e provocam modificações desnecessárias ao sentido do aperfeiçoamento. Mas, apesar disso, elas colhem algum benefício, pois mesmo que naveguem em ziguezague dentro do rio, vão aos poucos corrigindo o rumo de suas ações e objetivos, errando sempre menos pelas experiências infelizes do passado. Esse tipo abrange a maioria das pessoas.

      O terceiro e último tipo de comportamento tem como característica principal um acentuado desenvolvimento de equilíbrio e sabedoria, ou seja, a guna chamada Sattva seria predominante neste tipo. É difícil para nós tentar entender e descrever essa classe de seres pois estão em um nível bem acima de nós, seres humanos comuns, que somos mais afetados por Rajas, ação desmedida e apaixonada, sem equilíbrio e sabedoria.

      Vamos imaginar as criaturas deste nosso terceiro caso também flutuando nesse Rio simbólico e sendo levadas pelas suas águas. Elas não estariam reagindo ao sentido da corrente como aqueles do primeiro caso. E nem, tampouco, desperdiçariam inutilmente suas forças em rumos diferentes no sentido normal da corrente, como aqueles do nosso segundo caso. Estas criaturas têm conhecimento de onde estão, percebem o Grande Rio, sua correnteza, suas normas ou leis e sabem da razão de sua existência, que é conduzir tudo que existe em constante aperfeiçoamento. A Sabedoria que estes seres têm e praticam, junto com o equilíbrio e a lucidez, faz com que naveguem com segurança e rapidez neste rio. A angústia e a dúvida já não existem mais para eles, pois não oferecem resistência às leis, mas procuram cumpri-las para se aperfeiçoarem cada vez mais. Sabem sempre enfrentar todos os obstáculos de jornada com confiança e serenidade e aproveitam todas as experiências e os novos conhecimentos que encontram em benefício próprio e de outros.

      São pessoas abnegadas e altruístas, que dedicam toda sua vida aos seus semelhantes e a ideais elevados.
 
Texto de Iran Kirchner
Foto ilustrativa
 

 


sábado, 27 de abril de 2013

Pense comigo!


     Esta mensagem de Chico Xavier nos faz refletir:

     “Que Deus não permita que eu perca o romantismo, mesmo sabendo que as rosas não falam...
     Que eu não perca o otimismo, mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser tão alegre...
     Que eu não perca a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...
     Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabem indo embora de nossas vidas...
     Que eu não perca a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda...
     Que eu não perca o equilíbrio, mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia...
     Que eu não perca a vontade de amar, mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
     Que eu não perca a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo escurecerão meus olhos...
     Que eu não perca a garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos...
     Que eu não perca a razão, mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas...
     Que eu não perca o sentimento de justiça, mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu...
     Que eu não perca o meu forte abraço, mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...
     Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma...
     Que eu não perca o amor por minha família, mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia...
     Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido e até  rejeitado...
     Que eu não perca a vontade de ser grande, mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
     E, acima de tudo...
     Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente!
     Que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois a vida é construída nos sonhos e concretizada no amor!” 
     Essa mensagem nos faz pensar em quantas vezes cruzamos os braços, não querendo fazer nada, sofrendo por antecipação os revezes da vida. Deixamos de lado nossos mais acalentados sonhos, por achar que “não vai dar certo, mesmo”... Assim, deixamos de viver os bons momentos da vida, deixamos a vida passar sem que tenhamos vivido realmente.
     A vida é feita de pequenas coisas que nos trazem alegria, que nos trazem paz e harmonia. Se formos pensar sempre no lado negativo, jamais realizaremos nada, jamais viveremos plenamente.
     Acho que o otimismo é um excelente “remédio” para enfrentarmos o que vem pela frente. Tomemos, pois, uma boa dose desse “remédio”... Façamos a nossa parte para melhorar o mundo.
 
Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa

 

terça-feira, 2 de abril de 2013

O aperfeiçoamento do homem


O aperfeiçoamento do homem tem sido o propósito invariável de todos os sistemas religiosos, filosóficos, educacionais. O homem já tem, em si mesmo, um impulso natural para o aperfeiçoamento de tudo que o rodeia e é por isso que as transformações do nosso mundo material ocorrem. São tentativas na busca para atingir a perfeição. Mesmo que muitas vezes causem problemas pelo desconhecimento dos verdadeiros objetivos do aperfeiçoamento, são ensaios para buscas a Perfeição.

      Mas existe um ponto de fundamental importância que se deve ter sempre como base: todas as modificações que provocarmos no mundo material e exterior, tentando alcançar sempre melhores condições de vida material, com novas máquinas, novos remédios, alimentos melhores, vestimentas, comunicação mais eficiente, tudo isso são meios de aperfeiçoamento do ser Humano em si mesmo, da criatura espiritual que somos realmente. O principal objetivo que há em tudo o que criamos à nossa volta é o de nos aperfeiçoarmos através do trabalho que fazemos. O resultado do trabalho só tem importância pelo aperfeiçoamento que provoca em nós. 

E isso é bastante lógico, pois todas as nossas obras materiais, por mais fabulosas que sejam, são todas perecíveis e transitórias. Mas nós não somos perecíveis e nem transitórios, portanto, somos mais importantes que as obras. Os Mestres sempre nos ensinaram que devemos amar o trabalho e nos desapegarmos do fruto desse trabalho, pelo fato de que só o trabalho nos traz o aperfeiçoamento e nos faz evoluir. O resultado externo e material deste trabalho é transitório e desaparece no tempo, mas o resultado interno e espiritual provocado pelo trabalho nos aperfeiçoa, nos faz evoluir. Isso é a verdadeira Obra, a Obra Interna em cada um de nós. Essa Obra está além do tempo e do espaço, é eterna, porque permanece conosco que somos eternos.
 
      A maioria das pessoas trabalha e se esforça para conquistar um nível melhor de vida material, com mais recursos e mais conforto. Todas se aperfeiçoam pela execução do trabalho material que fazem, mas não têm consciência do verdadeiro sentido e da finalidade do trabalho. São atraídas pelos ilusórios frutos materiais que ganham. Quando os ensinamentos espirituais mais profundos não são entendidos, devido ao nosso estado evolutivo, a Natureza cria artifícios para que possamos nos aperfeiçoar mesmo deste modo. Esses artifícios agem como engodos ou iscas que nos atraem. Fascinados por esse chamariz, nós trabalhamos e pelo trabalho nos aperfeiçoamos.

      Se analisarmos a massa geral da humanidade, veremos que ela se aperfeiçoa de um modo indireto, pelo trabalho que faz cuidando da vida material, zelando pelos seus interesses e tentando conquistar melhores condições de vida para si e para seus familiares. A ilusão material que nos rodeia funciona como um ímã que nos atrai para a atividade e, com ela, vamos nos aperfeiçoando. Mesmo que trabalhemos com finalidades egoísticas, isso serve de lição para o aprimoramento interno de casa um de nós. Se as pessoas não se interessam e pouco entendem de seu aperfeiçoamento próprio, mesmo assim são atraídas para o processo de um modo indireto, por meio das ilusões do mundo material que agem como iscas e provocam a atividade e o esforço. É essa atividade, seja ela mental, física ou emocional, que produz o desenvolvimento e o aperfeiçoamento. O alvo material que se deseja conquistar funciona apenas como um engodo material e ilusório.

      Podemos fazer comparação para entendermos melhor esse artifício da Natureza. As crianças, desde pequenas, são cercadas de inúmeros brinquedos de cores e formas atrativas. Ainda berço, quando já enxergam e ouvem, elas ganham pequenos chocalhos coloridos para brincar. Isso atrai a atenção da criança que faz muito esforço para apanhá-los, o que aumenta a sua curiosidade. É com essas atividades que se exercitam física e mentalmente. Na medida em que as crianças crescem, seus brinquedos são trocados por outros que exigem mais esforços e imaginação e o processo de aperfeiçoamento continua. Já quando passam de adolescentes para a condição de adultos, os brinquedos da infância não têm mais finalidade, pois chegaram a tal estado físico, emocional e mental que necessitam novos meios de atração para que possam se exercitar, desenvolver e aperfeiçoar. 

As coisas materiais, com uma infinidade de formas e valores, substituem os brinquedos. Praticamente, todos nós somos atraídos pelo mundo fantástico de formas e imagens que vemos e acreditamos serem concretas e reais. Fascinados, tal como crianças diante de muitos brinquedos, queremos conseguir tudo o que nos rodeia e não medimos esforços para isso. É nessa luta para conquistar nossos sonhos materiais que desenvolvemos e aprimoramos nossas faculdades físicas, emocionais e mentais. Portanto, o trabalho com desapego ao fruto e só por amor ao próprio trabalho tem um sentido oculto muito profundo, que testemunha a sabedoria e o alto valor nos ensinamentos dos Mestres e Sábios.
 
      Quando o ser humano já percebe um pouco esses meios naturais para o aperfeiçoamento de si mesmo, um novo horizonte começa a ser percebido, muitas dúvidas e temores desaparecem para ele. Antes acreditava estar abandonado à sua própria sorte para ganhar a vida num mundo hostil e não via uma razão lógica para tanta luta e sacrifício. Agora, já começa a entender o porquê de muitas coisas que não tinham razão de ser. Essa criatura, já um pouco desperta para uma nova realidade, sente-se mais confiante e amparada, pois percebe vagamente que não está abandonada à sua própria sorte. 

ALGUÉM está velando por ela, cercando-a de muitos cuidados e meios para que possa crescer, evoluir, aperfeiçoar-se. Podemos comparar essa criatura com uma criancinha que foi se afastando do seu Pai, sem perceber que Ele a estava vigiando de longe. Ela começou a sentir medo e as coisas ao seu redor já não despertavam mais o seu interesse e curiosidade, julgou-se fraca e desamparada e gritou por ajuda. Seu pai, que estava sempre atento, percebeu a sua condição e prontamente lhe acenou. Quando a criança viu seu pai ao longe, ficou confiante e sentiu-se amparada novamente, mesmo estando ainda distante dele.

Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa

 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Sabedoria de Vida


     Será  que nós sabemos viver plenamente? Qual será o segredo de uma vida realmente bem vivida?
     Trago para vocês, as sábias palavras do grande Chico Xavier. 
     Pequena Parcela
     Chico Xavier
     “Que eu continue a acreditar no outro mesmo sabendo de alguns valores tão estranhos que permeiam o mundo.
     Que eu continue otimista, mesmo sabendo que o futuro que nos espera nem sempre é tão alegre.
    Que eu continue com a vontade de viver, mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, uma lição difícil de ser aprendida.
     Que eu permaneça com a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que com as voltas do mundo eles vão indo embora de nossas vidas.
     Que eu realimente sempre a vontade de ajudar as pessoas, mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, sentir, entender ou utilizar esta ajuda.
     Que eu mantenha meu equilíbrio, mesmo sabendo que os desafios são inúmeros ao longo do caminho.
     Que eu exteriorize a vontade de amar, entendendo que amar não é  sentimento de posse, é sentimento de doação.
     Que eu sustente a luz e o brilho no olhar, mesmo sabendo que muitas coisas que vejo no mundo escurecem meus olhos.
   Que eu retroalimente minha garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são ingredientes tão fortes quanto o sucesso e a alegria.
     Que eu atenda sempre mais a minha intuição, que sinalize o que de mais autêntico possuo, que eu pratique sempre mais o sentimento de justiça, mesmo em meio à turbulência dos interesses.
     Que eu não perca o meu forte abraço e o distribua sempre. Que eu perpetue a beleza e o brilho de ver, mesmo sabendo que as lágrimas também brotam dos meus olhos.
     Que eu manifeste o amor por minha família, mesmo sabendo que ela, muitas vezes, me exige muito para manter a sua harmonia.
     Que eu acalente a vontade de ser grande, mesmo sabendo que a minha parcela de contribuição no mundo é pequena.
     E, acima de tudo, que eu lembre sempre que todos nós fazemos parte desta maravilhosa teia chamada vida, criada por Alguém bem superior a todos nós.
     E que as grandes mudanças não ocorrem por grandes feitos de alguns e sim nas pequenas parcelas cotidianas de todos nós.”
     Viver plenamente é ver o mundo através dessas lentes maravilhosas que Chico nos deixou. Se fizermos a nossa “pequena parcela” talvez não consigamos mudar o mundo, mas estaremos dando a nossa contribuição para que isso aconteça. E, sobretudo, não podemos esquecer de agradecer a todo momento pela Vida que o Ser Superior nos deu. Nossa responsabilidade é grande. Temos que tornar essa vida cada vez melhor, fazendo sempre a nossa parte, aquilo que nos é pedido com tanta bondade. Se não aprendermos as lições da vida com “Amor”, temos que aprender com a “Dor”. E, por certo, é bem mais fácil e prazeroso aprender pelo Amor.

Texto de Cecy Kirchner
Foto ilustrativa

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Misticismo e Mistificação


     Muitas vezes ouvimos alguém dizer que em muitas religiões se encontra o misticismo. Esse termo é usado em sentido pejorativo, com seu sentido deturpado, conotando que certas religiões estão enganando seus seguidores.

     Fomos pesquisar o sentido dessas duas palavras. Segundo o dicionário, Místico é relativo à vida espiritual e contemplativa; devoto, religioso, piedoso. Místico é aquele que, mediante a contemplação espiritual, procura atingir o estado de êxtase de união direta com a divindade. Portanto, o vocábulo místico se refere a características positivas, boas e não pode ser usado com o sentido pejorativo. Ao passo que Mistificação é o ato ou efeito de mistificar, ou seja, abusar da credulidade, enganar, iludir, burlar, lograr.

     Há  poucos dias, numa conversa, ouvi uma pessoa dizer que em muitos Centros Espíritas existe o “misticismo”, que muitos são “místicos”. A pessoa queria dizer que muitos enganam os seus seguidores. É comum ouvirmos isso, mas é uma maneira equivocada de se expressar. O certo seria que existe mistificação e que são mistificadores em alguns lugares.

     A palavra místico vem do grego mystikós. Na antiguidade, era aquele que figurava entre os que eram admitidos nos antigos Mistérios. Atualmente, é quem pratica o misticismo e professa idéias místicas, transcendentais. Misticismo é toda doutrina envolta em mistério e na metafísica, que trata mais dos mundos ideais do que de nosso universo positivo, real. Outra acepção da palavra é “o estado da pessoa que se dedica muito a Deus e às coisas espirituais”.

     Encontrei um texto que explica bem o que é místico e misticismo.
     “Nos tempos modernos, muitos errôneos significados têm sido aplicados aos termos místico e misticismo. O mal entendido mais generalizado é o que admite estarem eles ligados a fenômenos pavorosos e estranhos. Na verdade, porém, o místico é exatamente aquele que deseja e busca a verdade e o conhecimento. Detesta o supersticioso, tanto quanto o que se diz racionalista.
     (...)
     
     O místico crê fundamentalmente que pode receber iluminação divina, ou cósmica, através do Eu subconsciente. A ele se manifesta, durante a meditação, um conhecimento revelado que, intuitivamente, aceita como verdade. A revelação se faz tão clara que, para ele, o conhecimento não requer seja substanciado pela razão. O místico acredita, ainda, que nenhum intermediário se faz necessário para o contato direto com a realidade única, que poderá chamar de Absoluto, Mente Universal, Deus ou Cósmico.
     (...)

     O místico não é fantasista – se for um verdadeiro místico. Poderá, às vezes, procurar fugir às atrações do mundo, para desfrutar da elevação de consciência que sente ser necessária para a harmonização com o Uno. Considera, porém, que tem a sublime obrigação moral de utilizar o fluxo de iluminação, as novas idéias ou o conhecimento revelado que recebeu. É para ele repugnante manter essa luz nos limites de sua própria consciência. A iluminação que recebeu torna-se um incentivo e um estímulo à ação, que, finalmente, vem a expressar de várias maneiras.

     (...) A filosofia mística é um sistema de vida pelo qual o indivíduo chega a adaptar-se ao seu meio ambiente, como reação à experiência íntima por que passou. Representa um desígnio superior que ele interpreta de maneira prática e que, segundo verifica, imprime em seus afazeres diários, pelo menos, parte da ordem cósmica de que se tornou consciente.”

     Portanto, não podemos nos referir a “místico”, quando queremos dizer “mistificação ou mistificador”, pois estaremos, no mínimo, sendo injustos com os místicos – pessoas de boa índole, que dedicam sua vida ao estudo dos mistérios da vida e com seu conhecimento estão sempre ajudando os seus semelhantes.

     O sentido das palavras que usamos em nossa comunicação são muito importantes, sobretudo para que não cometamos injustiças ou julgamentos falsos.

Texto de Cecy Kirchner
 Foto ilustrativa


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Quem somos, Martas ou Marias?


     E, aconteceu que, indo eles pelo caminho, entraram uma aldeia; e certa mulher por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã  chamada Maria, a qual assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe pois que me ajude.

     E respondendo, Jesus disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e fatigada com muitas coisas, mas uma só é necessária. E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. (Lucas 10-38,42)

      Estamos às vésperas do Natal, data máxima da cristandade. Quanta agitação, quantos afazeres e preparativos para comemorar o nascimento do Mestre dos Mestres – Jesus, o Cristo. A escolha dos presentes, os preparativos e enfeites da casa e, principalmente, o que julgamos seja de suma importância, que não pode faltar – comidas e bebidas em grande quantidade. O comércio se agita nesta data, a expectativa pelo ganho de presentes gera a ansiedade em todos, crianças e adultos. Somos muito “Marta” e muito pouco ou quase nada “Maria”. Se Jesus estivesse presente nesta época junto a todos nós, o que diria? Com certeza, o mesmo que disse a Marta!

      A superficialidade dos sentidos exteriores pode nos levar por caminhos embaraçosos e perdermos a melhor parte, a única necessária, a que Maria escolheu: ouvir os ensinamentos de Jesus, beber diretamente na Fonte da suprema Sabedoria e Bondade. O que nós cristãos perdemos por ser em demasia superficiais e exteriores e muito pouco ou quase nada em profundidade, essencialidade e espiritualidade? Poderemos perder muito, as nossas próprias vidas, enfraquecendo nossas almas pela falta do precioso alimento: a Verdade do Cristo. Essa é a única que pode nos libertar dos nossos padrões bloqueadores para uma real Felicidade e Liberdade.

      Vinha um peregrino por uma estrada, quando encontrou uma grande multidão festejando ao redor de uma grande placa com mensagens indicativas. Parou e procurou saber o que estavam comemorando. A resposta foi uma só: todos nós estávamos perdidos nesse imenso território, até que encontramos esta placa que indica o caminho para uma terra maravilhosa. Por isso, estamos festejando e cada um que chega se junta a nós e a festa continua cada vez melhor. Escolha um lugar em volta da placa e fique conosco. Perguntou o peregrino: mas, quando essa multidão vai seguir em frente para essa terra maravilhosa? E eles responderam: A alegria aqui é muito grande e contagiante. Talvez um dia todos juntos seguiremos em frente. Alguns já foram, mas bem poucos. Fique conosco e não se preocupe.

      Toda a humanidade está reunida em multidões ao redor de placas que sinalizam caminhos para um paraíso perfeito. Poucos são os que se atrevem a seguir em frente. A grande e maciça maioria se acomoda apenas na admiração dos ensinamentos sem vivenciá-los. Muitos Mestres de Sabedoria já passaram pelo planeta Terra. Todos deixaram indicações para o bem da Humanidade, não pediam adoração a si próprios mas Amor a Deus e à Sua Obra. Temos a inteligência e recursos para vivermos no Paraíso aqui e agora, mas a mudança começa dentro de nós, nossos bloqueios, resistências, preconceitos, discriminações. O exterior é a conseqüência do interior. O contrário é falso, é apenas uma imitação.

      Que o Espírito de Natal faça renascer o Cristo em nossos corações.
 
Texto de Iran Waldir Kirchner
Foto Ilustrativa - Baia de Guaratuba